Governos fazem uso da tecnologia para se aproximar dos cidadãos
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Foto: e-Stonia/Divulgação
Inovação > Comunicação

Estônia, México e Islândia usam tecnologia para aproximarem cidadãos e governos

Kaluan Bernardo em 23 de maio de 2016

Países de diferentes lugares do mundo estão conduzindo experimentos para saber como a tecnologia pode aproximar cidadãos dos governos. A Cidade do México, por exemplo, está discutindo sua constituição por crowdsourcing, isto é, por meio de um processo em que recebe contribuições de várias pessoas. A Islândia fez um experimento parecido. E a Estônia tem tantos projetos digitais que já criou até a e-Estônia.

Há uma série de nuances e cuidados nesse processo. Montar a constituição de um país é bastante diferente de fazer o crowdfunding de uma startup ou testar uma nova tecnologia. Possíveis erros têm impactos muito maiores.

Veja abaixo como tem sido esse processos para esses governos e o que podemos aprender com eles:

E-Stônia e o poder do governo digital

A relação da Estônia com a tecnologia é um tanto próxima. Toomas Hendrik, o atual presidente do país, é entusiasta da automação. Ele vê as máquinas como solução para um país pequeno, com população de 1,4 milhão de pessoas, competir com os grandes.

Já no final da década de 1990 todas as escolas estonianas funcionavam online. As crianças já aprendem a programar com sete anos. Com dez, estão fazendo seus primeiros games. Pela internet, os pais conseguem ver suas notas, presenças e até se estão entregando as lições de casa.

Os estonianos também conseguem votar e pagar impostos pela internet. Pela rede, ainda conseguem acessar seu histórico de saúde. O RG deles é um cartão digital que serve para diversos fins que vão desde comprar remédios a registrar novos negócios. O país todo coleta dados e os transforma em inteligência.

Veja mais no vídeo abaixo:

Cidade do México e o crowdsourcing de sua nova constituição

Recentemente, a Cidade do México deixou de ser distrito federal e se tornou uma cidade autônoma, que terá sua própria constituição. Para tentar deixar a redação do documento um pouco mais democrática, o governo local está permitindo que as mais de nove milhões de pessoas palpitem pela internet.

As opiniões são submetidas ao site Change.Org, famoso por promover petições online. Os autores de propostas com mais de 10 mil assinaturas poderão ir defender sua ideia pessoalmente. Os cidadãos ainda podem fazer sugestões ao projeto comentando no PubPub, uma plataforma semelhante ao Google Docs.

Apesar de o governo prometer ouvir as sugestões, os políticos não são obrigados a levar em conta as propostas dos cidadãos — por mais adesão que elas tenham. Além disso, há a dificuldade de conseguir sintetizar todas as opiniões dadas na plataforma.

De acordo com o Quartz há outros dados que mostram a dificuldade do contexto: 66% dos mexicanos consideram que as leis não sem respeitadas; metade acredita que a democracia é um sistema em que todos participam, mas poucos se beneficiam; 40% não confiam em partidos políticos e legisladores; 70% não confiam nos outros mexicanos.

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O experimento ainda está acontecendo. Você pode conhecê-lo melhor no vídeo abaixo:

Governo da Islândia e tecnologia: não deu tão certo

A Islândia também fez uma tentativa de reforma constitucional por crowdsourcing. Em 2010, dois anos após a falência do país, eles decidiram que estava na hora de criar uma nova constituição ouvindo o povo o máximo que pudessem.

Em uma primeira fase, escolheram 950 cidadãos aleatórios para definirem quais seriam os princípios que deveriam estar no contrato social do país. Na sequência, montaram um grupo de 25 pessoas (15 homens e 10 mulheres) para escrever o rascunho da constituição.

O processo foi todo aberto na internet. As pessoas podiam comentar e sugerir alterações o tempo todo pelas redes sociais. No fórum em que o documento foi discutido, tudo foi transmitido por streaming.

No entanto, depois de finalizado, o documento foi para o parlamento e, após uma série de manobras políticas, foi congelado. As mudanças não aconteceram e ficaram todas nas mãos dos políticos. A experiência trouxe diversos aprendizados sobre como conduzir um processo democrático e inclusivo. Apesar de não ter tido um bom desfecho, serviu como experimento para o mundo ver.

E você? Acha que algo do tipo poderia funcionar no Brasil? Comente.

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