As crianças devem aprender a programar?
crianças devem aprender a programar
Foto: Istock/Getty Images
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As crianças devem aprender a programar?

Pedro Katchborian em 13 de julho de 2016

Em junho de 2016, o Google apresentou o Project Bloks, uma iniciativa que tem como objetivo ensinar a programação para crianças. Em março de 2016, foi a vez do robô Root ganhar os noticiários como uma alternativa para os pequenos entraram no mundo da computação. Em um ecossistema em que existem várias plataformas de fácil acesso, as crianças devem mesmo aprender a programar? Qual é a importância de ensinar a ciência da computação?

Para Elizabeth Fantauzzi, professora e consultora de tecnologia na área de educação, a programação pode ser introduzida desde cedo, mas de maneira que faça sentido para criança:

Não acredito que a linguagem de programação deva ser ensinada como disciplina no colégio, mas sim estar presente de forma mais fluída em outras disciplinas.

Para Elizabeth, crianças pequenas podem começar aprender a programar sem estar no computador, utilizando o papel, para que o raciocínio lógico esteja mais treinado para o momento em que forem para o computador. “O papel proporciona uma compreensão maior, já que não dá para ir somente por tentativa e erro”, explica.

Lançado recentemente, o Project Bloks é um projeto de pesquisa. Segundo o site do Google, a ideia é ajudar a desenvolver o pensamento na computação por meio de experiências com brincadeiras colaborativas.

O projeto do Google é apenas um dos vários que tentam motivar as crianças sobre o tema. Um exemplo é o Root, um robô criado pelo Wyss Institute na Universidade de Harvard. Diferente de outros gadgets destinados a programação por crianças, o Root pretende engajá-las por um longo tempo com o equipamento. Segundo estudos feitos pelos pesquisadores da plataforma, as crianças são muito boas com os brinquedos, mas acabam perdendo o interesse rapidamente.

root robot board game from Zivthan Dubrovsky on Vimeo.

Outro exemplo é Carlos Bueno. Além de programador do Facebook, Carlos criou um livro para crianças nada convencional. A obra, nomeada de “Lauren Ipsum”, é um conto de fadas que busca introduzir crianças de 5 a 12 anos na computação. “Eu quis criar um livro não sobre aprender a programar, mas como pensar como um programador”, diz a Wired.

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Todos essas iniciativas se juntam a várias outras que buscam desenvolver novos programadores. Alguns exemplos são a CODE, Programaê, Scratch, Code Academy e Khan Academy. Mesmo que não sejam voltados ao público infantil, os projetos colaboram nessa democratização do aprendizado da programação.

Elizabeth aprova esses movimentos, mas ressalta que acha que eles devem ser preparatórios para projetos interdisciplinares, programas de iniciação científica ou algo que se aproxime disso e não introduzidos de maneira aleatória. “Os alunos devem experimentar a programação em uma ação concreta, a partir de algo que lhes interesse”, explica. “Ou a partir do levantamento de necessidades e demandas atuais, como situações do cotidiano, problemas sociais, sustentabilidade, mobilidade”, afirma. Para a professora, a programação não pode ser descolada do que vivemos atualmente.

Aprender a programar de maneira natural

Tanto o Google como o Root buscam incentivar a programação de uma maneira natural e que incentive o pensamento lógico, sem que seja algo necessariamente relacionado a computação em si.

É recomendável introduzir a programação como algo natural, que faça parte da nossa forma de pensar, onde os alunos possam compreender que independente da idade, gênero ou escolaridade, qualquer um possa ter essa experiência.

A professora ainda afirma que o aprendizado da programação pode trazer benefícios que o ensino tradicional não oferece. “Saber programar — e não apenas conhecer programação — pode permitir que os alunos sejam mais autônomos na apropriação e uso dos equipamentos eletrônicos, possibilitando serem muito mais produtores de tecnologia e menos usuários dela, pois boa parte que nos rodeia, implica em tecnologia ou algo que dependa dela”, diz. “Neste sentido, a linguagem de programação traz uma oportunidade de pensamento diferenciada, o que muitas vezes a aprendizagem tradicional não alcança”, conclui.

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