Como o algoritmo do Facebook molda a sua percepção do mundo
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Foto: Istock/Getty Images
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Como o algoritmo do Facebook molda a sua percepção do mundo

Pedro Katchborian em 12 de agosto de 2016

Quem tem uma aba do navegador aberta com o Facebook neste momento provavelmente vai se identificar com o hábito a seguir: um longo scroll pela quase atemporal timeline da rede social reúne imagens, textões, vídeos e notícias. Na checada diária do site, nota-se algum tipo de tendência revelada pelo algoritmo do Facebook: as mesmas pessoas aparecem e os sites de notícias raramente variam, embora as curtidas nas fanpages mostrem uma variedade muito maior de gostos do que é apresentado.

Embora a rede social priorize conteúdos de páginas e pessoas que já interagimos de alguma maneira, esse tipo de controle em relação ao que temos acesso em nossa timeline pode não só impedir que você veja a foto do seu amigo na festa ou aquele meme repetido, mas moldar toda a sua percepção do mundo. O algoritmo pode alterar seu humor e até influenciar suas decisões e, quem sabe, ajudar a decidir uma eleição presidencial.

mão segurando celular mexendo no facebook

Foto: Istock/Getty Images

Até o próprio Facebook admitiu ter esse tipo de poder em suas mãos. Em um estudo feito em 2012 com os acadêmicos da Universidade de Califórnia e a Universidade de Cornell, a rede social de Mark Zuckerberg expôs conteúdo direcionado a dois grupos: um recebeu o que era considerado “conteúdo emocional positivo” e outro “conteúdo emocional negativo”. O resultado concluiu que as pessoas são contagiadas pelo emocional do que veem em suas timelines.

Para Marcos Dantas, autor do artigo científico “Mais Valia 2.0” e membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil, esse cenário é perigoso e evidencia uma internet mais centralizada. “Cada vez mais, para milhões de pessoas, internet está virando sinônimo de Facebook e algumas outras plataformas, como WhatsApp ou Instagram. A internet era pensada para ser um espaço aberto, no qual você poderia traçar o seu próprio roteiro com completa autonomia”, diz.

O estudo foi publicado em 2014 e gerou muita críticas de ativistas da internet. Na época, uma porta-voz do Facebook defendeu a pesquisa e disse que ela tinha apenas o objetivo de melhorar a experiência na rede social. “Os estudos foram feitos melhorar os serviços e fazer o conteúdo que as pessoas veem no Facebook o mais relevante possível”, afirmou. “Uma grande parte disso é entender como as pessoas respondem a diferentes tipos de conteúdo, seja positivo ou negativo, vindo de notícias, amigos ou de outras páginas que eles seguem”, completou.

O algoritmo do Facebook pode ganhar eleições?

O Facebook enquanto porta de entrada para a internet para muitas pessoas permite que a rede social interfira em toda a percepção do mundo e até em decisões mais importantes. O site Scout aponta para problemas mais graves do que alterações de humor nos usuários. Segundo a publicação, são necessários apenas dois desenvolvedores do Facebook para modificar o algoritmo. Um deles precisa escrever o código e o outro aprovar. “Se feito de maneira inteligente, esse tipo de manipulação pode ser muito difícil de detectar. Imagine dois desenvolvedores colocando status de “Eu votei” no topo do feed de notícias para levar mais liberais para votar”, explica no texto o jornalista Berit Anderson.

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O Scout não acusa ninguém, mas afirma que existe a possibilidade do algoritmo do Facebook ajudar Hillary Clinton a ganhar as eleições presidenciais americanas, por exemplo. O site defende que Mark Zuckerberg explique como funciona o algoritmo. “É a hora de ser transparente sobre como funciona”, afirma.

Marcos, que também é professor titular da UFRJ, concorda e alerta para os interesses dessas empresas. “O Facebook, assim como o Google e outras plataformas sócio-digitais sabem muito mais sobre nós do que nós mesmos. Como vivem da venda de publicidade e, também, de estudos baseados nos grandes dados que reúnem e podem analisar em seus servidores, dados esses fornecidos inclusive para o governo dos Estados Unidos, eles podem realmente ‘manipular’ nossas vontades e gostos” conta. O professor ainda comenta que esse tipo de tema abre um debate em relação a democracia:

A internet é uma infraestrutura tecnológica que tende cada vez mais a estar tão presente em nossas vidas quanto a rede de energia elétrica. Só que, ao contrário da rede de energia elétrica, a internet transporta informação, e informação é poder.

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