Facebook e o perigo das notícias falsas nas redes sociais
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Facebook e o perigo das notícias falsas nas redes sociais

Emily Canto Nunes em 22 de novembro de 2016

Se você ficou espantando com o tamanho da bolha nas redes sociais após as eleições municipais, imagine o que sentiram os dirigentes de grandes veículos de comunicação estadunidenses quando o republicano Donald Trump venceu. Um pouco diferente do Brasil, por lá, a mídia não apenas abriu o voto como fez campanha para a democrata Hillary Clinton, sem sucesso. Mas encontrou uma pedra no meio do caminho: as notícias falsas.

Diante de tal resultado, não faltaram análises para tentar entender o que aconteceu nos Estados Unidos, um país que até pouco tempo atrás se vangloriava de ter eleito seu primeiro presidente negro, Barack Obama. Para além dos estudos socioeconômicos, a imprensa se voltou a um debate que é maior e diz respeito não apenas à terra de Tio Sam, mas a todos nós usuários de redes sociais: a influência daquilo que consumimos via Facebook.

Eleição não é algo simples, preto no branco. Por isso, é provavelmente impossível dizer que alguém ganha ou perde uma eleição em razão do Facebook. A própria Wired, que também escreveu sobre a influência das redes sociais no pleito, reconheceu que existem outros fatores como, o investimento em mídia digital que cada candidato fez, sendo que Trump foi quem mais investiu e arrecadou na internet graças a sua campanha online.

Porém, o que grande parte da mídia estadunidense está preocupada é com a proliferação de notícias falsas nas redes sociais, especialmente no Facebook. Afinal, como o próprio Mark Zuckerberg, CEO da companhia, já disse,  sua linha do tempo é uma espécie de capa de jornal ou de portal de notícias personalizada.

Nos últimos três meses de campanha nos Estados Unidos, notícias falsas relacionadas ao pleito geraram mais engajamento do que as principais notícias das principais agências de notícias — nomes como New York Times, Washington Post, Huffington Post, NBC News, e outros.

Uma análise feita pelo BuzzFeed Notícias apontou ainda que notícias falsas, fossem hoax ou de blogs hiper partidários, geraram 8.711.000 ações, reações e comentários no Facebook. No mesmo período de tempo, as 20 notícias veiculadas por 19 dos grandes sites de notícias dos Estados Unidos geraram um total de 7.367.000 ações, reações e comentários no Facebook. Consideráveis um bilhão a menos.

Em outro artigo, o BuzzFeed Notícias conta como um grupo de jovens macedônios estava ganhando dinheiro divulgando notícias falsas e pró-Trump no Facebook por meio de mais de 100 sites diferentes. E, ao contrário do que possa parecer, o objetivo deles não era eleger Donald Trump, mas apenas ganhar dinheiro com o tráfego vindo do Facebook.  Basicamente o que eles faziam era ver aquela notícia falsa em outro lugar, escrever uma com uma manchete ainda mais sensacionalista, e rapidamente publicá-la em seus sites. Nada fora da lei, até então.

Foto: Istock/Getty Images

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Diante de tantos indícios de que o Facebook é mais responsável do que pensa sobre as notícias falsas que a população consome, Mark Zuckerberg adotou uma postura de negação, como ressaltou o The New York Times. Em suas declarações iniciais, disse que essa era “uma ideia muito louca”.

Em 13 de novembro, Mark escreveu em seu perfil que de todo o conteúdo no Facebook, mais de 99% do que as pessoas veem é autêntico: “Apenas uma pequena quantidade é de notícias falsas e boatos. Os boatos que existem não são limitados a visões partidárias ou mesmo à política. No geral, isso torna extremamente improvável que boatos tenham alterado o resultado dessas eleições em uma direção ou outra”.

Porém, no dia 19 de novembro, voltou ao seu perfil público para fazer um mea culpa e admitir que algo precisa ser feito, sim. Ele escreveu: “normalmente, não compartilhamos especificidades sobre os nossos projetos em curso, mas dada a importância dessas questões e o tanto de interesse no assunto, quero delinear alguns dos projetos que já começamos”, escreveu.

Próximos passos do Facebook no combate às notícias falsas

Veja quais foram os compromissos com os quais o Facebook se comprometeu, nas palavras da própria rede social:

  • Detecção mais forte. A coisa mais importante que podemos fazer é melhorar a nossa habilidade de classificar a desinformação. Isso significa melhores sistemas técnicos para detectar o que a pessoas sinalizam como falso antes mesmo que elas façam isso.
  • Facilitar denúncias. Tornar muito mais fácil para as pessoas denunciarem histórias como falsas nos ajudará a capturar desinformações mais rapidamente.
  • Verificação por terceiros. Existem muitas organizações respeitáveis de fact checking e, embora nós já tenhamos entrado em contato com algumas, planejamos aprender com muitas outras mais.
  • Alertas. Estamos explorando [a ideia de] etiquetas em histórias que foram sinalizadas como falsas por terceiros ou pela nossa comunidade e exibir alertas quando as pessoas leem ou compartilham elas.
  • Artigos relacionados de qualidade. Estamos elevando o nível das histórias que aparecem nos artigos relacionados abaixo dos links do feed.
  • Acabar com a economia das notícias falsas. Parte da desinformação é direcionada pelo spam financeiramente motivado. Estamos tentando acabar com essa economia com políticas de anúncios como a anunciada no início da semana e melhorando a detecção de fazendas de anúncios.
  • Ouvir. Continuaremos trabalhando com jornalistas e outros da imprensa para receber suas opiniões, em especial para entender melhor seus sistemas de checagem de fatos e aprender com eles.

São ações promissoras que se somam à exclusão de sites de notícias falsas do programa de publicidade do Facebook, medida já anunciada e que foi adotada também pelo Google. 

Bônus: notícias falsas sobre a Lava Jato

Na onda do BuzzFeed gringo, o BuzzFeed Brasil também fez um levantamento de notícias falsas envolvendo a Operação Lava Jato. E o resultado não foi tão diferente. Desde o início do ano, as 10 principais notícias falsas tiveram 3,9 milhões de engajamentos, enquanto as 10 principais notícias verdadeiras somaram 2,7 milhões. Logo, conclui-se que notícias falsas da Lava Jato foram mais compartilhadas que verdadeiras. Leia mais aqui.

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