Outras 7 frases inspiradoras do TEDxSão Paulo 2017 sobre Educação
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7 frases inspiradoras do TEDxSão Paulo Educação 2017

Rafael Nardini em 14 de agosto de 2017

O TEDxSãoPaulo trouxe para o palco montado no Allianz Parque, em São Paulo, histórias inspiradoras para ninguém botar defeito. Algumas delas, como a do educador Braz Nogueira mostram a capacidade brasileira de criar muito com pouco e de acreditar que as crianças de comunidades pobres são seres capazes de ser o que quiserem. Incluindo ótimos atores. O tema deste ano, não por acaso, foi “Educação”.

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Outras falas, como da atriz Taís Araújo, lembraram a enorme disparidade de condições entre crianças brancas e negras em nosso país. De maneira emocionada, Taís traçou um paralelo das durezas que seus filhos – João Vicente e Maria Antônia – vão enfrentar nos anos que seguem. Ainda assim, a atriz deu mostras de como não arrefecer e de como tentar inspirar os filhos a buscarem a liberdade que o Brasil historicamente nega aos que nascem com a pele negra. Isso e muito mais você acompanha nas próximas linhas.

7 destaques do TEDxSãoPaulo Educação

“Não ouso perder a esperança e fico elaborando uma maneira de criar meus filhos no meu país. Como criar crianças doces num país tão ácido”

Taís Araújo

A atriz, a primeira a interpretar uma protagonista negra em uma novela, falou sobre as dificuldades que prevê para seus filhos João Vicente, 6 anos, e Maria Antônia, 3 anos e 7 meses, independente da criação e das possibilidades que eles tenham em sua casa. Motivo: serem crianças negras nascidas no Brasil. “Com a Maria Antônia, me pego me perguntando o quanto nós mulheres somos criadas para agradar. Quando penso o risco que ela corre simplesmente por ter nascido mulher e negra fico apavorada”, contou.

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Taís aproveitou seu tempo para convidar todos para que passem a se ver como extensões uns dos outros, criando as mesmas condições para todas crianças, independentes de cor, sexo ou orientação sexual. “Perante a lei nós temos os mesmos direitos, mas na realidade não. As diferenças não são um problema desde que elas não causem desigualdades. Para isso acontecer, tenho a sensação de que precisamos olhar para o outro com humanidade, com afeto. E entender que o outro é uma extensão da gente”.

“O professor é aquele que oferece recursos para que o aluno aprenda com tudo, com todos, em todos os lugares e sempre”

Braz Nogueira

Uma escola sem muros. Esse é o sonho do professor e diretor de escola pública Braz Nogueira. Na escola pública Presidente Campos Salles, em Heliópolis, periferia paulistana, 12 salas de aula foram transformadas em quatro grandes salões. Com isso, o desafio passou a ser professores e alunos trabalhando em equipe. “Quando há dúvida, o professor vai até o aluno, não para dar respostas, mas para dar recursos para que o aluno descubra a resposta por si mesmo”.

O projeto inovador, no entanto, sofre com as médias do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o IDEB. Braz tem uma visão bem diferente sobre o exame nacional: “O IDEB não mede autonomia, responsabilidade e nem solidariedade. E estes são os princípios da escola”. Para o educador, a chave está na criatividade, não na padronização.

“Não existe mais a sua parte. É tudo junto e misturado. Todos precisam ser corresponsáveis pela aprendizagem”

Claudia Siqueira

Historiadora, pedagoga, consultora educacional e diretora do Instituto Sidarta. Lembrando das relações que precisam ser aprofundadas, Claudia Siqueira trouxe dados bastante significativos sobre o que classifica como “silenciamento dos alunos”. “Vocês sabiam que os professores falam, em média, 150 minutos durante uma situação de aula e que os alunos falam cinco, entre situações autorizadas ou não?”.

Para ela, se os professores quiserem se conectar efetivamente com os alunos devem usar cinco slides e falar até 10 minutos. “O poder de síntese é uma escolha. E vejam bem: Temos um estádio lotado aqui! Então, a síntese funciona!”

