Quais os benefícios e as vantagens do xadrez nas escolas
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Quais os benefícios do xadrez nas escolas

Kaluan Bernardo em 23 de novembro de 2016

O xadrez, jogo milenar e dos mais populares do mundo, é muito mais que isso. É também esporte, reconhecido pelo Comitê Olímpico Internacional; símbolo de épocas e nações (foi marco importante na Guerra Fria); e, nas escolas, uma ótima ferramenta de educação para crianças.

Adriano Caldeira

Adriano Caldeira Foto: Arquivo Pessoal

Há uma extensa literatura acadêmica que acompanha o potencial pedagógico do xadrez. Entre os benefícios estão o desenvolvimento do pensamento lógico, aumento de atenção e concentração, imaginação, criatividade, amadurecimento do julgamento e do planejamento, capacidade de antecipar fenômenos, desenvolvimento da vontade de vencer, da paciência e do autocontrole, defende Adriano Caldeira, mestre pela Federação Internacional de Xadrez (Fide), e autor do livro “Para aprender e ensinar xadrez na escola”.

“O xadrez molda o caráter. Ensina a lidar com sua própria frustração, a conhecer suas virtudes e seus limites, a saber onde começa o seu limite e onde começa o do outro. Ensina também respeitar o adversário, a agir com cavalheirismo”, comenta. “Os resultados são imediatos. A criança passa a pensar em objetivo final, aprende a estudar com método”, diz.

A importância reconhecida do xadrez nas escolas

Adriano não está sozinho em sua defesa. No Brasil, o Ministério da Educação, já reconheceu em diversas oportunidades os benefícios do xadrez. Governos municipais e estaduais promovem diferentes campeonatos e programas de ensino. “Na rede municipal de São Paulo há 49 mil crianças tendo aula e mais mil professores capacitados para trabalhar com esse projeto nessa área. Há alguns anos que o campeonato municipal das escolas tem mais de 20 mil participantes”, diz.

O Parlamento Europeu, em 2016, recebeu a conferência “Chess in Schools” (Xadrez nas Escolas), com o objetivo de discutir as práticas educacionais do esporte. O programa, criado em 2014, já foi testado em mais de 17 mil escolas e com 1 milhão de crianças.

Países como Armênia, Índia, Turquia e Noruega investem cada vez mais no jogo com o objetivo de produzir futuros campeões. Muitos se inspiram em um conjunto de pesquisas produzidos pelo “Quad Cities Chess Club in America”, que mostra os benefícios do xadrez na educação.

“Não há outra atividade que custe tão pouco para organizar e que derrube tantas barreiras. Idade, sexo, raça, religião… eles não significam nada no xadrez. Qualquer um pode aproveitar. Aproximadamente 500 milhões de pessoas em 167 países jogam o jogo e apenas o futebol pode rivalizar com isso”, comenta Malcolm Pein, jornalista e mestre enxadrista, ao jornal The Guardian.

Como ensinar o xadrez nas escolas

Há uma idade certa para ensinar xadrez nas escolas? “Sim, quando a criança aprende a amarrar os sapatos, que é quando ela está desenvolvendo inteligência abstrata”, responde Adriano.

Mais do que tomar cuidado com as idades é necessário capacitar corretamente os professores para que ensinem com método, acompanhando a evolução individual dos alunos e cuidando para que eles não se desmotivem. Adriano acredita que, quando as crianças são menores, a aceitação do xadrez é maior do que quando se tornam adolescentes e passam a se interessar por outras coisas.

“Se você perde a disciplina dos alunos ou o controle da sala de aula, você dificilmente irá recuperar isso depois”, diz. “É preciso ter a metodologia correta e oferecer desafios para as crianças — porque elas gostam de desafios. É preciso também ensinar o trabalho em equipe, porque muitas vezes a criança aprende muito melhor com outra criança”, conclui.

importancia do xadrez nas escolas

Foto: Istock/Getty Images

“Há ainda alguns gostam de estudar, mas não gostam de jogar porque têm medo”, diz. Nesses casos, o jogo pode ensiná-los a lidar com a frustração e promover a competição saudável. “Crianças que estudam xadrez não têm branco no vestibular”, comenta. Ele defende que no jogo não há condescendência do professor, que pode dar meio certo para uma resposta. “Basta uma jogada errada para você perder tudo. O seu oponente, diferente do seu professor, está ali para impedir sua vitória”, exemplifica para ilustrar semelhanças com a vida adulta.

Para conquistar tais benefícios, no entanto, não basta ensinar apenas o básico do xadrez. É necessário que os estudantes se aprofundem na prática, indo da concentração à contemplação — o estágio onde começam a criar e imaginar muito mais.

Além disso, defende Adriano, o jogo se difere da educação tradicional porque, além de lidar com os sentidos das crianças, também atua no campo simbólico e emocional. “O xadrez tem muito simbolismo. As peças, tudo, vem mudando desde a Idade Média para representar a sociedade”, diz. Um exemplo: na Idade Média não existia a peça da rainha, era a do primeiro ministro. Quando a mulher passou a ganhar mais visibilidade, e as rainhas se tornaram mais poderosas, que a peça mais poderosa do jogo se tornou uma mulher.

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