Músicas e filme: quatro vezes em que a inteligência artificial foi criativa
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Músicas, filme e trailer: quatro vezes em que a inteligência artificial foi criativa

Pedro Katchborian em 4 de outubro de 2016

Quando fala-se em inteligência artificial, é comum pensar em números, algoritmos e uma tecnologia capaz de aprender, somar e auxiliar humanos nas mais complexas tarefas envolvendo automação, robótica, saúde e etc. O que costuma ficar de fora nessa discussão é um elemento considerado um dos mais humanos de todos: a criatividade. Apesar dessa impressão, a inteligência artificial também tem conseguido mostrar uma capacidade artística, mostrando que pode criar músicas, trailers e até roteiros de filmes.

A inteligência artificial e a criatividade

Música

Pesquisadores no Computer Science Laboratory da Sony, em Paris, compartilharam em setembro de 2016 duas músicas produzidas com a ajuda do software chamado Flow Machines. O programa analisa uma base com músicas existentes para “aprender” gêneros musicais e identificar pontos em comum. Depois, ele sintetiza e cria uma música original.

O Flow Machines é capaz de produzir música que imita algum estilo específico. A canção “Daddy’s Car”, que você pode ouvir abaixo, foi feita tentando imitar o estilo dos Beatles. E não é que ficou boa?

Vale dizer: a música não foi feita completamente sem a ajuda de humanos. Coube ao compositor francês Benoît Carré escrever a letra da música. “Mr. Shadow”, outra música feita pela Flow Machine, foi feita para imitar o estilo de compositores americanos como Irving Berlin e Duke Ellington:

Arte

Em março de 2016, 29 pinturas feitas pelo Deep Mind, inteligência artificial do Google, foram vendidas em um leilão em São Francisco, nos Estados Unidos. A mais cara delas saiu por US$ 8 mil, o equivalente a cerca de R$ 26 mil. As pinturas são criadas com um processo chamado “Inceptionism“, em que os computadores aprendem a fazer design de acordo com padrões de pinturas conhecidas. Com o tempo, elas também podem reconhecer padrões visuais.

Segundo os engenheiros Alexander Mordvintsev, Christopher Olah e Mike Tyka, que escreveram um comunicado em junho de 2015 sobre essas pinturas, a inteligência artificial faz um processo de reconhecer um elemento em uma pintura existente e transformá-lo em algo mais visível. “Se uma nuvem parece um pássaro, a inteligência vai torná-la mais parecida com um pássaro”, dizem.

Trailer

O filme “Morgan” traz a história de uma mulher que precisa decidir se ela vai ou não matar um ser criado por inteligência artificial. Para promover o longa, a IBM foi chamada para utilizar o Watson, sistema de IA da empresa, para criar o trailer mais assustador possível.

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“A questão que o time da IBM teve que responder foi como fazer uma máquina conduzida por lógica, algoritmos e matemática incorporar conceitos como o medo”, diz o site Polygon. Para isso, a equipe fez o Watson analisar mais de 100 filmes de terror considerados clássicos, examinando cada cena procurando consistências. Isso incluiu uma análise visual do que acontece na cena, análise do áudio e como as pessoas estavam reagindo.

Depois de montar o trailer, os produtores do longa perceberam que várias cenas incluídas não foram colocadas pelos editores no trailer original, o que mostra que a inteligência artificial tem uma percepção diferente da nossa sobre o medo. O longa estreou no Brasil no dia 8 de setembro de 2016. Assista ao trailer criado pelo Watson:

Filme

Com o roteiro criado por uma inteligência artificial, o curta-metragem de ficção científica “Sunspring” ganhou até prêmio em um festival de cinema de Londres. A inteligência artificial utilizada para criar o filme, que foi batizada de Benjamin, foi alimentada com dezenas de roteiros de ficção científica encontrados online, a grande maioria filmes dos anos 80 e 90. A tecnologia foi capaz de compreender os textos e prever palavras que apareciam juntas e assim por diante.

Com o tempo, Benjamin foi capaz de imitar a estrutura de um roteiro, indicando as cenas e produzindo linhas de caráter para os personagens. O único elemento que a inteligência artificial não foi capaz de entender foram os nomes próprios, por serem imprevisíveis. Assista ao curta abaixo:

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