Anticoncepcional masculino tem eficácia alta; quais os efeitos colaterais
anticoncepcional masculino
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Anticoncepcional masculino tem eficácia de 96%; e efeitos colaterais também

Kaluan Bernardo em 31 de outubro de 2016

Tão aguardado, o anticoncepcional masculino continua levantando debates. Pesquisadores estadunidenses publicaram um estudo mostrando que a as injeções hormonais contraceptivas funcionam muito bem. Em testes feitos com 320 homens, 96% deles mostraram reduções drásticas de espermatozoides.

Durante a fase de avaliação da eficácia, que durou um ano, participaram 266 homens que estavam em relações estáveis e contavam apenas com a injeção como método contraceptivo. Nesse grupo, apenas quatro mulheres ficaram grávidas. O índice de 1,57 mulher fecundada a cada 100 é semelhante ao da pílula feminina: uma a cada 100. No caso da camisinha, o índice é de 18 para 100.

“Se você comparar com outros métodos masculinos reversíveis, é bem melhor que a camisinha e tem o mesmo nível da pílula”, declarou Richard Anderson, um dos autores do estudo, ao jornal The Guardian. Após os estudos, três em cada quatro homens afirmaram que continuariam dispostos a utilizar as injeções. Eles passavam pelo tratamento a cada dois meses.

Os cientistas dizem que dificilmente o tratamento poderá deixar de ser injetável e se tornar uma pílula. Por outro lado, estudam a possibilidade de transformar em um gel para ser passado no peito todas as manhãs.

Quais os efeitos colaterais do anticoncepcional masculino

Os efeitos adversos foram considerados altos pelos pesquisadores. Entre eles, estavam depressão, acne e aumento da libido. Ao menos 20 homens desistiram dos testes por conta das consequências.

Os riscos foram suficientes para que a Organização Mundial da Saúde interrompesse a pesquisa. “Foi uma grande decepção quando os testes pararam. Enquanto o comitê de monitoramento de testes estava feliz com o progresso e a segurança, outro comitê tomou a decisão”, comentou Richard.

homem tomando injeção

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A injeção conta com dois hormônios: progesterona, que bloqueia a produção de esperma ao agir na glândula pituitária do cérebro; e testosterona que contrabalança a consequente redução de hormônios masculinos.

Como homens produzem esperma constantemente, são necessários níveis mais altos de hormônios para reduzir a contagem de espermatozoides de 15 milhões por mililitro a 1 milhão por mililitro.

A dificuldade em controlar explica, em parte, tanto os efeitos colaterais quanto a demora na criação do tratamento — vale dizer que as pílulas femininas existem desde a década de 1950. No entanto, pesquisadores como Richard também apontam falta de interesse comercial da indústria farmacêutica no atraso do desenvolvimento.

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“Mais pesquisas precisam ser feitas para avançarmos no conceito ao ponto que possa ser largamente disponível para homens como método contraceptivo. Embora as injeções tenham sido eficientes em reduzir as taxas de gravidez, a combinação com os hormônios precisa ser mais estudada para considerar um bom equilíbrio entre eficiência e segurança”, comentou Mario Festin, coautor do estudo e membro da Organização Mundial da Saúde, em comunicado à imprensa.

Outros pesquisadores consideram difícil acabar com os efeitos colaterais por métodos hormonais. “A maioria das tentativas anteriores para contracepção masculina que envolviam hormônios levaram a vários efeitos colaterais ou se tornaram irreversíveis”, comenta Sarah Jones, do departamento de Farmácia da Universidade de Wolverhampton, na Inglaterra, ao The Guardian.

Efeitos colaterais levantam debates sobre responsabilidade

“Quase 90% das mulheres que vimos em clínicas de planejamento familiar disseram que era uma boa ideia compartilhar a responsabilidade [de tomar contraceptivo]”, disse Richard. “Elas dizem: ‘Fiz isso [tomar a pílula] por 15 anos e tive um bebê. Vamos lá, é a vez de outra pessoa”, comenta.

A pílula anticoncepcional feminina também tem uma série de efeitos colaterais — como derrames, aumento da pressão arterial, varizes, inchaço e perda de libido. Há suspeitas de que levam à depressão. Um estudo recente, feito na Dinamarca durante 14 anos, revelou que a progesterona presente na pílula pode levar à depressão.

O cancelamento dos testes contraceptivos masculinos não são justificáveis. A menos que os pesquisadores tragam evidências de que as injeções tragam riscos de morte, câncer — ou qualquer feito colateral que seja desproporcionalmente mais alto que o risco que se forma nos contraceptivos que bilhões de mulheres já estão usando — eles estão sendo controversos”, escreve a articulista Anna Rhodes no jornal The Independent. “Mulheres são metade da população nesse país, e a metade das parcerias que são responsáveis por cada criança não planejada — é hora de alguém nos dar um tempo quando se fala sobre contraceptivos”, argumenta.

Outros anticoncepcionais masculinos que podem ganhar o mercado

A injeção hormonal não é a única saída. Na mesma semana em que foram publicados os resultados sobre a injeção hormonal, a equipe de Sarah Jones, da Universidade de Wolverhampton, anunciou o descobrimento de um método que impede os espermatozoides de nadarem.

A novidade é usada logo antes da relação sexual, vai até o espermatozoide e “desliga” a proteína que o faz nadar. Impedido de se movimentar, ele não consegue chegar até o óvulo. Os resultados ainda são novos e foram testados apenas em laboratórios. Demorará um tempo para que cheguem à fase clínica e testem em humanos.

Há outras opções que devem chegar antes ao mercado. Uma delas é o Vasalgel, em fase avançada de testes, e que pode ser lançado ainda em 2018. Ele também não envolve hormônios. Criado pela Parsemus Foundation, uma ONG estadunidense, o anticoncepcional é um gel de polímeros aplicado nos vasos deferentes do órgão reprodutor masculino. Forma-se uma barreira semipermeável em que os espermatozoides não conseguem passar.

É quase uma peneira, ou, se preferir, uma vasectomia facilmente reversível. Se o homem quiser ter filhos, basta retirar o gel dos vasos. Testes indicam que o Vasalgel vai funcionar e não deve trazer efeitos colaterais para os homens. Análises feitas em coelhos e babuínos mostraram que não houve aparecimento de espermatozoides no sêmen durante um ano. Também não foram notados grandes efeitos colaterais.

Por fim, há ainda o RISUG — outro anticoncepcional masculino desenvolvido como gel injetável. Basta uma dose para prevenir a gravidez por até 10 anos. A diferença para o Vasalgel está na fórmula. Também não foram encontrados grandes efeitos colaterais.

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