Conheça o bem-sucedido sistema de educação na Finlândia
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Como é o sistema de educação na Finlândia

Pedro Katchborian em 21 de outubro de 2016

Quando se discute sobre educação, é comum citar a Finlândia como um dos modelos a serem seguidos. A educação na Finlândia é, de fato, uma das melhores do mundo. Afinal, o país costuma estar no topo do ranking do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), iniciativa da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico). A Finlândia já ocupou a primeira colocação algumas vezes, mas no último ranking divulgado, em 2012, o país nórdico ficou em 12º. Mesmo assim, continua sendo referência para os outros países. O que faz essa nação destoar das outras?

Veja as características da educação na Finlândia

Ensino primário, secundário e disciplinas

Assim como no Brasil e em diversos países, a educação na Finlândia é obrigatória, mas a partir dos 7 e até os 16 anos. A educação básica, equivalente ao ensino fundamental, vai do 1º até o 9º ano e é pública para quase toda a população. São poucas escolas privadas no país.

Foto: Istock/Getty Images

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Uma das características do ensino fundamental é o número de alunos: a maioria das salas tem poucos alunos, raramente ultrapassando os 20 estudantes. Entre as disciplinas dadas está o Finlandês e o Sueco (línguas oficiais da Finlândia) e mais duas línguas estrangeiras.

Em 2015, algumas notícias veiculadas pela imprensa davam conta de que a Finlândia ia acabar com as disciplinas tradicionais. Na verdade, o plano implementado em agosto de 2016 não eliminou nenhuma matéria, mas promoveu multidisciplinas. Isso significa que algumas matérias serão ensinadas juntas.

“Quando você ensina disciplinas separadas umas das outras — você ensina ciências, você ensina matemática, você ensina leitura, isso significa que há uma divisão entre esses conteúdos, quando na vida real, não há”, explica Lary Cuban, professor de educação na Stanford University, ao Washington Post. “Quando você está cultivando um jardim, você precisa saber muito de botânica, insetos, matemática e várias outras coisas”, exemplificou.

O Ministério da Educação da Finlândia divulgou um comunicado na época para explicar mais sobre essas mudanças:

“Com o objetivo de enfrentar os desafios do futuro, o foco está nas competências transversais (genéricas) e no trabalho entre disciplinas escolares. Serão enfatizadas práticas colaborativas em sala de aula, em que os alunos podem trabalhar com vários professores, simultaneamente, durante os períodos de estudos de fenômenos. Os alunos devem participar todos os anos de pelo menos um desses módulos de aprendizagem multidisciplinar. Estes módulos são concebidos e implementados localmente. O currículo também afirma que os alunos devem ser envolvidos no planejamento”.

Além das disciplinas, outra característica que chama atenção da educação na Finlândia é o tempo “de brincar”. No país, os alunos têm cerca de 15 minutos de intervalo entre cada aula, o que totaliza mais de 1 hora durante um dia. “Brincar é importante nesta idade. Nós valorizamos a hora de brincar”, diz Maija Rintola, uma professora finlandesa, para a Smithsonian Mag.

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Lição de casa? Quase não há — ou é mínima. O mesmo com testes: não há provas padronizadas no sistema de educação na Finlândia, com exceção a um exame que os estudantes precisam fazer no último ano do colegial. Isso significa que também não há ranking, comparações ou competições entre estudantes ou escolas.

A educação secundária, que seria equivalente ao ensino médio no Brasil, é dividido em duas opções: o sistema vocacional, que prepara o aluno para escolas técnicas e o acadêmico, que visa as universidades.

Professores

Valorizada e livre: a profissão de professor é muito respeitada na Finlândia. É necessário um mestrado para se tornar professor no país e entrar no sistema público não é fácil: em 2015, apenas 7% dos que aplicaram para vagas em Helsinki, capital da Finlândia, foram aceitos no sistema, deixando mais de 1.400 professores de fora.

A mistura de treinamento e autonomia é um dos grandes destaques da profissão, já que os docentes podem escolher os métodos que utilizam dentro de sala de aula. Todos os tipos de fiscalização das escolas foram abolidos nos anos 90. “Os professores precisam ter essa educação de qualidade para que eles saibam o que fazer com a liberdade que é dada“, afirma Leena Krokfors, professora de educação na Helsinki University ao The Guardian.

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