Apps, Diu de cobre e métodos contraceptivos sem hormônio
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Aplicativos, Diu de cobre e mais métodos contraceptivos sem hormônio

Camila Luz em 4 de setembro de 2016

Hormônios presentes no anticoncepcional podem causar problemas de saúde graves, como derrames e aumento da pressão arterial. Para prevenir a gravidez sem correr esses riscos, há métodos contraceptivos sem hormônio que podem ser eficientes.

Para a ginecologista e obstetra Juliana Amato, sempre que for possível, é melhor evitar o uso de hormônios. “O estrogênio, presente nos anticoncepcionais, pode aumentar os vasos da perna, causar varizes, inchaço, aumento de massa gorda e derrames em quem tem pré-disposição à trombofilia”, explica. Ao Free The Essence, a médica falou sobre os principais métodos contraceptivos sem hormônio e sua eficácia.

Métodos contraceptivos sem hormônio

Tabelinha

Indicado apenas para quem tem o ciclo regulado. Funciona assim: o dia mais fértil do período menstrual acontece no meio do ciclo. Por exemplo, quem menstrua de 28 em 28 dias tem seu dia mais fértil no 14º. Depois de identificar a data, basta contar três dias antes e três depois. Nesse período, deve-se ter relações sexuais com camisinha.

Mulheres não reguladas são aquelas que nunca sabem quando vão menstruar. Dessa forma, não conseguem calcular o período fértil e, por isso, o método não funciona para elas.

Camisinha masculina

Na opinião de Juliana, esse é o método mais eficiente e deve ser usado sempre, mesmo quando a mulher já utiliza algum anticoncepcional. Ele é o único que protege contra a transmissão de doenças venéreas.

Apesar de ter 99% de eficiência para prevenir gravidez e evitar doenças sexualmente transmissíveis, erros podem acontecer. Deve ser utilizado durante todo o ato sexual (não só durante a ejaculação), e os parceiros devem ficar atentos para possíveis furos no material, que podem comprometer a eficácia do método.

Camisinha feminina

Também é um método bastante eficiente, mas pouquíssimo utilizado. Juliana diz que elas são vendidas, mas têm pouca procura.

A camisinha feminina é uma bolsa de plástico fino, transparente, macio e resistente, com dois anéis (um preso na borda e outro móvel, que não deve ser removido). Ela impede o contato da vagina com o pênis durante a relação sexual, evitando que os espermatozóides entrem no útero. Além disso, impede a troca de secreções, prevenindo DSTs.

DIU de cobre

Segundo a médica, esse é um método bastante utilizado hoje. Diferente do DIU Mirena, o DIU de cobre não possui hormônios. É colocado no colo de útero e funciona tanto como método de barreira, como por ação mecânica.

O cobre é espermicida e dificulta a passagem dos espermatozoides para o útero. Além disso, sua ação promove um processo inflamatório nas trompas, modificando a movimentação de seus cílios. Por meio desse mecanismo, o óvulo fica impedido de chegar até o útero, onde é fecundado.

Temperatura basal

“Funciona, mas é difícil”, diz Juliana. Durante o período fértil, a temperatura do corpo da mulher sobe um pouco, entre 0,5ºC e 1ºC. Utilizando um termômetro (que pode ser colocado na boca), é possível medir a temperatura para entender se é um período de risco para ter relações sexuais desprotegidos.

No entanto, Juliana não indica esse método, pois a temperatura do corpo pode variar por outros motivos externos, como dias mais quentes. Ter certeza de que se está no período fértil é bastante difícil.

Diafragma

Está ultrapassado. A médica explica que ele deve ser colocado no colo do útero para impedir a passagem de espermatozoides, funcionando como um método de barreira. No entanto, o anel de borracha deve ter o tamanho exato do colo do útero e ser colocado no local correto. Caso se mova, a eficácia é perdida.

Anticoncepcional de progesterona usa hormônio, mas em menor dosagem

Conhecido como “minipílula“, o anticoncepcional à base de progestina (a versão sintética da progesterona) dispensa o estrogênio, um dos mais intensos hormônios e responsável pela maioria dos efeitos colaterais presentes nos  medicamentos contraceptivos mais tradicionais.

