Como a Women Up quer empoderar as mulheres nos videogames
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Foto: Reprodução/WomanUp
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Como a Women Up Games se tornou uma ferramenta de empoderamento feminino

Kaluan Bernardo em 10 de junho de 2016

As mulheres são maioria no mundo dos games. Segundo a pesquisa Games Brasil (organizada por empresas como ESPM, Blend e Sioux), 52,6% dos gamers no Brasil são do sexo feminino. Mas, na maioria dos lugares, ainda impera o estereótipo de que isso é coisa de homem. E é esse o quadro sobre mulheres nos videogames que a Women Up Games quer reverter.

A empresa surgiu em 2013, quando Ariane Parra, desenvolvedora de jogos, começou a dar palestras sobre mulheres nos videogames. “Ia para a faculdade e via pouquíssimas meninas. Na minha sala só tinha eu e mais uma. Percebi que precisava falar sobre o tema”, conta.

Deu certo. Logo Ariane passou a se destacar e chamar atenção para a causa e criou a Women Up Games, uma iniciativa que busca o empoderamento feminino no mundo dos games. Em julho de 2015, a fotógrafa Juliana Coringa entrou como sua sócia na empreitada.

Como a Women Up Games transforma as mulheres nos videogames em player 1

A Women Up atua hoje em quatro frentes: palestras, competições femininas, workshops de desenvolvimento e oficinas makers. Toda receita que elas conseguem é revertida em próximos eventos. A ideia é transformar a inciativa em um negócio sustentável para que as sócias consigam se dedicar a ele em tempo integral.

A menina dos olhos delas são os campeonatos para mulheres nos videogames. E o último que fizeram teve um gosto especial. Realizado em maio, várias garotas foram jogar com suas mães. “É uma coisa que normalmente não acontece. Mas quando você organiza algo e vê o videogame fortalecendo o vínculo familiar, sente-se incrível”, diz Ariane.

 Juliana Coringa e Ariane Parra em premiação Google 2015

Juliana Coringa e Ariane Parra em premiação Google 2015 Foto: Reprodução/WomanUp

A Women Up tem ajudado várias mulheres com mais de 30 anos a retomarem o contato com os videogames. “Muitas vezes aparece uma mãe falando que gostava de jogar, mas que depois que teve filho ou se casou deixou o controle de lado”, conta Ariane. “Quando elas voltam a jogar elas se sentem como numa terapia”, defende.

O público que elas almejam alcançar é justamente o que não tem mais contato com videogame. Para Ariane, aproximar mulheres dos jogos traz diversos benefícios essenciais para nossa sociedade. “O videogame é um produto cultural como qualquer livro, filme ou série. Quando as pessoas jogam elas se desenvolvem melhor porque estão consumindo cultura”, diz.

Os videogames funcionam ainda como porta de entrada para o mundo da tecnologia — onde também falta o feminino. A falta de garotas desenvolvendo jogos afeta a representatividade. “Mulheres nos videogames ainda são sub-representadas. Quando aparece é de forma sexualizada ou como a princesa que precisa ser salva”, diz.

A princesa não está em outro castelo

A luta, no entanto, não vem sem represálias. Em maio, a Women Up organizou uma oficina para ensinar garotas montarem seus próprios arcades. Quando meninos viram a notícia em blogs especializados e descobriram que não poderiam participar, acusaram a organização de ser sexista. “Pela primeira vez eles sentiram-se excluídos de um evento de games. É como nos sentimos desde sempre”, comenta Ariane. No evento, muitas mulheres pegaram em furadeiras, martelos e parafusos.

“É algo que, se houvesse um cara lá, ele acabaria tomando a frente. E nós queríamos empoderar, mostrar que meninas também podem fazer isso”, defende.

O mesmo acontece para os torneios. No mundo dos esportes eletrônicos, praticamente não há garotas no cenário competitivo. No último campeonato mundial de League of Legends, por exemplo, não havia sequer uma menina.

meninas jogando vídeo game

Foto: Reprodução/WomanUp

Uma das razões para o fenômeno é o fato de que as mulheres nos videogames são constantemente desencorajadas. “Quando você entra e percebem que é mulher, logo começam a dar cantadas ou ficam mais agressivos porque não querem perder para uma garota. Há vários relatos de meninas que desistiram de jogar por conta disso”, diz. “Se isso acontece com você, menina, nos procure. É importante saber que não está sozinha”, anuncia.

A Women Up agora está tentando montar times femininos de e-Sports. Ariane conta que algumas empresas que patrocinam campeonatos já a procuraram mostrando interesse em fomentar tal tipo de iniciativa.

A organização também está montando uma equipe de desenvolvedoras para criarem seu primeiro game. A ideia é fazer um jogo para incentivar outras a se tornarem mulheres nos videogames. Enquanto isso, há um longo caminho. Qualquer uma que quiser colaborar ou participar, basta acessar o site da organização.

Nosso objetivo é que um dia não precise mais existir organizações como a Women Up Games. Não somos um clube da luluzinha. Só queremos que a balança fique equilibrada para homens e mulheres nos videogames.

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