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“Nas ocupações das escolas, respeitamos todos os saberes”

Ana Clara Nunes

A estudante de 14 anos Ana Clara Nunes é símbolo de uma geração que participou ativamente do movimento de ocupações que varreu o Brasil, surgindo justamente no Paraná, terra natal dela. Pela suas falas, a estudante acabou selecionada pelo Projeto Transformar 2017. No palco do TEDxSão Paulo, a menina criticou a reforma do Ensino Médio, classificada por ela como uma tentativa de criar “mão de obra barata”.

“Eu, assim como a galera das ocupações, também não acho que o atual modelo dá certo. Mas a nossa ideia de dar certo é bem diferente: a gente acredita que dar certo é muito mais que arrumar um emprego, ganhar dinheiro para consumir sem parar e continuar sustentando as estruturas desse sistema. A gente espera que a educação, que a relação com o conhecimento, seja um meio para a gente descobrir sobre o mundo. Não para reproduzi-la, mas para participar conscientemente das transformações”, disse.

“Quem se preocupa com uma educação que ajude a pensar, a problematizar, que use das ciências para desconstruir preconceitos, está sofrendo repressão”, completou a jovem.

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“A palavra precisa ser intensa porque a vida é intensa”

Ana Holanda

Partindo do pressuposto que perdemos uma imensidão de histórias poderosas pelo simples medo de contá-las com o coração, a editora da revista Vida Simples explicou como a escrita afetuosa é capaz de conectar pessoas que estão distantes ou até que nunca se viram. “Costumo dizer que a escrita é com a piscina. Dá para colocar o dedo e sentir a temperatura da água, você pode ir até a beirada e mergulhar ou pode subir num trampolim e pular”, explicou.

Esse bloqueio, segundo ela, é a forma que encontramos para nos esconder dos temas e das sensações mais reais — boas ou dolorosas — que enfrentamos diariamente. E esse medo de viver as palavras faz que sejamos incapazes de entender a vida em seus pequenos grandes momentos. “As pessoas acreditam que só vão conseguir escrever um texto incrível quando forem para Santiago de Compostela, quando tirarem um ano sabático ou viajarem para a Ásia. O extraordinário está no ordinário, na vida que você leva todo dia. Por que a gente não conta essas histórias? Por que temos medo”.

“Interagir com o universo faz com que eu me sinta um ser humano mais completo”

Carlos (Kiko) Fairbain

Fairbain fotografa o universo. Ele se desloca até regiões livres de iluminação artificial para tirar fotos dos planetas, das estrelas e até da Via Láctea.

Cinco bilhões de pessoas no mundo não conseguem enxergar nada do cosmos por causa da poluição luminosa. Mas como ficar em contato com o céu se vivemos em grandes cidades? Fairbain deu duas dicas: participar dos eventos promovidos pelos clubes de astronomia, que disponibilizam telescópios em praças, ou viajar para regiões menos iluminadas para observar o céu. Ele afirma que há aplicativos de celular que indicam os astros. Basta olhar para cima e prestar atenção no infinito.

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“Queremos crianças inovadoras e que transformem a realidade, mas a educação continua sendo passiva”

Alessandro Marimpietri

O psicólogo e professor universitário criticou a medicalização infantil, um instrumento muito utilizado hoje para corrigir o comportamento da criança que não se encaixa na educação tradicional. Quando isso acontece, justifica-se que ela tem um desequilíbrio químico, como déficit de atenção, e precisa de remédios. Mas o palestrante questiona que talvez o problema esteja no próprio sistema de ensino, que forma alunos passivos e não dá espaço para autonomia ou criatividade.

Ele afirma que a infância é composta por uma série de experiências simbólicas que garantem o desenvolvimento da criança. Quando maior sua interação com o mundo, melhor. Portanto, a medicalização pode ser uma solução ruim para o paradoxo: como formar alunos inovadores e cheios de iniciativa?

O que é o TedXSão Paulo?

TED é uma organização sem fins lucrativos dedicada ao lema “ideias que merecem ser compartilhadas”. Começou há mais de 25 anos como uma conferência na Califórnia, e, desde então, o TED tem crescido para apoiar ideias que mudam o mundo por meio de múltiplas iniciativas. O TEDx é um programa de eventos locais que juntam pessoas para dividir uma experiência estilo TED: apresentações em vídeo e apresentadores ao vivo que se combinam para estimular grandes discussões e conexões.

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