Cientistas gravam dados no DNA de bactérias
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Foto: Istock/Getty Images
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Cientistas gravam dados em bactérias e as transformam em HDs

Kaluan Bernardo em 29 de junho de 2016

Cientistas de Harvard desenvolveram um sistema para armazenar informações no DNA de bactérias, transformando-as em um tipo de pendrive. A descoberta foi publicada recentemente na revista Science.

Não é a primeira vez que cientistas conseguem colocar informações em uma bactéria. Em 2012, já haviam conseguido o feito. No entanto, em um processo artificial do começo ao fim, com o DNA sintetizado. Agora, foi com bactérias vivas. Além disso, enquanto antes os cientistas conseguiam inserir apenas 11 bits de informações, agora eles conseguiram entre 30 e 100 bytes de dados.

Para alcançar o feito, os pesquisadores utilizaram uma técnica chamada CRISPR, que ao trabalhar com o sistema imunológico do código genético consegue enganar o gene e inserir uma nova informação nele.

Quando uma bactéria é invadida por um vírus, ela corta um segmento do DNA e copia informações do vírus para saber se proteger dele no futuro. O CRISPR faz a mesma coisa, com um falso vírus, para acoplar a informação que desejar no gene. Com o CRISPR, a bactéria não só armazena a informação, como, por meio do seu código genético, transmite os dados para sua próxima geração.

Por que colocar informações dentro de uma bactéria

No passado, cientistas já conseguiram colocar poemas e até um livro inteiro dentro da bactéria. Mas essas aplicações são apenas teóricas. Na prática, a novidade pode ser muito mais importante.

Com a descoberta, a expectativa é que, em um futuro próximo, uma bactéria possa ser controlada para eliminar microorganismos específicos, reconhecer e enviar informações sobre um corpo, ou ainda dar detalhes da hereditariedade de um ser vivo.

“Esses experimentos lançam as fundações para um sistema de gravação de informações que podem ser usados para monitorar eventos moleculares que acontecem por longos períodos de tempo”, diz Jeff Nivala, um dos geneticistas responsáveis pela descoberta, ao blog Gizmodo. Ele continua:

Por enquanto pode nos ajudar a responder questões sobre como acontece a regulação do gene dentro de uma célula que vai de uma condição saudável para doente. Ou então pode ser usada para gravar informações de uma célula fora de seu ambiente, como a presença de químicos, toxinas ou patogênicos específicos.

Uma linguagem de programação só para bactérias

Não é a primeira vez que o CRISPR muda as regras do jogo quando o assunto é edição genética. A técnica, conhecida por ser barata e efetiva, está ajudando uma série de cientistas amadores a fazerem seus próprios experimentos caseiros em biohacking.

Recentemente, cientistas publicaram também na revista Science o desenvolvimento de uma linguagem de programação para bactérias. A lógica é semelhante à do armazenamento de informação dentro de seu código genético. Com uma linguagem baseada em texto, os pesquisadores conseguem compilar dados, transformá-los em DNA e colocá-los dentro de uma célula para ela seguir um caminho pré-programado.

Se continuarmos a progredir rapidamente, em breve poderemos sintetizar um genoma completamente novo. Tais possibilidades trazem intensos debates filosóficos e éticos em relação à vida. As implicações ainda precisarão ser debatidas antes de começarem a ser testadas no mundo real — afinal, podemos criar curas ou novas doenças. Qual sua opinião sobre o assunto? Comente abaixo.

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