Anticoncepcional masculino: como funciona e a história do método
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Anticoncepcional masculino: como funciona e o surgimento do método

Pedro Katchborian em 26 de julho de 2016

Em 1957, quando o cientista Gregory Pincus, um dos co-inventores da pílula anticoncepcional feminina, estudava métodos contraceptivos, ele tentou a mesma abordagem hormonal da pílula em homens, sem sucesso. Passados quase 60 anos, a sociedade ainda espera por um anticoncepcional masculino efetivo, embora exista uma previsão de que o Vasalgel, novidade do mercado, chegue em 2017. Mas qual é a história por trás dos métodos contraceptivos masculinos?

Andy Extance, do Quartz, elenca alguns fatores que ajudam a entender os motivos pelos quais o método masculino demorou tanto para chegar. Na década de 70, o campo de pesquisa em busca do controle da fertilidade masculina era muito mais intenso, com governos apoiando vários projetos para impedir que o planeta ficasse muito cheio. Na conferência da ONU World Population, em 1974, o médico brasileiro Elsimar Coutinho já promovia um remédio, que estava em testes na Universidade Federal da Bahia. Mesmo assim, o projeto não foi para frente.

cartela de remédios com comprimidos amarelo e vermelho

O estudo por métodos contracepcivos masculinos começou nos anos 50. Foto: Istock/Getty Images

O próprio Elsimar já trabalhava no campo desde os anos 60, quando fez uma parceria com o governo chinês, que estava interessado em diminuir o ritmo dos nascimentos no país e queria o anticoncepcional masculino para o controle de fertilidade. Em 1972, mais de 8 mil homens fizeram testes com uma pílula fabricada com o componente gossipol, encontrado nas plantas do gênero Gossypium.

Apesar do nível de contagem no esperma ter diminuído de maneira satisfatória, os efeitos colaterais foram muito intensos: 66 homens demonstraram pouca taxa de potássio no sangue, enquanto a contagem de esperma em muitos outros não voltou ao normal. Depois, pesquisadores conduziram outros testes em ratos e comprovaram que o gossipol não era a melhor opção.

Mesmo assim, Coutinho continuou a sua busca e ainda acredita no poder do gossipol. Depois de se juntar com uma equipe de cientistas internacionais, o brasileiro publicou os resultados das pesquisas em 2000 e mostrou que o problema de potássio era relacionado a dieta dos homens.

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Foi então que ele pensou em lançar o contraceptivo no Brasil e trabalhou com a farmacêutica Hebron em 2001. O fundador da farmacêutica, Josimar Henrique da Silva, disse a Elsimar que tentou conversar com José Serra, Ministro da Saúde na época, mas não obteve resposta. Para Elsimar, o problema foi o machismo.

Nós trabalhamos por muitos anos e percebemos que os homens têm muito medo de perder a virilidade.

Ainda assim, interesse não falta: uma pesquisa de 2005 feita com nove mil homens em nove países diferentes mostrou que metade deles estavam dispostos a usar um método contraceptivo capaz de acabar com a produção de esperma.

Será que o anticoncepcional masculino vai funcionar?

Com tantos testes e interessados, o Quartz explica os motivos pelos quais a pílula só saiu agora. Para Andy Extance, são vários: a pressão da igreja, a dificuldade de lançar medicamentos na indústria farmacêutica e o machismo são os principais.

homem segurando ampola com gel transparente

Vasalgel tem previsão de chegar ao mercado em 2017. Foto: Divulgação

É aí que chega o Vasalgel: em fase avançada de testes, o método não envolve hormônios. Desenvolvido pela Parsemus Foundation, uma ONG americana, o método é um gel de polímeros que é aplicado nos vasos deferentes do órgão reprodutor masculino, formando uma barreira semipermeável em que os espermatozóides não conseguem passar. É como se fosse uma vasectomia facilmente reversível, em que o homem pode simplesmente tirar o gel dos vasos caso queira ter filhos. Testes indicam que o Vasalgel vai funcionar e não deve trazer efeitos colaterais para os homens.

O RISUG é outro anticoncepcional masculino desenvolvido com um gel injetável. Criado na Índia, os testes do RISUG mostram que o efeito de uma dose pode prevenir a gravidez por até 10 anos. A grande diferença entre o RISUG e Vasalgel é a fórmula. O RISUG está em fase de testes desde 2010 e deve chegar ao mercado da Índia e dos Estados Unidos nos próximos anos.

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