Black Lives Matter e a mobilização online contra a violência policial
Black lives matter
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Black Lives Matter e a mobilização online contra a violência policial

Camila Luz em 14 de outubro de 2016

Em agosto de 2014, o adolescente negro Michal Brown foi baleado pela polícia na periferia de St. Louis, nos Estados Unidos. Ele não portava armas e não possuía nenhum antecedente criminal. Desde então, o grupo Black Lives Matter vem se multiplicando a aumentando o número de protestos a favor do direitos civis de pessoas negras.

Agora, o grupo está articulando iniciativas para botar no ar o primeiro movimento digital de direitos civis. “Com o Twitter, outras redes sociais e ferramentas como o WhatsApp, nós somos capazes de nos comunicar em diferentes escalas”, disse o ativista Samuel Sinyangwe ao site Fast Company.

A internet permite que fatos sejam rapidamente compartilhados e discutidos, sem interferência da mídia.  No entanto, Twitter e outras ferramentas apenas ajudam a espalhar a informação. O Black Lives Matter precisa de uma plataforma que permita que pessoas se organizem em torno de soluções e exijam que esses problemas sejam resolvidos.

Engajar pessoas nas soluções

Preocupado em organizar melhor os dados, o Black Lives Matter tomou uma primeira atitude: criou mapa de violência policial nos Estados Unidos. O grupo quer mostrar que incidentes como o ocorrido com Michael Brown não são isolados. Na verdade, fazem parte de um problema do sistema. “Nós compilamos mais incidentes policiais que o FBI ou o CDC foram capazes de compilar com todas as fontes deles durante anos”, diz Sinyangwe.

Em outro projeto, o grupo revisou o uso da força policial nas maiores cidades dos Estados Unidos. Em Atlanta e Boston, por exemplo, os policiais não precisam avisar que vão atirar antes de balear. Centenas de pessoas ajudaram a coletar e analisar os dados. No entanto, faltava engajamento para pensar em soluções de forma coletiva. Segundo o Fast Company, 40% estadunidenses apoiam o Black Lives Matter, mas pouquíssimos de fato contribuem com as causas.

“No começo, a questão era como chamar atenção para a questão, pois a nação ainda não estava convencida de que era uma assunto sério”, diz Sinyangwe. “Eu acredito que o movimento alcançou uma massa critica de pessoas que entendeu que o problema é grave, que irá exigir ações. Agora a questão é como cada pessoa pode se envolver e fazer parte da solução”, explica.

Partindo dessa análise, o próximo passo é o site que já está em desenvolvimento e vai permitir que qualquer simpatizante apoie as causas. Pessoas poderão publicar um perfil contando onde vivem, no que trabalham e quanto tempo têm disponível para ajudar. Cada usuário será conectado com as causas que mais combinam com suas habilidades e disponibilidade.

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Como usuários poderão ajudar o Black Lives Matter

Algumas tarefas não exigem formação ou conhecimento específico, como buscar informações a respeito dos policiais de cada cidade. Elas poderão ser executadas por qualquer pessoa que se candidatar. Quem tem certas habilidades específicas será conectado com outras ações, como advogados e designers, por exemplo.

Em versão beta do site, chamado Stay Woke, foram coletados dados sobre pessoas que desejam ser voluntário. Em poucas semanas, a lista já tinha mais de 18.000 nomes. Agora, o Black Lives Matter precisa desenvolver uma tecnologia que possa gerenciar o grande número de potenciais voluntários. “Nós, os manifestantes, planejamos lançar uma nova ferramenta dentro dos próximo meses”, conclui Sinyangwe.

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