Estereótipos de gênero: aos 6 anos, meninas já não se acham brilhantes
esteriótipos de gênero
Foto: Istock/Getty Images
Inovação > Educação

Estereótipos de gênero: aos 6 anos, meninas já não se acham mais brilhantes

Camila Luz em 3 de fevereiro de 2017

Quem exerce tarefas brilhantes e inteligentes? Meninos ou meninas? Se essa pergunta for feita para uma garota de seis anos ou mais, ela provavelmente irá apontar para o sexo oposto. Um novo estudo mostra que os estereótipos de gênero começam a afetar o julgamento de meninas — e, por consequência, sua autoestima — aos seis anos.

É a partir dos seis anos que uma menina se torna menos propensa a acreditar que ela e outras garotas são “brilhantes”. Meninos, por outro lado, têm mais fé em seu próprio gênero e consideram que outros garotos também são inteligentes.

A conclusão foi publicada na revista Science em janeiro. O estudo, conduzido por pesquisadores dos Estados Unidos, incluiu mais de 400 crianças entre cinco e sete anos de idade.

Meninas esforçadas, meninas brilhantes

Em um primeiro teste, os pesquisadores contaram às crianças uma história sobre alguém que era “muito, muito inteligente”. “Tivemos muito cuidado em deixar de lado qualquer indício sobre o gênero da pessoa”, disse Lin Bian, psicóloga da University of Illinois (EUA), ao site da CNN.

LEIA MAIS
6 mulheres que revolucionaram a tecnologia que você precisa conhecer
LEIA MAIS
Plano de Menina: garotas empoderadas podem mudar a realidade e a economia

Depois, os pesquisadores pediram que as crianças adivinhassem quem era o protagonista da história. Aos cinco anos, meninos e meninas escolheram personagens dos mesmos gêneros que os seus. A partir dos seis anos, garotos escolheram meninos – mas meninas escolheram os garotos também.

“De repente, aos seis anos, meninas ficaram menos propensas do que meninos a fazer isso [escolher seu próprio gênero]”, disse Bian.

Em outro cenário, as crianças foram encarregadas de uma atividade que foi rotulada para “crianças muito, muito inteligentes”. Aos cinco anos, meninos e meninas apreciaram a tarefa igualmente. A partir dos seis anos, garotas perderam o interesse.

No entanto, em outra tarefa, as crianças tiveram de selecionar quem tirava melhores notas na escola, escolhendo entre duas meninas e dois meninos. Dessa vez, não houve diferença: garotas de todas as idades escolheram estudantes do gênero feminino. Para os pesquisadores, a percepção das meninas sobre desempenho escolar estava separada de sua percepção sobre brilhantismo.

O estrago feito pelos estereótipos de gênero

Segundo o estudo, crianças começam a absorver estereótipos de gênero desde muito pequenas — principalmente quando começam a frequentar a escola e a socializar.

“Quando entram na escola, em torno de cinco ou seis anos de idade, começam a ter maior exposição à mensagem cultural, e é quando aprendem uma grande quantidade de informações sobre o mundo social”, disse Bian. “Isso parece conduzir as meninas para longe do tipo de atividades voltadas para ‘crianças realmente inteligentes’”, completa.

A pesquisadora afirma que as crianças estão absorvendo os estereótipos de gênero a partir de múltiplas fontes, como professores, parentes, colegas e mídia. Mas Madeleine Portwook, psicóloga infantil no Reino Unido, acredita que isso também é resultado do desenvolvimento infantil.

“Estereótipos de gênero são evidentes aos seis anos. Meninos são mais propenso a dizer a todo mundo ‘eu sou inteligente’ ou ‘eu sou forte’ e requerem reafirmação constante”, disse, também à CNN. “Meninas são mais conciliadoras e têm a capacidade de enxergar a partir do ponto de vista do outro”, afirma.

A psicóloga também aponta que meninas são conduzidas a serem esforçadas e a atingirem méritos acadêmicos. No entanto, isso não é suficiente para que busquem carreiras que exigem habilidades mentais específicas, como física, engenharia e filosofia. Bian concorda e argumenta que mulheres continuam pouco representadas nessas profissões.

Para a pesquisadora, os estereótipos de gênero são absorvidos tão cedo que, quando as mulheres jovens estão em posição de tomar uma decisão sobre suas carreiras, suas mentes já estão condicionadas a escolher “profissões menos brilhantes”.

“Elas provavelmente não se consideram brilhantes”, diz. “E quando chegarem à idade adulta, será muito difícil convencê-las do contrário. Precisamos fazer algo desde cedo”, finaliza.

Gostou deste post? Que tal compartilhar:
ESCOLHA DO EDITOR
Últimos
Trend Tags
Array ( [0] => 205 [1] => 76 [2] => 12 [3] => 237 [4] => 97 [5] => 249 [6] => 222 [7] => 62 [8] => 157 [9] => 276 [10] => 259 [11] => 86 [12] => 267 [13] => 94 [14] => 68 [15] => 16 [16] => 167 [17] => 115 [18] => 186 [19] => 17 [20] => 102 [21] => 173 [22] => 238 [23] => 175 [24] => 92 )
Vídeos
Copyright © 2016 Free the Essence