No Brasil existem 3 formulações diferentes de minipílula, cada uma com uma progestina diferente: Noretisterona 0,35 mcg (nomes comerciais: Norestin, Micronor); Desogestrel 0,075 mcg (nomes comerciais: Cerazette, Nactali, Juliet, Kelly); e Linestrenol 0,5 mcg (nomes comerciais: Exluton).

A minipílula de progesterona, além de reduzir os riscos dos efeitos colaterais, é indicada a mulheres em fase amamentação, pois não interrompe a produção de leite e não faz mal para o bebê.

Apesar de reduzir efeitos colaterais, a minipílula ainda tem alguns problemas: ela costuma deixar a menstruação irregular e aumentar o surgimento de acne.

Aplicativos para controlar o ciclo menstrual

Felizmente, cientistas estão trabalhando em métodos contraceptivos eficazes e que não dependem de hormônios. A tecnologia também pode ajudar nisso: já existem aplicativos para celular que funcionam como tabelinhas mais trabalhadas: permitem adicionar características como humor, temperatura e peso, além das datas da menstruação. Com essas informações, o app calcula se você está no período fértil ou não.

LoveCycles

O aplicativo é bem completo. Possui um calendário detalhado onde é possível registrar vários sintomas, como sentimentos e temperatura. O aplicativo oferece lembretes sobre seu ciclo menstrual, seu anticoncepcional (se utilizar outro método em conjunto) e possíveis sintomas com base no histórico. Disponível para Android e iOS.

Natural Cycles

O aplicativo é o primeiro software do mundo certificado como método contraceptivo. Usando algoritmos, monitora a taxa de fertilidade feminina. Funciona como a tabelinha: todos os dias, a mulher mede sua temperatura com um termômetro basal colocado debaixo da língua, enquanto está em repouso. O procedimento deve ser feito depois de ter dormindo o suficiente e imediatamente antes de se levantar.

A usuária registra a temperatura no aplicativo, que usa algoritmos para calcular seu ciclo menstrual e possíveis variações. O diferencial do método é respeitar o fato de que nem todas as mulheres têm ciclos regulares de 28 dias.

A tabelinha tradicional só funciona para mulheres reguladas. Já o Natural Cycles calcula os avisos partindo do princípio de que é possível engravidar em apenas seis dias por mês. Essa adaptação ao calendário de cada usuária aumenta os acertos de quais dias ela corre o risco de ficar grávida ou não. Disponível para Android e iOS.

CLUE

O CLUE é super sóbrio, simples, fácil e intuitivo de usar. Rapidamente, você insere informações como emoções, sono, relações sexuais, pele, cabelo e anticoncepcional que utiliza. No entanto, ele oferece apenas o mapeamento do ciclo. Não traz nada muito detalhado sobre fertilidade, melhores momentos para engravidar e assim por diante. Disponível para Android e iOS.

Calendário menstrual

Ao contrário do CLUE, o aplicativo Calendário Menstrual é rosa e todo enfeitado, com direito a gatinhos e flores. Ele mostra gráficos sobre seu ciclo menstrual e traz outras informações sobre orgasmo feminino, humores e relações sexuais. Disponibiliza até um fórum para que as usuárias troquem experiências e compartilhem informações. O aplicativo permite configurar alertas para avisar sobre seu período fértil ou data da menstruação. Disponível para Android e iOS.

Ganhar dinheiro com o ciclo menstrual

No caso, quem lucra com informações sobre seu ciclo menstrual são empresas que trabalham com a análise de dados e não você. A menstruação é fonte de renda desde que os absorventes substituíram as toalhinhas higiênicas no século 20. Logo depois, veio o anticoncepcional, que encheu o cofre de laboratórios pela sintetização de hormônios.

Os aplicativos para controlar o ciclo menstrual são um novo e promissor negócio. Startups que trabalham com análise de dados aproveitam as informações adquiridas pelos apps para observar padrões fisiológicos e comportamentais das usuárias, como oleosidade da pele, humor, quantas vezes fez sexo na semana e assim por diante.

