Biohacking: o que é, como funciona e por que você deve conhecer
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Foto: Istock/Getty Images
Inovação > Saúde

O biohacking já é (muito) mais que ficção científica

Kaluan Bernardo em 25 de julho de 2017

Biohacking é, como o próprio nome sugere, um hacking biológico. Isso é: utilizar a tecnologia para modificar o próprio corpo. A possibilidade não existe apenas nas mentes de aficionados por ficção científica, mas também nas de engenheiros, cientistas e entusiastas, que transformam o biohacking em uma realidade do presente.

A primeira vez que o termo foi utilizado foi em 1988 pelo jornal Washington Post em uma matéria com o sugestivo título de “Brincando de Deus em seu porão” e que dava um panorama das tendências e perspectivas da prática.

O biohacking pode ser feito por especialistas ou por pessoas comuns no melhor estilo “faça você mesmo”. As mudanças vão de implantes de chips simples nas mãos à modificações genéticas.

Entusiastas e especialistas falam de um futuro no qual todos os humanos poderão ter o corpo melhorado, como “superpoderes” para enxergar no escuro, ouvir melhor ou ter mais força, por exemplo.

Como o biohacking se tornou uma realidade

Há basicamente duas abordagens para o biohacking. A primeira, chamada de interventiva, consiste em melhor o corpo com implantes para ampliar qualquer capacidade, do chip na mão ao hábito de tomar anticoncepcional. O segundo, chamado de não interventivo, utiliza fatores externos, como áudios com ondas específicas para ampliar a concentração, luz colorida para dormir profundamente ou capacidade de jejuar para aumentar níveis de energia.

Ambos partem da ideia de transhumanismo, um conceito controverso e amplo, mas que acredita que a raça humana pode evoluir além de suas limitações físicas e mentais atuais, principalmente por meio da ciência e da tecnologia.

Há quem considere que biohacking já está no nosso dia a dia. Os exemplos seriam aquele café para ficar acordado trabalhando, o uso de anticoncepcionais para não engravidar, óculos para enxergar melhor.

O que muda, de fato, a perspectiva é como a popularização da tecnologia tem feito pessoas comuns, com conhecimento razoável em ciência, criarem inovações em laboratórios de baixo custo.

Como o DIY chegou ao biohacking

O faça você mesmo (DIY, na sigla em inglês) do biohacking pode acelerar muito a forma como os seres humanos podem evoluir. E a edição de DNA está na vanguarda dessas mudanças.

Se há alguns anos editar o código genético era algo que exigia milhões de dólares, equipamentos inacessíveis e as melhores cabeças do mundo, hoje já é possível fazer isso em casa, sozinho e com conhecimentos básicos do corpo humano.

Tecnlogias como CRISPR-Cas9 permitem que biólogos amadores editem genes de bactérias e células humanas gastando pouco. Nos EUA, por exemplo, um biofísico vende pacotes para edição de DNA por US$ 120.

E o que é o CRISPR-Cas 9? Uma técnica que utiliza o sistema de proteção das próprias bactérias para cortar pedaços do DNA e inserir novas informações de acordo com a programação.

A edição do código genético pode funcionar para melhorar a vida de muita gente, já que hoje há ao menos 6 mil doenças causadas por mutações no gene. Apenas 5% delas podem ser tratadas. A expectativa, no entanto, é que conforme a edição genética avance, novas curas sejam descobertas.

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E há outras técnicas além do CRISPR. Em 2015, por exemplo, Feng Zhang, engenheira do MIT, publicou estudo falando sobre o uso de uma enzima chamada Cpf1, que permitiria a edição genética de forma ainda mais simples.

Caso a ciência e a tecnologia continuem a evoluir indiscriminadamente é possível que em algum dia seres humanos consigam sintetizar, do zero, genomas. Essa possibilidade traz grandes discussões sobre responsabilidades.

As polêmicas que envolvem o biohacking

As preocupações que envolvem o biohacking são todas relacionadas ao que o ser humano seria capaz de fazer com tamanho poder em mãos.

Até que ponto é ético querer modificar a natureza para tentar, de forma artificial, criar seres humanos perfeitos? No caso de biohacking para capacidades cognitivas, até onde é seguro e recomendado usar drogas para concentrar-se ou melhorar a memória?

No caso da edição de genes ainda há uma série de problemas colaterais que podem surgir. A revista Nature publicou editorial falando sobre o risco de se editar o código genético incorretamente e afetar, permanentemente, diversos outras gerações, que poderão vir com mutações negativas.

O pesquisador indiano Vivek Wadhwa escreve sobre o risco de alguém desenvolver uma cura, porém com efeitos colaterais graves, que só seriam descobertos gerações posteriores.

Há ainda o caso de biohackers mal intencionados, ou ainda bioterroristas, que podem alterar genomas de doenças ou criar alterações para acabar com determinada população.

Bom, antes que você entre na paranoia, saiba que apesar das técnicas de edição de DNA estarem se popularizando, a tecnologia ainda é um tanto limitada. Talvez, como defenda Todd Nukiem, que estuda políticas da ciência em Washinginton, estejamos apenas superestimando o poder dos biohackers,

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