Chatbots psicólogos: nova ferramenta para o tratamento mental?
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Chatbots psicólogos: nova ferramenta para o tratamento mental?

Kaluan Bernardo em 13 de janeiro de 2017

Michiel Raws é um programador do Vale do Silício. Após frequentar diversos psicólogos para tratar problemas de estresse, ele percebeu que havia uma certa quantidade de padrões nas terapias. Em 2014, encontrou Eugene Bann, outro imigrante no Vale, que estava trabalhando com algoritmos de reconhecimento de emoções. Juntos, perceberam que podiam criar sistemas de inteligência artificial, conhecidos como chatbots, voltados para a saúde mental das pessoas.

X2AI

Foto: Divulgação

A ideia de contar seus problemas para um robô, que dará respostas programadas, pode não parecer agradável para muitos. Mas a X2AI, a startup criada por Michiel e Eugene, aposta que os chatbots podem ser importantes e potentes ferramentas para as pessoas.

Há, inclusive, alguns argumentos que podem testemunhar a favor de um chatbot psicólogo. O primeiro é o fato de não ser um humano, pois pode ser que as pessoas se sintam mais a vontade para falar determinadas questões. Outro é que, com a utilização de deep learning, o sistema pode identificar padrões nas angústias de alguém e procurar por conselho mais eficientes.

É claro que isso tudo fica no campo teórico. Na prática, ainda não é possível saber se, de fato, um robô consegue superar a percepção humana ou mesmo o raciocínio de um psicólogo na hora de ajudar alguém. Como a tecnologia é nova, ainda não há estudos sobre.

Com isso, por razões legais e éticas, o que a X2AI oferece não é um tratamento, mas apenas ajuda e suporte. “Se você alega que está tratando as pessoas, então você está praticando medicina”, diz Michiel à revista New Yorker. “É necessário muito mais evidência até que você possa afirmar isso confiante”, conclui.

Apesar disso, os chatbots psicólogos podem ajudar muitas pessoas onde é necessário e onde alguns profissionais humanos sofrem para conseguir atuar: nas zonas de conflito.

Por que chatbots podem ser importantes em zonas de conflito

A X2AI tem uma série de chatbots para ajudar pessoas. Um deles é a Emma, uma que fala em holandês e ajuda indivíduos com ansiedade e medo; outra é a Nema, uma que fala em inglês e auxilia crianças com diabete; a Tess é uma que trabalha com técnicas de terapia cognitiva comportamental. Há outros ainda sendo desenvolvidos para ajudar vítimas de violência criminal no Brasil e soropositivos na Nigéria. Mas o mais conhecido talvez seja o Karim, que é usado para ajudar refugiados sírios.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, quase três quartos dos refugiados sírios têm algum tipo “comportamento problemático”, como nervosismo excessivo, choro constante, isolamento e problemas para dormir. Desses com dificuldades psicológicas, apenas 13% receberam algum tipo de acompanhamento.

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Parte do problema vem das dificuldades de encontrar psicólogos que acompanhem essas pessoas. Afinal, seria necessário treinar centenas de profissionais para conhecer a cultura da população, ensinar árabe a eles e levá-los aos campos de refugiados ou áreas de conflito. No entanto, sistemas de inteligência artificial como Karim podem facilmente serem programados para atender tal população. Não precisam de passagem de avião, alimentação, proteção ou salário — podem chegar a qualquer um com um celular, seja por aplicativo ou por mensagens de texto.

A X2AI testou o sistema com sessenta sírios, a maioria homens e meninos das mais diversas idades. Segundo a New Yorker, muitos se sentiram reticentes em falar com o sistema, achando que as mensagens poderiam ser interceptadas por governos ou organizações, apesar de a empresa ter redes de segurança para proteger os diálogos. Além disso, o sistema não conseguiu oferecer traduções precisas em árabe. Apesar disso, os responsáveis pela empresa disseram que as crianças se sentiram mais livres para falar com a inteligência artificial, que as acolheu.

“Nós deixamos eles falarem sobre coisas superficiais primeiro — que filmes eles gostam, por exemplo. Então, lentamente, e de acordo com as respostas e como suas emoções são interpretadas por nós, Karim começa a sutilmente fazer perguntas mais pessoais”, explica Eugene ao jornal The Guardian.

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