Além de recolher dados sobre as características fisiológicas da usuária, os apps de controle de ciclo menstrual analisam hábitos de navegação e até padrões de compra. Um prato cheio para criar novos produtos e serviços. Por isso, a dica é sempre ler os Termos e Condições antes de sair baixando aquele aplicativo que sua amiga usa para saber para onde estão indo os seus dados e quais informações poderão ser usadas pelas empresas e quais não.

Controlar oleosidade e TPM sem anticoncepcional

Algumas mulheres não se sentem confortáveis em deixar o hormônio de lado pelos benefícios que ele traz. Diminui o fluxo menstrual, os efeitos da TPM e também a oleosidade do cabelo e da pele. Juliana explica que há formas de evitar alguns desses problemas sem precisar do anticoncepcional ou de outro método hormonal, como anel vaginal e DIU Mirena.

Hoje, há outras medicações que controlam o desconforto causado pela TPM, como ansiolíticos, antiinflamatórios, remédios naturais e óleos graxos. Juliana também indica acupuntura, que pode aliviar os sintomas de forma eficiente.

O fluxo menstrual é um pouco mais difícil de controlar. É preciso avaliar se há alguma alteração hormonal que o deixe muito intenso, como um mioma em crescimento. Em alguns casos, será preciso tratar com hormônio.

Há algumas alternativas que podem reduzir o fluxo menstrual — ainda que o ideal seja falar com o médico para entender o que causa esse fluxo intenso. Na fitoterapia, algumas ervas hemostáticas — que interrompem o sangramento — são usadas para controlar hemorragias, enquanto as adstringentes estancam o sangramento. Ginseng e inhame são algumas das opções.

Para oleosidade, Juliana diz que a solução é fazer um controle dermatológico, mantendo a pele sempre limpa durante o dia. Limpezas de pele também podem ajudar, assim como tratamentos mais intensos passados pelo médico, que envolvem sabonetes anti-acne e pomadas.

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Além disso, oleosidade e sintomas da TPM podem ser controlados adotando um estilo de vida saudável. Atividades físicas fazem bem para corpo e mente, relaxam e liberam endorfinas que podem ajudar nos dias de mau humor ou melancolia. Elas também ajudam no funcionamento do intestino. Alimentação balanceada também é importante, pois certos alimentos podem aumentar a sensação de inchaço, náuseas e alterações de humor, como café e sal em excesso.

Alimentos ricos em ômega-2 podem regular o desequilíbrio hormonal característico do período hormonal, enquanto os ricos em vitamina B6 ajudam a amenizar os sintomas desagradáveis da TPM. O ideal é consultar um nutricionista que monte um cardápio balanceado para acompanhar o seu ciclo menstrual.

A tendência da contracepção sem hormônios

Juliana explica que a tendência da contracepção sem hormônios está bastante ligada à valorização de uma vida saudável. O hormônio presente no anticoncepcional tem o efeito de bloquear o desenvolvimento de massa magra no corpo e, por isso, profissionais que trabalham com esportes não recomendam caso a atleta queira desenvolver sua capacidade física.

Além disso, tomar um hormônio artificial, que não é naturalmente produzido pelo organismo, contraria a ideia de assumir uma rotina mais saudável e natural. Sem a pílula, a mulher entende melhor como funciona seu corpo, seu ciclo menstrual e consegue identificar problemas relativos à ele.

mulher oriental olhando no espelho

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A ginecologista diz ainda que a pílula anticoncepcional geralmente é requisitada por meninas mais novas, enquanto mulheres mais velhas preferem métodos como o DIU. “Caso a pessoa realmente queira um método hormonal, indico pílulas de baixa dosagem, que têm só 15 microgramas do estrogênio, ou o Mirena, dependendo do caso”, conta. “O anel vaginal tem um pouco de hormônio, que é a progesterona, e ele diminui os efeitos colaterais do contraceptivo oral, como náuseas”, explica.

A médica reforça que sempre prefere recomendar a camisinha antes da pílula anticoncepcional, mesmo para as adolescentes. Métodos hormonais, independente de quais sejam, sempre apresentam algum risco para a saúde, principalmente para grupos sensíveis, como pessoas que têm pressão alta ou fumantes.

Ela também alerta para o crescimento de casos de HIV, sífilis, e hepatite B entre adolescentes. Por isso, usar camisinha ainda hoje é indispensável.

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