Por que a democratização da internet é importante?
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Por que a democratização da internet é importante?

Pedro Katchborian em 10 de julho de 2016

No mundo, são 3,2 bilhões de pessoas conectadas à internet, segundo a União Internacional das Telecomunicações. Apesar dos números promissores, isso significa que mais de 4 bilhões de pessoas ainda não tem acesso à rede. No cenário de um planeta conectado e cada vez mais dependente da web, destaca-se a importância da democratização da internet.

“O acesso à internet é essencial para o exercício da cidadania”, comenta Paulo Rená, ciberativista e um dos defensores do Marco Civil da Internet. No Brasil, o panorama é um pouco melhor do que o mundial. Em 2015, pela primeira vez se alcançou o número de 50% dos domicílios conectados à web, segundo pesquisa do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação.

Iniciativas para a democratização da internet

Em 2013, o Facebook apresentou uma iniciativa que parecia promissora nesse campo. Nomeado de Internet.org, a ideia era levar acesso à web para áreas rurais e afastadas de países em desenvolvimento. Diz o site da iniciativa:

Nosso objetivo é levar acesso à internet e os benefícios da conectividade para quem não tem.

Junto com o Internet.org, o Facebook lançou o projeto Free Basics, que tem como objetivo dar acesso à web pelo celular, mas para apenas alguns sites específicos — incluindo o próprio Facebook, é claro. O projeto tem sido amplamente criticado porque fere a neutralidade de rede.

As críticas foram tantas que o governo da Índia, um dos países em que ocorre o projeto, resolveu intervir. Em fevereiro deste ano, a Autoridade Reguladora de Telecomunicações da Índia implementou a neutralidade de rede e impediu que qualquer provedor do país cobrasse preços diferentes para o acesso à sites ou aplicativos.

A notícia fez que Mark Zuckerberg deixasse claro que ficou decepcionado com a Índia. O país asiático é o que recebeu mais investimentos para o Free Basics: foram R$ 45 milhões.

Rená afirma que não há como dividir o acesso à web:

A internet é um todo, algo integral. Se você não oferece ela toda, não é uma internet. Nesses projetos, ela não é gratuita — a pessoa vai estar remunerando o Facebook ao oferecer os dados dela.

O Google também tem a sua iniciativa com o objetivo da democratização da internet. O Projeto Loon coloca balões na estratosfera e leva acesso à rede para países em desenvolvimento. Em março de 2015, Mike Cassidy, líder do projeto, deu entrevista ao The Verge e falou se o Loon ia, de alguma maneira, restringir o acesso.

“Não, é o que você quiser acessar. Abre um navegador do Chrome e você pode abrir o que quiser — e até mudar o navegador”, comentou. Mesmo assim, o projeto foi criticado por ativistas e até por Bill Gates. “Se você estiver morrendo de malária, suponho que você vai olhar para cima e ver aquele balão. Não sei como isso vai te ajudar”, disse Gates para a Business Week.

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Há críticas ainda piores: Douglas Marshall, que trabalha para regular as ações de drones nos Estados Unidos, afirma que as intenções do Google podem ser outras. “Aquilo é uma aeronave e não tem um piloto. Não há uma regulamentação que fala sobre essa situação”, disse ao The Atlantic, referindo-se ao balões do Loon. Estaria o Google montando um sistema de aeronaves na estratosfera?

E as iniciativas dos governos?

Quando iniciativas privadas recebem críticas pela democratização da internet apenas em partes, imagina-se que o papel de dar acesso à web para todos seja do governo. No Brasil, foram duas tentativas: o Programa Nacional de Banda Larga e o Banda Larga Para Todos.

Em 2011, o Programa Nacional de Banda Larga foi implementado. A ideia era dar acesso à rede para 30 milhões de acessos até o ano da Copa do Mundo, em 2014, mas foi um fracasso. Já o Banda Larga para Todos, idealizado em 2015, nem saiu do papel.

“Em 2011, foi criado o comitê gestor para esses assuntos. Você não tem nenhum registro de nenhuma reunião ou deliberação desse comitê. Não tem nem um site próprio”, diz Rená.

Segundo o ciberativista, caso os planos tivessem sido executados, os resultados apareceriam, mesmo que mínimos. “Falta uma percepção da importância do governo. Eles acham que é algo de luxo, para lazer. Quem delibera ou decide não tem ideia da importância”, conclui.

Atual ministro da Ciência e Tecnologia e Comunicações, Gilberto Kassab já afirmou que a expansão do acesso à internet não será prioridade no governo dele.

Benefícios para o país

Na Estônia, por exemplo, a democratização da internet é uma realidade. O país inteiro é conectado e segue uma tendência online.

Rená comenta quais os benefícios de um país que é conectado. “Você tem uma redução de custos e pode melhorara a macroeconomia”, diz. “Além disso, do ponto de vista educacional, um país conectado pode dar um salto e as pessoas podem produzir informação”, comenta.

Para Rená, deve-se observar o usuário como um produtor de conteúdo e não só um consumidor. “É um componente esquecido. Muita gente fala sobre um agente passivo, mas somos ativos, produzimos informações. A pessoa não só aprende a absorver a informação de uma ferramenta, ela pode construir uma ferramenta“, comenta.

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