Mapa mostra onde o terrorismo destruiu o patrimônio histórico
patrimônio histórico
Foto: Istock/Getty Images
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Projeto mapeia locais onde o patrimônio histórico foi destruído pelo terrorismo

Camila Luz em 9 de setembro de 2016

Ataques terroristas ocorridos no Oriente Médio e na região norte da África não estão aniquilando apenas vidas e bens pessoais. O patrimônio histórico da humanidade está sendo saqueado e destruído. Para mapear relíquias culturais danificadas e evitar novas perdas, foi criado o projeto The Antiquities Coalition.

O Estado Islâmico (ISIS) e outros grupos terroristas já demoliram artefatos milenares do Museu de Mosul, no Iraque, um templo inteiro em Palmyria, na Síria, e outros sítios religiosos e culturais. Além de causar destruição, essas organizações ainda roubam objetos para vendê-los e angariar fundos.

antes e depois da destruição do museu no Iraque

Antes e depois do Museu Mosul no Iraque. Foto: Reprodução/The Antiquities Coalition

Para combater essas ações, a The Antiquities Coalition convocou ativistas para criar a “Culture Under Threat Task Force”. A força tarefa mapeia lugares que já foram destruídos e que podem vir a sofrer ataques no futuro. Outro objetivo é desencorajar o comércio de artefatos roubados, o que poderá evitar futuros furtos e acabar com a fonte de renda adquirida a partir desses crimes.

Em 2016, segundo o site Fast Company, os Estados Unidos promulgaram a “Lei Internacional da Propriedade Cultural”, para proteger e preservar patrimônios históricos. Debora Lehr, presidente da The Antiquities Coalition, disse ao portal que isso irá restringir as importações de artefatos sírios ao mercado do país, que “deixará de ser destino de antiguidades saqueadas em conflitos”.

A “Culture Under Task Force” criou um instrumento interativo para identificar o que o terrorismo vem destruindo em termos de relíquias culturais: um mapa.

Mapear as perdas de patrimônio histórico

O “Culture Under Threat Smart M.App”, feito em parceria com a empresa Hexagon Geospatial, mostra imagens de satélite da região. Todos os incidentes relatados estão listados no mapa, que também revela áreas de risco e todos os locais onde há patrimônios históricos.

A busca pode ser filtrada por data, grupo suspeito responsável, tipo de incidente, local de ocorrência e assim por diante.

mapa com pins onde há patrimônios destruidos

Mapa com alguns dos pontos de incidentes já registrados. Foto: Reprodução/Site

Em “Terror Controlled”, por exemplo, é possível visualizar áreas que estão sob controle direto de grupos terroristas, ou que estão sendo ameaçadas por regiões ocupadas.  Já em “Heritage Sites” há o mapeamento completo de todos os locais declarados pela UNESCO como Patrimônio Histórico Mundial na região, além de outros sítios culturais.

As fontes de informação também são listadas no mapa, que é interativo e colaborativo. Os dados surgem das mais varias origens, como redes sociais, grupos acadêmicos, veículos de notícias e pessoas afetadas pelos ataques.

O mapa tem revelado algumas surpresas. Anteriormente, acreditava-se que grupos terroristas não realizavam ataques às sextas-feiras, um dia sagrado para os muçulmanos. A linha do tempo interativa prova que isso não é verdade.

O mapa também é uma ferramenta para prever localizações e datas de futuros ataques. “Você pode ver tendências passadas para antecipar resultados futuros por meio da linha do tempo, que mostra eventos/incidentes e o movimento associado a eles em toda uma cidade ou região”, disse Mladen Stojic, presidente da Hexagon Geospatil, para  Fast Company.

Por que é preciso preservar e defender o patrimônio histórico

Para Deborah Lehr, crimes culturais significam mais do que uma simples destruição de propriedade.

A destruição e pilhagem do patrimônio histórico são reconhecidas como crimes de guerra. O saqueamento representa importante fonte de financiamento de atividades terroristas.

Mas há outra consequência preocupante e que afeta gerações futuras: a perda permanente da história. Quando sítios históricos são destruídos, informações sobre a cultura de um povo também são. “A destruição de sítios culturais é usada para intimidar diversos povos do Oriente Médio, principalmente minorias religiosas e étnicas”, diz Deborah.

A aniquilação de monumentos históricos está ligada à limpeza étnica e ao genocídio. Segundo o site do projeto, os sítios culturais presentes no Oriente Médio e na região norte da África cobrem mais de 10.000 anos de história e dezenas de culturas e religiões que representam o nascimento da civilização e as raízes da sociedade como a conhecemos hoje.

Leia mais: Imagens 3D ajudam a recriar monumentos históricos perdidos

Os locais mapeados pela UNESCO representam apenas uma fração de todos os sítios existentes. A Universidade de Oxford, na Inglaterra, estima que existam entre três e cinco milhões de sítios arqueológicos espalhados pela região.

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