4 quadrinhos que mostram diferentes realidades do Brasil
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Foto: Istock/Getty Images
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4 quadrinhos que mostram diferentes realidades do Brasil

Kaluan Bernardo em 10 de dezembro de 2016

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Existe uma série de Brasis para os mais de 200 milhões de brasileiros que vivem nessa terra continental. De Oiapoque ao Chuí há diversas realidades, culturas e contextos que amarram a trama de uma única história chamada Brasil.

Nunca conheceremos todos esses Brasis. Eles são variados, complexos e multifacetados. O Brasil que o paulista de classe média vive é um tanto diferente do que o pernambucano de classe alta ou o gaúcho morador de uma comunidade no interior conhecem.

Há, no entanto, uma forma sempre útil e eficaz de conhecer um pouco da realidade de outro alguém: pela arte. O cinema nacional, por exemplo, já nos mostrou vários desses Brasis em filmes como “Aquarius”, “Central do Brasil” ou mesmo “Tropa de Elite”. Mas pouca atenção é dada a outra arte: os quadrinhos.

Temos grandes nomes nos quadrinhos brasileiros. Artistas que estão há décadas vendo diferentes realidades e traduzindo em traços ora sutis, ora brutais, carregados de sentimentos, e que nos colocam em contato com esses diferentes Brasis. A seleção poderia ser gigantesca e ainda não daria conta do talento que temos no país. Por isso, selecionamos quatro trabalhos de artistas relativamente conhecidos e que mostram diferentes facetas do Brasil.

4 quadrinhos para conhecer o Brasil

Morro da Favela — André Diniz

André Diniz já recebeu 18 prêmios pelos seus trabalhos — incluindo três troféus HQ Mix de melhor roteirista. Ele lançou “Morro da Favela”, uma biografia em quadrinhos de Maurício Hora, conhecido fotógrafo do Morro da Providência, no Rio de Janeiro, um dos primeiros a fotografar o que acontece à noite nos morros cariocas.

Morro da Favela por André Diniz

Foto: Divulgação

Ao narrar a vida do fotógrafo, filho de um traficante conhecido por criar a primeira boca de fumo, André arrisca um desenho de muitos contrastes em preto e branco para mostrar os tons de cinza na comunidade carioca, a relação entre policiais e bandidos e a convivência diária com a morte.

Cumbe – Marcelo D’Salete

Professor, ilustrador e quadrinista, Marcelo D’Salete é graduado em artes plásticas e mestre em história da arte. Já publicou em países como Argentina, Portugal, França e Itália. Lá ou aqui, ele sempre tenta resgatar a história do negro e seus ancestrais no Brasil. Sua obra mais famosa é “Cumbe”. O título significa tanto “sol” quanto “fogo” ou “quilombo”. E é justamente sobre a resistência de negros escravizados no Brasil que ele fala.

Cumbe por Marcelo D'Salete

Foto: Divulgação

Com muita sensibilidade e boas sacadas, o autor não se detém em apenas apontar dedos, mas consegue passar a dor e a revolta dos negros que viveram nesse período e a mostrar a dívida histórica que ficou desde a escravidão.

Tungstênio — Marcello Quintanilha

Tungstenio

Foto: Divulgação

Com mais de três décadas de publicações, Marcello Quintanilha tem em seu currículo um prêmio em Angoulême — festival internacional de grande prestígio nos quadrinhos. Sucesso de público e de crítica, o autor traz narrativas com bastante sentimento.

Ele usa um texto coloquial, no qual os palavrões nunca parecem forçados. São tão naturais quanto seus traços, influenciados pelo fotojornalismo. Em “Tungstênio”, que rendeu o prêmio internacional ao autor, ele traz diversas histórias que se ligam em Salvador. Quintanilha é de Niterói (RJ), mas passou um bom tempo na capital baiana para criar sua obra e mostrar a história de um sargento reformado do exército, um jovem traficante, um policial inescrupuloso e sua mulher.

Folheteen — José Aguiar

José Aguiar é quadrinista do jornal Gazeta do Povo e do Guia Curitiba (PR). É um dos criadores e curadores do Cena HQ, que realiza leituras dramáticas de quadrinhos no Teatro da Caixa. Também foi cocriador da Gibicon, uma convenção internacional de quadrinhos em Curitiba. Um de seus mais conhecidos trabalhos é “Folheteen”, que conta a história de Malu, uma adolescente crítica e fechada. Com uma narrativa um tanto introspectiva, o autor mostra o cotidiano adolescente na capital paranaense.

Outro projeto dele que nos ajuda a conhecer diferentes Brasis é o “A Infância do Brasil“, no qual compara as diferenças de ser criança no Brasil em diferentes tempos, desde sua descoberta até hoje. “Eu sou um quadrinista brasileiro que redescobriu a própria infância depois da paternidade. E, para entendê-la ainda melhor, decidi viajar pelo tempo através de minha arte. E o meu desafio com este trabalho é lançar um olhar sobre o passado, para refletir sobre nosso presente, através de uma história em quadrinhos”, diz José no site do projeto.

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