Alex Bretas e a busca por educação inovadora
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Foto: arquivo pessoal
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Alex Bretas e a busca por educação inovadora

Kaluan Bernardo em 22 de abril de 2016

“Por que na universidade, no trabalho, nas escolas e na pós-graduação ainda nos ensinam o que não temos o desejo de aprender?”, questionava o mineiro Alex Bretas em 2014, quando começava a investigar projetos de educação inovadora.

Formado em Administração Pública, ele se mudou para São Paulo para aprender sobre o aprender. Queria estudar iniciativas inovadoras de educação que desafiavam as estruturas clássicas de ensino e aprendizagem. Nascia o Educação Fora da Caixa.

Inicialmente, o caminho para a pesquisa seria um mestrado clássico, em universidade, com orientador, e dissertação no fim do caminho. Mas, aos 45 minutos do segundo tempo, percebeu que não fazia sentido. Se ele queria estudar educação inovadora, seu processo também deveria ser diferente.

Foi quando conheceu o conceito de “doutorado informal“, apresentado por seu amigo André Gravatá. Como o nome sugere, a ideia é uma pesquisa longa e científica, sem as amarras da academia. Falamos mais sobre isso aqui.

Um dos pressupostos de um doutorado informal, diz Alex, é você se comprometer publicamente com algo. Por isso, em 2014, ele lançou uma campanha de crowdfunding pedindo R$ 15 mil para apoiar sua pesquisa. Em troca, fez uma livro chamado Educação Fora da Caixa, compartilhando o conhecimento conquistado no processo. Dois anos depois, em março de 2016, a obra finalmente nasceu.

O livro está disponível gratuitamente na internet. Mas ele é só uma parte da jornada de aprendizado proposta por Alex Bretas. Recentemente, ele lançou outra obra, também gratuita na web, compartilhando sua experiência sobre o conceito de doutorado informal.

A pesquisa não acabou. Inclusive, a ideia de doutorado informal diz que seu trabalho nunca acaba. Por isso, está sempre em evolução. E é por isso que Alex continua a compartilhar conhecimentos sobre educação em seu blog.

Logo do Educação Fora da Caixa

Foto: Divulgação

Educação inovadora na prática

Quando Alex decidiu que sua pesquisa seguiria o formato de doutorado informal, logo começou a pensar em quais seriam os princípios que deveriam nortear esse tipo de estudo. Chegou em cinco, que apelidou de CAPES: curiosidade, autonomia, percurso, entrega e sabedoria.

Sobre o percurso, ele diz que se trata de começar a desbravar um caminho sem saber para onde irá. “É diferente de um curso, onde você se matrícula e o conteúdo já foi definido previamente. Propomos o percurso, onde a pessoa vai descobrindo o conhecimento ao longo do processo”, conta. “Até etimologicamente faz sentido: ‘curso’ é o caminho, enquanto ‘per’ significa completo. A ideia é que a pessoa faça o trajeto por completo”, diz.

Uma das surpresas que veio no meio do percurso foi a comunidade que se formou em torno do tema após o lançamento do projeto. “Criamos uma rede. Descobri que o crowdfunding é muito mais do que arrecadação de dinheiro, é uma possibilidade impressionante de formar rede”, diz.

A aproximação da rede foi intensa a ponto de, mais tarde, Alex conseguir criar outra campanha de crowdfunding, desta vez recorrente – aquela que as pessoas ajudam todos os meses.
No auge de sua pesquisa, ele contava quase R$ 1.400 mensais de seus apoiadores.

Alex também passou a criar encontros entre os interessados no tema, principalmente em São Paulo e Belo Horizonte. Percebeu que, apesar de a internet conectar pessoas, quando o assunto é educação, o olho no olho é fundamental.

Foi num desses encontros e investigações pessoais que Alex foi estudar a UnCollege, movimento que quer hackear a educação ajudando o aluno a se encontrar e desbravar seu próprio caminho de aprendizado. Falamos mais sobre eles aqui.

Acompanhado o UnCollege, Alex acabou se tornando sócio. O espaço passou a funcionar, também, como um laboratório para colocar em prática tudo o que ele aprendeu com as iniciativas de educação inovadora.

As tentativas de criar educação fora da caixa já dão frutos. Alex acaba de criar, dentro do UnCollege, o programa Desaprender, iniciado em abril de 2016, e voltado para quem quer educação livre e em comunidade. O sistema também não tem amarras. A ideia é simples: unir quem quer aprender a pessoas interessantes e inspiradoras, que poderão ajudar a desbravar os caminhos. Os resultados vêm com o processo. É tudo desaprendizado para criar um nova educação.

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