Rute, o kit que quer democratizar a cultura maker nas escolas
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Foto: Reprodução/Rute
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Rute, o kit que quer democratizar a cultura maker nas escolas

Pedro Katchborian em 1 de agosto de 2016

Seis reais: com uma nota de cinco e alguns trocados é possível trazer a cultura maker para dentro das escolas. Esse é o preço estimado do Rute, um kit de eletrônica com vários módulos para introduzir as crianças no movimento maker que foi lançado em julho de 2016.

Idealizado por Ricardo Cavallini, fundador do Makers Brasil, plataforma de educação e inovação focada na prototipagem e desenvolvimento de produtos, o Rute se destaca pelo preço. É por meio dele que Cavallini espera ajudar na democratização desse acesso para quem não pode e promover uma iniciativa voltada para escolas públicas. Usando sucata eletrônica, o valor pode ser de R$ 6. Caso a pessoa prefira comprar novas peças, o preço também não é dos maiores: cerca de R$ 32.

Com o Rute, crianças e educadores podem trabalhar juntos para construir os mais variados equipamentos. Algumas das sugestões das atividades e equipamentos que podem ser feitos com o kit estão no site da iniciativa: a montagem de um equipamento que simula um semáforo, um sistema aditivo de cores e uma luva de sinalização para ciclistas, por exemplo.

Ricardo conta que a ideia de fazer um projeto social que democratizasse o acesso a cultura maker é antigo. “Sempre precisava de um parceiro e nunca achei um que estivesse na mesma direção”, explica. Agora, ele e outros amigos montaram o projeto sem a necessidade de uma empresa parceira.

A ideia do Rute se deu também pela falta de viabilidade de outros kits importados. Os preços podem variar de US$100 a US$300 por criança, sendo que o gasto para os kits para os colégios podem ultrapassar os US$ 2.000.

A introdução a cultura maker

O Rute não é vendido pronto: o kit foi idealizado para que pais e educadores montem os seus. No site, há de maneira detalhada quais são os módulos (led, intensidade, botão, campainha, vibração, etc) que devem ser comprados para a montagem, além de ensinar como fazer. Também há a indicação de onde as pessoas podem achar os elementos em sucata eletrônica, o que barateia ainda mais o custo do projeto.

Ricardo admite que é o fato da pessoa ter que montar o seu próprio é uma barreira, mas ele também vê um lado positivo. “Sabemos que não é o que as pessoas estão acostumadas hoje, mas também há os seus benefícios. Um deles é a entrada do conceito de faça-você-mesmo no próprio processo de montagem”, explica Ricardo. Para auxiliar nessa criação, o site do Rute destaca um passo a passo e mostra uma lista das peças que devem ser adquiridas para a montagem.

Cavallini conta que existe a intenção de que o kit possa ser vendido pronto em um futuro próximo. Há até a sugestão de que comunidades carentes produzam o kit e vendam como uma maneira de gerar renda local.

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Recente, o Rute teve uma ótima repercussão orgânica. Ricardo conta que há educadores em Estocolmo que irão usar os kits nos próximos eventos, além de professores de escola pública no Brasil que já montaram os seus e irão utilizar assim que as aulas voltarem. “Tem sido melhor do que a gente imaginava”, conta.

Ricardo destaca a importância de um kit desses de quatro maneiras. A primeira é como a cultura maker pode ajudar a criança a compreender o potencial que ela pode ter em relação a uma mudança no mundo. Ele diz:

Fomos induzidos a acreditar que você só pode mudar o mundo se for uma grande corporação. O kit pode fazer as crianças entenderem que elas podem mudar o planeta a nossa volta.

Além disso, o Rute é uma introdução a prototipagem, lógica e programação, seguindo uma tendência de aprendizagem nos últimos anos. Ricardo também destaca que um kit desses pode auxiliar no ensino de outras disciplinas. “O kit pode deixar a matemática, física ou educação física mais atrativa”, explica. Por último, a cultura maker pode aguçar algumas qualidades em gerenciamento de projeto e liderança, sendo utilizado até por adultos e empresas para o chamado team building.

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