Neen o movimento pós-internet da arte digital
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Miltos Manetas em seu estúdio: Foto: Divulgação
Inovação > Comunicação

Neen, o movimento “pós-internet” da arte digital

Redação em 19 de abril de 2016

Nos anos 2000, enquanto você usava internet discada, entrava no chat do UOL e ainda nem tinha conta no Orkut, um pessoal já discutia movimentos artísticos “pós-internet”. Um deles foi o Neen, criado por Miltos Manetas, artista grego que vive em Bogotá, na Colômbia.

Cada peça de arte tem sua URL própria. É como se o endereço fosse a moldura e a tela do conteúdo a arte em si. Outros artistas, como o holandês Rafael Rozendaal, aderiram ao movimento vendendo as páginas como se fossem quadros. O dono do site é o proprietário da arte. E a internet é uma grande galeria.

Manetas já até criou um site específico para chamar de galeria. É a whitneybiennial.com, um espaço virtual onde ele exibe diferentes artes digitais em forma de animação, som ou apenas figuras estáticas. O site é uma provocação à Bienal de Whitney, uma das principais exposições sobre arte contemporânea nos EUA. A diferença entre o site da Bienal e o de Manetas é que a original é “.org” e a do artista é “.com”.

A origem do movimento

Antes de lançar o movimento, Manetas já trabalhava com softwares e internet na sua produção artística. Tentava colocar tudo sob a unidade de um movimento. Procurava um nome que “não fosse exclusivamente sobre tecnologia na arte, mas mais sobre o estilo, sobre a escapada psicológica”, disse ao site Salon. Chegou ao Neen.

O artista diz que tirou o nome da palavra “Screen” (tela, em inglês). Em grego, Neen significa “exatamente agora” e, para Manetas, representa o presente absoluto. Apesar de tudo parecer apenas nonsense, há uma proposta e um pensamento complexo por trás do movimento. “Temos dois tipos de vida hoje – uma real e uma simulada. Queria dar um nome a essa psicologia”, comentou.

Mão desenha sobre papel animado

Imagem: Reprodução

O movimento foi lançado na Galeria Gagosian, em Nova York no ano 2000. Os artistas do Neen pensam em intervenções na internet. Elas podem ser animações em flash, como essa com infinitos “obrigados” a Andy Warhol, importante artista da pop art; ou essa, com uma sobreposição estranha de vozes femininas dizendo “don’t call me elephant” (“não me chame de elefante”, em português).

O manifesto Neen da arte digital

No manifesto do movimento, Manetas diz que Neen é dos “neensters”, uma geração indefinida de artistas visuais. “Alguns deles pertencem ao mundo da arte contemporânea, enquanto outros são criadores de softwares, web designers e diretores de videogames e animações”, diz.

Nossas teorias oficiais sobre a realidade, como a física quântica, provaram que o gosto da nossa vida é o gosto da simulação.

Segundo o manifesto, as máquinas nos ajudam a nos sentirmos confortáveis com essa condição porque elas “simulam o que chamamos de natureza”. Para o Neen, abrir a porta de sua casa ou uma pasta em seu computador te levará a destinos parecidos. “Essas duas dimensões da realidade parecem perfeitas e densas, mas começarão a dissolver depois que você as analisar”, diz.

Arte do Miltos Manetas

Foto: reprodução

E para dissolver a relação entre a realidade virtual e a que vivemos, a arte deve dialogar com a computação. Por isso, “a computação é para o Neen o que a fantasia foi para o surrealismo e o que a liberdade foi para o comunismo”, diz o texto.

Você pode conhecer mais o movimento e sentir a proposta passeando pelas artes digitais do Neen. Entre no site deles e comente o que você achou das obras.

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