Seu cachorro de raça pode não ser um cão de verdade
Cachorro de raça
Foto: Istock/Getty Images
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Porque seu cachorro de raça pode não ser um cão de verdade

Camila Luz em 16 de novembro de 2016

Se seu melhor amigo do mundo animal é o pug, labrador, lulu da pomerânia ou o poodle que vive na sua casa, esse artigo é para você. O cachorro de raça é considerado puro, o “cão de verdade”, enquanto o vira-lata é o mestiço sem pedigree que vive nas ruas. Porém, recentemente, o site Nautilus fez uma análise da evolução da espécie e, por isso, questiona essa ideia.

Durante muito tempo, acreditou-se que se as raças puras pudessem cruzar livremente, todos os cães do futuro seriam mestiços, de tamanho médio e pelo curto. Ou seja, não seriam “cachorros de verdade”. Mas segundo o artigo, animais selvagens, ou vira-latas que vivem nas ruas, podem ser os cães de verdade. Eles teriam passado pelo processo da seleção natural e evoluído, diferente do cachorro de raça selecionado pela ação humana.

O cachorro de raça é fruto da seleção artificial

Em Pemba, uma cidade de Moçambique, todos os cães têm características físicas similares – e nunca viram um cachorro de raça na vida. As raças seriam resultado do que Darwin chamou de seleção artificial, que contrasta com a seleção natural.

Foto: Istock/Getty Images

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A seleção artificial acontece quando seres humanos selecionam características específicas ao isolar sexualmente machos e fêmeas. Essa manipulação se tornou relativamente fácil de se fazer após avanços recentes da ciência, o que explica por que há tantas raças puras surgindo na história moderna. Assim, a seleção artificial possibilitou a criação da maioria dos cães de raça.

Segundo o Nautilus, o cachorro de raça corresponde a 15% da população mundial de cães. Se todos eles fossem soltos na natureza, provavelmente não sobreviveriam, pois não estão adaptados a diferentes nichos ecológicos. Morreriam de fome ou simplesmente desapareceriam através do cruzamento com vira-latas e selvagens.

O vira-lata, ou “cão de vila”, como o Nautilus o classifica, não seria uma mistura de raças puras, e sim o animal que evoluiu naturalmente por conta própria, sem o controle reprodutivo feito em laboratório. Também não é um fugitivo de donos irresponsáveis. É uma espécie natural que vive perto dos homens, encontra sua própria comida e continua sua linhagem tranquilamente sem intervenção humana.

Espécie adaptada

Pela análise do Nautilus, o cachorro é uma espécie de mamífero que está adaptada ao seu próprio ambiente. O cão evoluiu para um novo nicho quando o homem migrou da caça e da coleta para a agricultura. Os resíduos alimentares dessa atividade compõem uma reserva que suporta os vira-latas. Antes dessa era, a espécie não existia ou tinha características diferentes e estava adaptada à outro tipo de meio.

Quando uma forma evolui para outra, o darwinismo assume que essa nova forma é a adaptação para um novo nicho. Esse ambiente traz outras fontes de comida e locais ideais para reprodução e criação de filhotes, onde os perigos não são suficientes para dizimar a espécie.

Darwin aponta que mais animais nascem onde há comida para alimentá-los. Em outras palavras, para muitas espécies, o custo de se adaptar será maior do que o benefício, pois será preciso procurar pela presa, caçá-la e matá-la para sobreviver. Esses bichos morreriam de fome e não se reproduziriam.

Mas certas espécies se adaptam tão bem que os benefícios superam os custos de adaptação. Filhotes de cães precisam de 1.000 calorias por dia para que seu desenvolvimento ocorra de forma saudável. Além disso, bebês com menos de 10 semanas já estão aptos a procurar por comida. Na Cidade do México, eles começam a cavar em lixões assim que desmamam.

Já outra espécie similar, o lobo, precisa de 2.500 calorias por dia e só está apto a caçar sozinho após os dois anos de idade. Ou seja, o cachorro precisa de apenas 3,5% das calorias que o lobo precisa para chegar ao ponto de buscar sua própria comida. Quem tem mais chance de sobreviver? O animal que necessita de muito alimento para se desenvolver e perseguir manadas, ou o que pode buscar comida no lixão quando ainda tem poucos dias de vida?

O bom animal de estimação

Vira-latas que se alimentam em lixões gastam, na verdade, pouquíssima energia para encontrar comida. Eles não precisam caçar e nem mesmo matar a presa: apenas esperam que a comida seja despejada no local. Como o ser humano infelizmente desperdiça muito alimento e produz grandes quantidades de lixo, os cães estão garantidos.

É esse característica de esperar a comida ser entregue que faz do cachorro um ótimo animal de estimação. O seu nicho é justamente obter alimento a partir do que o ser humano produz. E por que os cães são tão legais com as pessoas? Porque são sua fonte de alimento.

No entanto, seu cachorro de raça provavelmente não sobreviveria em um lixão. O pug, labrador, lulu da pomerânia ou poodle teria de competir com o vira-lata que está muito melhor adaptado. Caso dois animais cruzassem, os filhotes provavelmente seriam mais semelhantes ao que evoluiu e se adaptou naturalmente.

No final das contas, o que importa é que todos eles —  cães de raça ou vira-latas — são nossos companheiros e merecem carinho, atenção e um bom dono que os alimente e cuida de sua saúde.

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