Brasileiro, Miguel Nicolelis está mais perto de fazer paralíticos andarem
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Miguel Nicolelis. Foto: Reprodução/Dibs
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Brasileiro, Miguel Nicolelis está mais perto de fazer paralíticos andarem

Kaluan Bernardo em 16 de setembro de 2016

Na Copa do Mundo de 2014 um paciente paraplégico, equipado com um exoesqueleto, deu o pontapé inicial do torneio. Ele era integrante do projeto Andar de Novo, liderado pelo neurocientista paulista Miguel Nicolelis, um dos principais nomes entre os neurocientistas que buscam ajudar as pessoas a recuperarem seus movimentos.

O exoesqueleto controlado pelo paciente Juliano Alves era controlado por uma interface cérebro-máquina (ICM), foco das pesquisas de Nicolelis. Recentemente, em 2016, o neurocientista e sua equipe publicaram na revista Scientific Reports, do grupo Nature (um dos mais respeitados na área acadêmica), o primeiro artigo mostrando os primeiros resultados da pesquisa, iniciada em 2013. E eles são um tanto otimistas.

O texto diz que oito pacientes (seis homens e duas mulheres) que haviam perdido os movimentos das pernas por lesões na coluna vertebral conseguiram recuperar parte das sensações e controle musculares dos membros inferiores — em alguns casos retomando até mesmo a vida sexual de alguns.

Após uma série de treinamentos com os dispositivos cérebro-máquina, por doze meses, quatro dos pacientes melhoraram seu status de paralisia completa ou quase completa para paralisia parcial, na qual existe sensação tátil e controle muscular, mesmo que sem força para se manter em pé sem auxílio externo.

Em um vídeo no Facebook, Nicolelis comenta: “penso que esses resultados são únicos e levantam a hipótese de que no futuro as interfaces cérebro-máquina podem não ser somente uma tecnologia assistiva para restaurar a mobilidade. A combinação das interfaces cérebro-máquina pode levar a um novo tratamento. ”

A fala de Nicolelis, embora otimista, ainda é contida. Há muito chão pela frente. Em entrevista ao site Motherboard, ele comenta que ainda não é o momento em falar em cura. “Eu não falaria em cura porque é prematuro, bem prematuro”, diz. “Mas só de você ter uma terapia para uma moléstia que até hoje não tinha terapia é um passo significativo”, afirma.

Como foi o processo para ajudar os pacientes com paralisia a se recuperarem

Além das ferramentas de interface cérebro-máquina, os pesquisadores utilizaram eletroencefalógrafos, óculos de realidade virtual, exoesqueletos e mecanismos de auxílio à locomoção. Além disso, foram meses de fisioterapia, neuro-reabilitação, acompanhamento psicológico e médico.

Nicolelis acredita que, anatomicamente falando, muitas das fibras da medula não foram destruídas, apenas permaneceram desacordada durante anos. O que seu tratamento fez foi despertá-las.

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Os pacientes usavam um avatar em ambiente de realidade virtual, ao mesmo tempo em que estavam equipados com um gorro revestido de 11 eletrodos que acompanhava sua movimentação. O exoesqueleto causava sensações táteis no corpo para ajudar o cérebro a treinar. Quando seu avatar, em realidade virtual, andava na areia, por exemplo, a máquina simulava uma pressão diferente em seus pés, para que o cérebro tentasse reconhecer a diferença e sentisse que ele está se movendo sozinho, não com a ajuda de aparelhos.

A teoria de Nicolelis é que esse processo estimula mudanças no cérebro, mas também na medula espinhal. Embora a hipótese não tenha sido provada, os resultados vão nesse caminho.

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