Educação alternativa: escola de Berlim quer jovens autoconfiantes
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Educação alternativa: escola de Berlim quer jovens autoconfiantes e motivados

Camila Luz em 25 de julho de 2016

Na Alemanha, alunos da Escola Evangélica Centro de Berlim não têm horários, notas e nem planos de estudo definidos. São os próprios estudantes que decidem em quais matérias querem se aprofundar. O colégio investe na educação alternativa, com o objetivo de formar jovens autoconfiantes e motivados.

O sistema educacional da Escola Evangélica Centro de Berlim inverte os princípios básicos da educação tradicional. As matérias indicadas são apenas quatro: matemática, inglês, alemão e estudos sociais. A grade é complementada por cursos mais abstratos, como “responsabilidade” e “desafio”. Nesta última, cada aluno recebe €150 (cerca de R$ 525 na cotação atual) para viver uma aventura totalmente planejada por ele mesmo, como trabalhar em uma fazenda ou fazer caminhadas pela costa sul da Inglaterra.

A filosofia por trás dessas inovações é simples: os requisitos do mercado de trabalho estão mudando. Internet e tecnologia estão alterando a forma como jovens processam informações e transformando as relações de trabalho. Para a reitora do colégio, Margret Rasfeld, a habilidade mais importante que uma escola pode passar para seus alunos hoje é a capacidade de estar motivado.

“Reinventar o que uma escola é”

Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Margret disse que a educação alternativa pretende simplesmente “reinventar o que uma escola é”.

A missão de uma escola progressiva deve ser preparar jovens para lidar com a mudança, ou melhor, torná-los ansiosos para mudar. No século 21, escolas devem desenvolver personalidades fortes como parte de seu trabalho.

Jovens desmotivados na escola podem levar essa frustração para o mercado de trabalho. Segundo Margret, o próprio sistema educacional impede que alunos desenvolvam suas habilidades pessoais. “Olhe para crianças de três ou quatro anos – elas são cheias de autoconfiança. Geralmente, crianças mal podem esperar para começar a escola. Mas, infelizmente, a maioria das escolas consegue, de alguma forma, minar essa confiança”, explica.

Para a educadora, fazer alunos ouvirem um professor falar por 45 minutos e obrigar que façam certos exercícios está fora de sincronia com as exigências do mundo moderno e é contraproducente. “Nada motiva mais um aluno do que descobrir o significado por trás de um assunto que ele mesmo gosta e escolheu”, argumenta.

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Alunos tem autonomia para escolherem quais assuntos querem aprender. Foto: Istock/Getty Images

Os alunos de sua escola são encorajados a pensar em outras maneiras de provar novas habilidades, como codificar um jogo de computador ao invés de fazer um exame de matemática. O estudante Anton Oberländer, por exemplo, afirma que aprendeu mais inglês durante um desafio de três semanas na cidade inglesa Cornwall do que em anos de aulas tradicionais.

O mesmo aluno é um exemplo do tipo de iniciativa e motivação que a escola pretende incentivar. Ele e seus amigos tinham pouco dinheiro para viajar até Cornwell. Decidiram então usar suas habilidades de comunicação para conseguir passagens gratuitas no sistema de trens da Alemanha. O gerente da empresa ficou tão impressionado com sua atitude que o convidou a dar um discurso motivacional para 200 de seus funcionários. Anton tem apenas 14 anos.

A Alemanha e a educação alternativa

Na Alemanha, cada um dos 16 estados planeja seu próprio sistema de ensino. Tradicionalmente, eles permitem modelos de aprendizagem livre. Mas diferente de outras instituições, a Escola Evangélica estimula a autodeterminação com um conjunto relativamente rígido de regras.

Alunos que não estejam rendendo o esperado precisam ir até a escola no sábado para tirar o atraso. De acordo com Margret, mais liberdade exige mais estrutura.

O colégio está ganhando boa reputação principalmente pelas ótimas notas obtidas por seus alunos entre os estudantes de Berlim que fazem parte da educação alternativa. Aberta em 2007 com apenas 16 alunos, opera hoje em plena capacidade, com 500 estudantes e longas listas de espera.

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