O que aconteceu com a ideia de Bill Gates de evoluir a camisinha?
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Foto: Istock/Getty Images
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Bill Gates queria revolucionar a camisinha; o que aconteceu?

Kaluan Bernardo em 22 de agosto de 2016

Nos últimos 50 anos conseguimos imagens de Plutão, criamos dispositivos de realidade virtual e revolucionamos a inteligência artificial. No entanto, pouco fizemos para evoluir uma tecnologia importantíssima para nossa sociedade: a camisinha.

Tudo bem, já inventaram até camisinha com gosto de bacon. Mas ainda não conseguiram criar um contraceptivo que evite doenças sexualmente transmissíveis, seja 100% seguro, e ainda não interfira no prazer do sexo.

homem segurando placa mostrando projeto

Project Rapidom, por Willem van Rensburg. Foto: Reprodução

Por isso, em 2013, a Bill e Melinda Gates Foundation, organização filantrópica do criador da Microsoft, propôs um desafio: criar a camisinha da próxima geração. Os vencedores receberiam US$ 100 mil em investimento, com a possibilidade de, mais tarde, receberem mais US$ 1 milhão para desenvolverem suas pesquisas.

Em novembro do mesmo ano, Bill e Melinda Gates anunciaram os 11 vencedores entre 800 inscritos, que tinham ideias incríveis para reinventar camisinhas masculinas e femininas. Havia de tudo: preservativo com fibras de colágenos que faria o usuário sentir, literalmente, como uma segunda pele; outro que usava um material ainda mais flexível do que o latex, garantindo que a camisinha nunca sairia; outra que seria feita de grafeno; ou uma que é extremamente rápida e fácil de colocar.

O que aconteceu com as camisinhas revolucionárias?

A camisinha do futuro é interessante do ponto de vista humanitário, por ajudar a evitar a transmissão de doenças e a gravidez indesejada, mas também porque pode abraçar um mercado multibilionário. Estima-se que hoje sejam produzidas ao menos 15 bilhões de camisinhas por ano. Mas, esse número poderia ser muito maior uma vez que apenas 5% dos homens utilizam o preservativo.

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Foto: Istock/Getty Images

No entanto, três anos depois da iniciativa do casal Gates, infelizmente ainda não há camisinhas de grafeno ou de colágeno nas farmácias. Segundo o site Mic, a maioria das invenções foram barradas pela FDA, órgão governamental dos Estados Unidos responsável pelo controle de novos equipamentos médicos e alimentos — a respectiva instituição no Brasil seria a Anvisa.

Por questões de segurança, a instituição cobra uma série de testes e experimentos que demandam milhões de dólares dos criadores. Por isso, muitos das ideias, por mais incríveis que sejam, não conseguiram ainda provar sua funcionalidade apenas com o investimento que receberam do casal Gates.

Um dos vencedores do concurso, que queria desenvolver camisinhas de colágeno, chegou a desistir da invenção. Segundo ele, a tecnologia demoraria muito para se desenvolver. “Não estamos falando dos próximos dois ou três anos, estamos falando, do meu ponto de vista, de oito, 10 ou 15 anos. Quem sabe. O que nós queríamos fazer — e ainda acreditamos que é possível — é fazer diferença em curto período de tempo”, disse Ben Strutt ao site Mic.

Por isso, ele resolveu mudar o foco do projeto para o comportamento de pessoas na África subsaariana, que muitas vezes deixam de usar camisinha por motivos culturais ou religiosos.

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