Empresas criam jogos para crianças brincarem ao ar livre
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Empresas de tecnologia criam jogos para crianças brincarem ao ar livre

Camila Luz em 23 de maio de 2016

Três quartos das meninas e meninos britânicos passam mais tempo dentro do que fora de casa, diz o jornal The Guardian. A culpa é, em grande parte, da tecnologia. A infância tem sido gasta em frente a computadores, tablets e celulares em jogos para crianças que são puramente virtuais.

Segundo a reportagem, um relatório divulgado pelo governo da Inglaterra em fevereiro revelou que pelo menos uma entre nove crianças britânicas ficou sem pisar em um parque, praia ou outro ambiente natural por pelo menos um ano. Especialistas culpam a falta de espaços verdes disponíveis nas cidades, a preocupação dos pais com a segurança dos filhos e a tecnologia digital.

“A verdade é que estamos enclausurando nossos filhos”, disse Mark Sears, do The Wild Network, projeto para incentivar crianças a entrar em contato com a natureza. “Estamos sufocando a capacidade de serem livres, de usufruírem do ponto alto da infância e isso tem impactos significativos”, explicou. Para ele, as consequências graves da falta de atividades físicas são o aumento da obesidade e a redução do bem-estar mental.

Algumas empresas de jogos acreditam que a própria tecnologia pode trazer a resposta para essa crise. A Hybrid Play, por exemplo, é uma startup espanhola que usa a realidade aumentada (RA) para transformar parquinhos em videogames.

Jogos para crianças misturam mundo virtual com realidade

O Hybrid Play é feito para ser jogado em grupos. Funciona assim: as próprias crianças prendem um sensor em um dos brinquedos do parquinho. Depois, baixam o aplicativo gratuito no celular. Aplicativo e sensor se comunicam.

Enquanto um grupo se diverte no gira-gira, outro jogador analisa os movimentos pelo celular. Quando o grupo se movimenta, os personagens virtuais se mexem também. A criança que joga pelo dispositivo avisa quando é preciso desviar de um fantasma, por exemplo.

Quando a brincadeira rola em um balanço, quem controla o aplicativo dá a coordenadas para os jogadores, avisando se é preciso balançar mais alto ou mais baixo para capturar tesouros, por exemplo.

Clara Boj, co-fundadora da startup, disse ao The Guardian que muitas pessoas pensam que parquinhos devem ser ambientes livres de tecnologia, mas a verdade é que eles podem ser parte dos jogos para crianças. “Nossos jogos híbridos são programados para colocar a atividade física no centro da experiência, e não a tecnologia”, defende.

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Biba é outra startup de realidade aumentada que transforma parquinhos em ambientes virtuais. Basta baixar o aplicativo gratuito no celular ou tablet e ir até um espaço de brincadeiras que tenha sido ativado pela empresa. Ela insere códigos nos brinquedos e dá diversas opções de jogos para crianças. A dinâmica é parecida com a do Hybrid Play: uma pessoa dá as instruções enquanto as outras realizam as atividades.

No vídeo de divulgação da Biba, Candice Ciesla, diretora de arte da marca, diz que a startup pretende mudar os hábitos das crianças, encorajando pais e filhos a brincarem ao ar livre. Lee Shorten, gerente de projetos, afirma que é uma forma de fundir os games que os pequenos tanto amam com atividades físicas praticadas pelos adultos de hoje no passado.

Fabricantes de jogos físicos também estão incorporando a realidade aumentada ao seu portifólio. É o caso da TP Toys. Lil’ Monkey é um brinquedo de montar feito para crianças escalarem. Agora, vem com um aplicativo para baixar no celular.

O personagem principal é um macaco que escala o brinquedo no ambiente virtual e interage com o ambiente real. Ele dá sugestões de brincadeiras e níveis a ultrapassar.

Mas e a criatividade da criança?

Para Mark Sears, do The Wild Network, a realidade aumentada usada da forma certa pode mover crianças a saírem de suas casas e explorarem a natureza. Mas a tecnologia deve apenas encorajá-las a brincarem ao ar livre, e não ser a única razão para isso. “É muito fácil para fabricantes criarem soluções a partir de mais produtos. Mas a verdade é que crianças montam suas próprias brincadeiras quando são deixadas soltas. Em muitos casos, o que elas precisam é de menos estímulos”, defende.

O lado positivo dos jogos para crianças de realidade aumentada é estimular a convivência em grupo durante o exercício. Isso é infinitamente melhor para a criança do que brincar sozinha, sentada no sofá, diante de uma tela. No entanto, nada como ter um jardim inteiro para explorar de acordo com a própria imaginação.

“Tenho medo de um futuro onde os jogos de realidade aumentada venham a se tornar babás virtuais que dão moedas para crianças que passarem de nível”, disse a pesquisadora Marientina Gotsis ao The Guardian. Ela estuda o efeito de aplicativos e jogos virtuais no desenvolvimento infantil. “A brincadeira ao ar livre é intrinsecamente prazerosa quando jogamos com pessoas que amamos e gostamos”, conclui.

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