O aplicativo de Black Mirror já existe; mas por que é assustador?
black-mirror3
Foto: Divulgação
Inovação > Comunicação

O aplicativo de “Black Mirror” já existe; mas por que ele é assustador?

Kaluan Bernardo em 8 de novembro de 2016

O texto a seguir possui spoilers. 

O primeiro episódio da nova temporada de “Black Mirror”, batizado de “Nosedive” assustou bastante gente pela semelhança com a realidade. A ideia de um aplicativo onde todos se avaliam mutuamente e que sua importância digital tem respaldo na vida real não é nada distante do que vivemos hoje. Brincando com isso, a Netflix criou o serviço que todos usam no episódio.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Batizado de “Rateme.social“, o serviço é só um site — e não um aplicativo. Ele mostra sua nota (a minha é 3.0) e permite que você avalie outras pessoas. Infelizmente, não parece funcionar direito. Eu não estou falando isso porque minha nota está ruim, ok? Fizemos alguns testes e vimos que as avaliações de outras pessoas não mudavam nossas notas.

Mas a brincadeira, assim como o episódio inteiro, serve para nos ajudar a refletir um pouco sobre o mundo em que vivemos, no qual estamos constantemente sob avaliação, e no qual o capital social adquirido na internet tem cada vez mais peso.

Por que o aplicativo de “Black Mirror” parece tão real?

Não é por menos que “Black Mirror” é constantemente comparada a “Além da Imaginação”. No final da década de 1950 e início da de 1960, a nostálgica série explorava a paranoia da Guerra Fria para mostrar as ameaças bizarras que a tecnologia podia criar. Hoje, “Black Mirror” faz o mesmo, apenas adaptando a paranoia para as ameaças mais próximas que conhecemos.

Aplicativos para avaliar lugares e pessoas não faltam. Não gostou da comida? Reclama no Foursquare. Não gostou da conversa do motorista do Uber? Dê apenas duas estrelinhas — curiosidade: você também tem uma nota, tá?. Quer saber o quão influente é na internet? Dê uma passada no Klout.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

LEIA MAIS
Black Mirror e o oversharing: por que os óculos do Snap podem ser assustadores

O mundo em cores pastéis com todos fingindo felicidade o tempo todo para serem bem avaliados não é tão diferente do que muitas pessoas fazem no Instagram — calculando cada pose e muitas vezes deixando até o prato esfriar para conseguir uma boa foto da comida.

No episódio, a avaliação no aplicativo é usada para segregar as pessoas. Apenas indivíduos com nota 4,7 para cima podem comprar a casa no condomínio que a protagonista deseja. É uma realidade extrema, mas que encontra ecos em pistas VIPs de shows e voos de primeira classes concedidos como “mimos” a blogueiros e youtubers influentes. Só para citar um exemplo.

O aplicativo proposto pela Netflix é uma brincadeira e que não funciona direito. No entanto, se fosse exatamente como o da série, será que pegaria? É possível que não, mas eu não apostaria todo meu dinheiro nisso.

“Nosedive” é apenas um exagero de nossas vidas. Mas, como toda boa caricatura, inspira-se em características reais e notáveis. Em entrevista ao jornal El País, Charlie Brooker, criador da série, diz: “Embora haja quem acredite nisso, a verdade é que não sou contra a tecnologia. Em Black Mirror a tecnologia nunca é o vilão ou o ‘sujeito do mal'”. O perigo é sempre os outros, no caso, as pessoas.

Gostou deste post? Que tal compartilhar:
Últimos
Trend Tags
Array ( [0] => 76 [1] => 222 [2] => 237 [3] => 115 [4] => 17 [5] => 238 [6] => 92 [7] => 125 [8] => 173 [9] => 16 [10] => 276 [11] => 25 [12] => 157 [13] => 66 [14] => 67 [15] => 62 [16] => 153 [17] => 127 [18] => 12 [19] => 19 [20] => 187 [21] => 69 [22] => 154 [23] => 175 )
Vídeos
Copyright © 2016 Free the Essence