Os robôs estão chegando ao jornalismo; o que pode mudar?
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Os robôs estão chegando ao jornalismo; o que pode mudar?

Kaluan Bernardo em 30 de janeiro de 2017

As histórias das Olímpiadas do Rio de Janeiro chegaram a nós graças ao trabalho de vários jornalistas, mas alguns deles não eram humanos. O Washington Post, um dos mais importantes jornais do mundo, controlado por Jeff Bezos (dono da Amazon), utilizou robôs para escreverem algumas das notícias sobre os jogos.

Claro, eles não fizeram as melhores reportagens dos jogos, denunciando crises ou abordando o psicológico dos atletas. Fizeram apenas pequenos e objetivos relatos sobre pontuações, medalhas e outras informações baseadas em dados.

“Nós não queremos substituir os repórteres. Queremos libertá-los”, comenta Jeremy Gilbert, que cuida dos projetos digitais do jornal, ao site ReCode. Mas como os robôs têm sido usados no jornalismo?

Como os robôs têm sido usados no jornalismo

A Associated Press, uma das maiores agências de notícias do mundo, também trabalha com robôs jornalistas. Ela usa um software chamado Worldsmith, desenvolvido pela empresa Automated Insights. Os algoritmos prometem fazer, em segundos, relatórios econômicos sobre 4 mil empresas, enquanto um grupo de humanos faziam de quase 400 companhias no mesmo tempo.

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O jornal The New York Times produz notícias criadas por algoritmos matemáticos que analisam até decisões de treinadores de baseball; o Le Monde cobriu as eleições francês com robôs; o Los  Angeles Times publicou em março de 2014 a primeira matéria feita exclusivamente por um robô, que noticiava um terremoto.

Os textos feitos por robôs são aceitos pelos leitores. Um estudo feito por professores da Universidade de Munique Ludwig-Maximillians mostrou que, enquanto os leitores achavam os textos humanos mais bem escritos, eles confiavam mais nos feitos por máquinas.

Os robôs também podem fazer histórias diferentes para cada tipo de leitor. É possível configurar os algoritmos para que eles relatem o resultado de um jogo de forma diferente para o leitor que torcia pelo time vencedor e para o que torcia para o perdedor. Uma análise econômica do desempenho de empresas pode trazer algumas informações extra que dialoguem com as companhias que estão no portfólio de determinado investidor e assim por diante.

Mas os robôs podem tomar os lugares dos humanos?

Kris Hammond, da Narrative Science, uma empresa que oferece serviços de notícias escritas por algoritmos, diz ao jornal The Guardian que “um dia um robô vencerá um Pulitzer”. Sua empresa garante que as máquinas “podem contar as histórias escondidas nos dados”.

Hammond acredita também que os robôs poderão significar a personalização das notícias em um nível que hoje é impossível. “Acredito que no futuro uma máquina não só vencerá [um Pulitzer] pelo seu texto escrito, mas também por cobrir assuntos importantes com cinco artigos de qualidade e mais 500 mil versões diferentes para as pessoas”, comenta ao Guardian.

No entanto, muitos ainda olham de forma mais modesta para a chegada dos robôs ao jornalismo. Por enquanto, o que se espera deles é que façam a parte chata e burocrática, liberando os repórteres para poderem contar boas histórias e fazerem análises complexas, tarefa que as máquinas ainda não são capazes de executar.

“Alguns meios receberam críticas por não fazer jornalismo em profundidade suficiente. Esses programas vão liberá-los”, afirma Arden Manning, porta-voz da Yseop, uma empresa que desenvolve robôs escritores, em entrevista ao jornal El País.

Ken Doctor, um analista que estuda a indústria das notícias, acha que o futuro será de colaboração ainda maior entre humanos e máquinas. “O jornalismo está se tornando um trabalho mais sofisticado. Simplesmente aparecer, no sentido de Woody Allen – conseguir ler um comunicado de imprensa ou uma entrevista de uma única pessoa, e escrever uma história que é compreensível em 750 palavras – isso não será suficiente. A parte otimista é que usaremos computadores para fazer o trabalho básico de organizar fatos, e o julgamento, análise, interpretação e a experiência serão garantidos pelos humanos”, comenta em entrevista à NY Mag.

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