A educação a distância evolui no Brasil, mas como chegamos até aqui?
Modern study technology concept
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A educação a distância evolui rápido no Brasil, mas como chegamos até aqui?

Kaluan Bernardo em 8 de outubro de 2016

Em 2015, pouco mais de 8 milhões de alunos se matricularam no ensino superior no Brasil. Desses, quase 1,4 milhão (17,4%) se inscreveram no ensino a distância. O resultado é do Censo 2015, publicado pelo Inep. Ele revela que, enquanto o número de matrículas  no EaD cresceu 3,9% em relação a 2014; o de inscrições nos cursos presenciais avançou 2,3%.

Apesar de o número de matrículas crescer, o número de alunos que, de fato, entram para fazer o curso, diminuiu. Nesse caso, a queda também foi maior nos presenciais, que perderam 6,6% de alunos em relação a 2014, enquanto nos EaD a redução foi de 4,6%.

O fato é que os cursos de educação a distância no Brasil ocupam uma fatia cada vez maior pelo ensino superior. Veja o crescimento nos gráficos abaixo:

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Por que os cursos de educação a distância crescem no Brasil

Parte do sucesso dos cursos de educação a distância no Brasil se devem ao acesso atrasado que os cidadãos tiveram à universidade. “O Brasil é um dos países com maior carência de ensino superior na América Latina. Estamos na frente apenas do Haiti”, diz João Vianney, doutor em Ciências Humanas, criador do Blog do Enem, e sócio consultor de educação a distância do Hoper Group, uma empresa voltada a inovação educacional.

“Nossas universidades foram mais tardias. A primeira foi a USP, em 1930”, comenta. “Quando vem o EaD, com preços acessíveis, você tem uma adesão em massa de populações que não tinham como entrar nas públicas e não tinham condição financeira ou de tempo para pagar uma privada”, diz.

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Segundo João, a mensalidade média dos cursos a distância no Brasil são de US$ 100 — fazendo com que o EaD se torne uma alternativa viável a muitos.

O consultor diz que o país viveu quatro momentos do EaD. Entre 1995 e 2000, o desafio era dominar a modalidade. Foi necessário criar mestrados e doutorados para que os professores se capacitassem a esse tipo de educação. “Vivemos um ciclo de aprendizado. Na época, o EaD não estava orientado ao mercado”, diz.

Já de 2001 a 2005, o EaD passou a servir principalmente para formar professores de educação básica. A maioria dos alunos eram mulheres fazendo cursos de licenciatura para darem aula no ensino básico. Esse período coincide com uma expansão das universidades privadas usando EaD via satélite com cursos semipresenciais.

Entre 2005 e 2010, entramos no ciclo dos bacharelados. O foco vai além da licenciatura e entram cursos de administração, ciências contábeis, jornalismo etc.

“É aí que começa a mudar o perfil de estudantes de EaD e começam a entrar os profissionais liberais”, diz. Além disso, o curso deixava de ser oferecido via satélite e passa a ser transmitido pela internet.

Já de 2010 para cá, temos uma outra virada, com os cursos tecnólogos. “Os alunos passaram a ficar mais jovens e ter acesso mais rápido ao mercado. Até 2010, o EaD atraía o trabalhador que foi estudar. De 2010 para cá, tivemos um estudante que trabalha”, explica.

João acredita que parte da sociedade ainda tenha preconceito contra o ensino a distância. Mas que não há base para isso. “Basta conferir a nota da instituição no Enade. A prova aplicada ao presencial e ao ensino a distância é a mesma”, comenta.

No fundo, defende João, cada aluno aprenderá da forma que funcionar melhor para ele. Ele diz:

A aprendizagem não depende necessariamente da participação, ela é individual e cada um tem seu processo.

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