Giulia, a tecnologia assistiva que dá o poder da comunicação aos surdos
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Inovação > Comunicação

Giulia: a invenção que dá o poder da comunicação aos surdos

Pedro Katchborian em 19 de agosto de 2016

Há 25 anos, uma visita ao hospital fez a vida de Manuel Cardoso mudar para sempre. Ao acompanhar o caso de um paciente que só movia os olhos, o professor teve a ideia de investir em tecnologia assistiva. Dedicou-se anos para criar o mouse ocular, um aparelho que dava comunicação para pessoas que não tinham o movimento do corpo. Bem-sucedido, o projeto fez Manuel investir na tecnologia assistiva durante décadas. Há cerca de dois anos e meio, ele começou um novo projeto: o Giulia, um bracelete capaz de traduzir a linguagem de Libras.

Desenvolvido por Manuel e sua empresa, a Map Technology, o Giulia consiste em um aplicativo de celular e uma braçadeira. Utilizando inteligência artificial, o equipamento conta com sensores que captam os sinais da musculatura pouco abaixo do cotovelo. Em conjunto com o app, o Giulia é capaz de identificar a linguagem de Libras feitas com as mãos, utilizada por surdos no Brasil, que é então traduzida em uma voz eletrônica, sendo uma ponte de comunicação entre o deficiente auditivo e o ouvinte.

Manuel conta como o aparelho pode ajudar os surdos. “Eles chegam a pagar 150 reais a hora para ter um tradutor de Libras”, comenta.

O pior para eles é para ir ao hospital. Como eles vão dizer o que estão sentindo para o médico? Ou quando um surdo é assaltado, ele nem vai fazer o BO, por que não tem como se comunicar.

O processo de desenvolvimento da tecnologia assistiva começou há mais de um ano e recentemente passou por um teste beta com 100 pessoas. “A maioria gostou, principalmente os familiares. É uma forma do parente ser mais independente”, comenta Marcel Cunha, um dos engenheiros envolvidos no projeto.

Manuel conta que trabalhou com a comunidade de surdos para a realização da tecnologia assistiva. “Não tem como você fazer algo para alguém sem esse alguém”, conta.

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Já Marcel explica que o Giulia ainda não está pronto para a comunicação aberta. “Está dividido por ambientes. Por exemplo, em restaurantes, há um conjunto de sinais que ele pode fazer. Atualmente, existem 180 sinais, mas planejamos inserir mais até o final do ano e outros no ano que vem”, comenta.

O nome Giulia tem uma curiosa história por trás. Giulia era o nome de uma menina com paralisia cerebral que Manuel conheceu há alguns anos e acabou falecendo mais recentemente. Ela foi uma das pessoas que utilizou o mouse assistivo. Ele conta mais sobre a homenagem: “A Giulia conseguiu comunicar coisas sem ter dito uma palavra. Como nossa intenção é parecida, achei bem interessante e ficou como homenagem”.

A tecnologia assistiva além das Libras

Após o feedback do teste beta, Manuel e sua equipe trouxeram outras funções para o bracelete. Uma delas é a função alarme, que vibra no horário determinado pelo deficiente auditivo. A tecnologia assistiva também atua como babá eletrônica. Como uma mãe surda vai identificar se o bebê está chorando? O aparelho é capaz de identificar o som e vibrar caso a criança emita algum barulho”, explica Marcel. Depois do teste beta, o Giulia deve ficar pronto para ser vendido muito em breve.

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