Cientistas criam vacas geneticamente modificadas resistentes a doença mortal
edição de genes
Foto: Istock/Getty Images
Inovação > Saúde

Cientistas criam vacas geneticamente modificadas resistentes a doença mortal

Emily Canto Nunes em 3 de fevereiro de 2017

Usando a mais eficaz ferramenta de edição de genes do momento, chamada CRISPR, pesquisadores da Northwest A&F University, na China, conseguiram diminuir a incidência de tuberculose bovina em vacas. Os cientistas inseriram um gene que está associado à resistência à tuberculose em 20 vacas e, destas, 11 vacas viveram mais de três meses viveu e mostraram ter maior resistência à tuberculose em relação ao seus pores não modificados.

A tuberculose bovina é uma doença que afeta vacas, mas também pode ser transmitida aos seres humanos e a outros animais. A doença está controlada em grande parte dos países, mas ainda há casos de mortes devido à tuberculose bovina em países em desenvolvimento.

A técnica CRISPR-Cas9 tem sido amplamente estudada e aplicada em um bom número de estudos conforme ressalta o site Futurism, mas está longe de ser o método mais eficiente e mais barato que temos de inserir ou editar locais específicos do genoma de um organismo. A equipe chinesa, no entanto, criou uma nova versão dessa técnica que é potencialmente mais segura. Ao invés de cortar as duas cadeias de DNA, o método chinês insere um gene no local desejado do genoma da vaca em um único recorte dentro de uma única cadeia de DNA.

LEIA MAIS
Cientistas utilizam edição genética para combater superbactérias
LEIA MAIS
Técnica de edição de genes para tratar câncer é testada em humanos

De acordo com Suk See De Ravin, do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, que não estava envolvido no estudo chinês, a pesquisa traz importantes avanços. Ela não só demostra a capacidade da ciência de criar animais com maior resistência a infecções, como mostra que com essa técnica de edição de genes poderia reduzir drasticamente o uso excessivo de antibióticos na criação das vacas e, é claro, de outros animais que são consumidos por seres humanos.

Além disso, o gene inserido parece já ser encontrado naturalmente em algumas vaca segundo disse Chuck Sattler, vice-presidente de programas genéticos da empresa de crianças de vaca Select Sires ao site Futurism. A técnica CRISPR simplesmente fez essas mudanças, que já ocorrem naturalmente, acontecerem mais rápido,e de forma mais específica.

Uma vez  resistentes à tuberculose, essas vacas transgênicas poderiam reduzir a transmissão da tuberculose pelo leite, um problema que persiste nos países em desenvolvimento.

Edição de genes em animais e a FDA

Seja para salvar os humanos ou os próprios animais, os biohackers estão mesmo de olho na edição de genes. David Ishee, segundo a publicação Technology Review, do MIT, é um desses interessados em mudar o DNA dos dálmatas para que os simpáticos animais brancos com pintas pretas não sofram de algumas doenças hereditárias como hiperuricemia.

Foto: Istock/Getty Images

Utilizando de outras técnicas que não a edição de genes, os seres humanos têm moldado o DNA de cães por milênios. Foi com o dedo do homem que as pintas em dálmatas foram produzidas, assim como o focinho achatado do pug, e também alguns dos graves problemas de saúde que surgiram em certas raças. Alguns bulldogs não conseguem sequer dar à luz sem assistência de hum humano. “Os cães têm mais doenças genéticas do que qualquer outra espécie no planeta”, diz Ishee. “Isso somos nós, nós fizemos isso”, completa.

Segundo ele, o problema é que os dálmatas de raça carecem de uma cópia funcional de um gene necessário para limpar o ácido úrico, que causa pedras que podem bloquear a uretra e levar a uma explosão da bexiga. Depois de vários séculos de endogamia, não há um único cão da raça dálmata com uma cópia normal do gene. Até seria possível conseguir o gene saudável por meio do cruzamento de um dálmata com outro cão, mas isso acabaria com a raça pura que os criadores de cães tanto protegem.

Até o momento, no entanto, assim como no caso das vacas modificadas, a Food and Drug Administration (FDA) se opõem ao movimento. Nesse início de ano a agência dos Estados Unidos divulgou uma nova proposta para regular bovinos, suínos, cães e outros animais modificados por edição de gene, mas nada está permitido  oficialmente ainda. De acordo com a nova proposta, a edição de genes em animais será vista como uma droga veterinária. Isso significa que, assim como uma nova pílula, cães editados não podem ser vendidos, ou mesmo doados,  antes que seja provado que eles são seguros e funcionais como se espera, algo que criadores como Ishee enxergam como um processo burocrático, caro e demorado.

“Agora que a tecnologia existe, temos a obrigação ética de fazer algo sobre os problemas genéticos que criamos”, diz Ishee. “É uma doença horrível, todos eles têm, e ninguém parece estar disposto a corrigir”, desabafa.

Gostou deste post? Que tal compartilhar:
ESCOLHA DO EDITOR
Últimos
Trend Tags
Array ( [0] => 205 [1] => 76 [2] => 12 [3] => 237 [4] => 97 [5] => 249 [6] => 222 [7] => 62 [8] => 157 [9] => 276 [10] => 259 [11] => 86 [12] => 267 [13] => 94 [14] => 68 [15] => 16 [16] => 167 [17] => 115 [18] => 186 [19] => 17 [20] => 102 [21] => 173 [22] => 238 [23] => 175 [24] => 92 )
Vídeos
Copyright © 2016 Free the Essence