EUA: jornais caem e a TV resiste; o futuro da notícia é mobile
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Nos EUA, jornais caem enquanto a TV resiste e o futuro da notícia é mobile

Emily Canto Nunes em 7 de julho de 2016

Nos Estados Unidos, os jornais tiveram seu pior resultado desde o ano de 2010. Esse é só um dos vários dados reunidos no State of the News Media 2016, uma espécie de estado da arte da mídia estadounidense em 2015. Ele compara os anos anteriores e, exatamente por se tratar dos Estados Unidos, se torna tão importante para o mundo todo. Afinal, eles continuam a ser uma inspiração e a ditar algumas tendências e o que é notícia.

Moreno Osório, doutorando em comunicação e autor da newsletter e do site Farol Jornalismo destacou alguns pontos do relatório do Pew Research que merecem atenção:

  • Nos sites de notícia, a audiência oriunda de mobile segue crescendo, mas quem acessa pelo desktop tem um tempo de permanência maior;
  • Consolidação da web social, com o Facebook como porta de entrada de notícias para mais de 50% dos entrevistados;
  • A importância das TVs locais: crescimento de 3% de audiência nos telejornais noturnos e 2% nos matutinos;
  • Queda na audiência das TVs a cabo: 8% nos principais canais;
  • O (re)nascimento dos podcasts. Só os programas da NPR tiveram aumento de 41% nos downloads em um ano;
  • O faturamento da mídia impressa segue caindo: 4%;
  • Já o faturamento das mídias digitais subiu, em média, 18%, sendo que 37% do total vêm do mobile (eram 25% ano passado);

A reinvenção da imprensa

A média de circulação dos jornais nos dias úteis, somando edições impressa e digital, caiu mais de 7% em 2015, o maior declínio em cinco anos. Ainda que a circulação digital tenha subido ligeiramente (2% em dia de semana), ela continua responsável por apenas 22% da circulação total.

Afora isso, o relatório da Pew Research alerta que o modelo de assinaturas digitais e o aumento de tráfego ainda não se traduziram em soluções financeiras. Em 2015, a receita total de publicidade entre as empresas de capital aberto diminuiu cerca de 8%, incluindo as perdas não apenas em na versão impressa, mas também digital. Desde 2005 a queda é livre: há dez anos o faturamento era de US$ 47,4 bilhões, hoje é de US$ 16,4 bilhões.

Se, por um lado, os jornais vão de mal a pior, a TV, outra mídia tradicional, está um pouco mais segura. Ainda que enfrentem desafios, os três setores de notícia baseados na televisão dos Estados Unidos, TV a Cabo, Redes de TV e TVs locais, têm se beneficiado do fato de que os anunciantes continuam atraídos pela caixa quadrada no meio da sala. Para este ano, por exemplo, é esperado que a receita de retransmissão chegue a US $ 6,3 bilhões em 2015, cinco vezes maior que a de 2010. O relatório pontua que ainda que esteja relativamente melhor que o jornal, a TV sofre do mesmo mal: poucos incentivos financeiros para inovar de imediato.

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Tecnologia: amiga ou inimiga da notícia?

A Pew Research ressalta que não é de hoje que se sabe que os investimentos no digital não necessariamente vão parar nas empresas de notícias. Há dinheiro na web: o total de gastos com publicidade digital cresceu mais 20% em 2015 para cerca de US$ 60 bilhões, uma taxa de crescimento mais elevada do que em 2013 e 2014. Mas as organizações de jornalismo não têm sido os principais beneficiários. Na verdade, em comparação com o ano anterior, há ainda mais fatias do bolo das receitas de anúncios digitais, 65% para ser mais específico, sendo engolida por cinco empresas de tecnologia, nenhuma delas de jornalismo: Facebook, Google, Yahoo, Twitter e AOL.

O faturamento de publicidade nas mídias digitais subiu 18% de 2013 para 2014. Em números absolutos, passou de US$ 43,1 bilhões para US$ 50,7 bilhões. Dentro desse universo, chama a atenção o salto do montante gasto em mobile: de US$ 10,7 bilhões gastos em 2013 para US$ 19 bilhões em 2014, um aumento de 78%. A publicidade em mobile totaliza 37% do investido no digital. Antes era 25%.

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Cada vez mais, os dados sugerem que o impacto que estas empresas estão tendo sobre o negócio do jornalismo vai muito além do lado financeiro, transformando elementos-chave da indústria de notícias em si. Na era pré-digital, as organizações de jornalismo controlavam os produtos de notícias e serviços do início ao fim, incluindo escrita e produção, embalagem e entrega, experiência do público e seleção editorial. Com o tempo, as empresas de tecnologia tomaram algum desses papéis, suplantando as escolhas e objetivos dessas empresas notícias com suas próprias escolhas e objetivos, incluindo os algoritmos do Facebook, por exemplo.

Nem tudo são más notícias quando se trata de tecnologia. Liderado pelo Serial, os podcasts vêm apresentando um crescimento constante nos últimos dois anos. Segundo o Pew, “avanços na tecnologia— em particular, o rápido crescimento no uso de smartphones e de aparelhos mobile e a facilidade de escutar no carro— contribuíram para um ligeiro aumento no interesse por podcasts. No Brasil, eles já existem, mas aos poucos estão se popularizando, seguindo outras tendências nas comunicações.

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