EurekAlert: Como um site mudou o jornalismo e a divulgação da ciência
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EurekAlert: Como um site mudou o jornalismo e a divulgação da ciência

Kaluan Bernardo em 30 de dezembro de 2016

Astrônomos encontram planeta parecido com a Terra. Pesquisadores percebem que bactérias do nariz pode ser usada para criar antibióticos. Cientistas descobrem que é possível estender a expectativa de vida. Já parou para pensar como os jornalistas ficam todos, ao mesmo tempo, sabendo de notícias bombásticas da ciência como essas? A maioria deles conta com uma arma secreta para se manter informado sobre tudo isso: o site EurekAlert.

No ar há mais de 20 anos, a página foi inaugurada em 20 de maio de 1996. Ela reúne estudos relevantes e importantes das mais diferentes revistas científicas e envia, com um comunicado de imprensa, para sua base de assinantes, que conta com mais de 12 mil jornalistas de 90 países diferentes. Eles têm mais de 775 mil visitantes por mês

Normalmente, essas pesquisas são enviadas antes de serem publicadas, com uma data de embargo, para que os repórteres possam ler e preparar um bom texto sem se preocuparem em publicar correndo para não perder espaço para concorrentes. Quando esse prazo acaba, todos os jornalistas publicam suas matérias. É por isso que nós vemos as notícias sobre ciência saindo quase que ao mesmo tempo.

Como o EurekAlert mudou o jornalismo e a ciência

Em uma reportagem especial para celebrar os 20 anos do EurekAlert, o jornalista Nick Stockton, da revista Wired, conversou com diversos repórteres de ciência que acompanharam o nascimento da plataforma.

Em 1996 a internet ainda não era muito popular e a maior parte dos jornalistas recebiam montanhas de comunicados em formas de carta ou fax. Cada revista científica enviava seus estudos de forma separada, muitas vezes sem um comunicado de imprensa – o que era uma bagunça.

Nesse cenário, era comum que os jornalistas deixassem passar descobertas importantes. Por exemplo: em 1994, ninguém deu bola quando cientistas descobriram que úlceras eram causadas por bactérias, e não excesso de ácido no estômago – algo que mudaria bastante a ciência e a medicina. O problema é que o estudo que os repórteres receberam, como conta a Wired, tinha o nome de “Infecção e linfoma gástrico por Helicobacter pylori”, o que não é uma chamada muito atrativa.

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Foi nesse cenário que, em 1996, um grupo de relações públicas criou o EurekAlert, um hub online para comunicados de imprensa relacionados a ciência. Logo perceberam que tinham um desafio pela frente: fazer publicações concorrentes concordarem em anunciar seus estudos no mesmo lugar.

“Eu tive que convencer os outros que nós não íamos roubar suas histórias”, diz Nan Borandbent, que era diretora de comunicações da Associação Americana de Avanços da Ciência, e aceitou coordenar os esforços colaborativos da EurekAlert. Ela conseguiu não só convencer as publicações científicas a se unirem, como também conseguiu investimentos de empresas como a Monsanto, Genentech e Sun Microsystems.

A  evolução da plataforma

O lançamento foi um sucesso e mudou o jornalismo científico. “Pela primeira vez eu encontrei um fórum onde eu poderia facilmente acessar e procurar por artigos separados por tópicos”, comenta à Wired, Deborah Blum, diretora do Programa de Jornalismo Científico da Knight.

Mais tarde a plataforma encontrou seu modelo de negócios: as publicações e universidades pagavam uma taxa anual para manter o site, enquanto os jornalistas têm acesso gratuito. Para a academia faz sentido, uma vez que conseguiria economizar bastante no trabalho de relações públicas para divulgar suas descobertas.

Os anos se passaram e o site atualizou seu layout, conseguiu servidores melhores e se popularizou ainda mais. Eles passaram a ter artigos traduzidos para francês, alemão, espanhol, português, japonês, chinês, e, é claro, inglês. Mas, não mudaram sua essência e sua missão. Hoje, se você quiser saber antes de todos o que está acontecendo na ciência, ou se quiser saber de onde os jornalistas estão tirando suas informações, basta visitar o EurekAlert.

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