Colírio criado por brasileiros pode prevenir perda de visão por diabetes
perda de visão
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Colírio criado por brasileiros pode prevenir perda de visão por diabetes

Pedro Katchborian em 10 de outubro de 2016

A UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas) e a FCM (Faculdade de Ciências Médicas) anunciaram recentemente o desenvolvimento de uma inovação que pode ajudar no tratamento de pessoas com diabetes. Trata-se de um colírio que pode prevenir a retinopatia diabética, também conhecida como RD, complicação da diabetes que pode levar a perda de visão.

A doença é causada por alterações neurais e vasculares na retina, decorrentes das altas taxas de glicemia. É uma das maiores causas da redução visual entre adultos, podendo até levar a cegueira total.

mulher aplicando colírio em idoso

Foto: Istock/Getty Images

Para Jacqueline Mendonça Lopes de Faria, pesquisadora da FCM que esteve no estudo, a vantagem do achado é o fato de não ser invasivo. “Por ser tópico não implica em riscos e cria uma barreira contra as alterações neurodegenerativas que afeta os diabéticos”, disse para a Agência Brasil.

O tratamento da retinopatia diabética costuma ser feito de maneira invasiva, como a fotocoagulação com laser ou cirurgia. Para os pesquisadores, o colírio também pode ajudar no tratamento de outros problemas que envolvem perda de visão, como o glaucoma.

O colírio é resultado de mais de 20 anos de pesquisa para entender o mecanismo de ataque das células nervosas e de irrigação sanguínea no tecido ocular. Jacqueline explica que a diabetes pode afetar diferentes órgãos pela hiperglicemia (excesso de açúcar no sangue). Em 40% dos casos, a doença acaba afetando a retina. “Isso ocorre, muitas vezes, justamente no momento em que a pessoa está em idade ativa”, completa.

Os testes em laboratório com roedores comprovaram que o colírio é eficaz no tratamento. Antes de ser transformado em medicamento, o remédio precisa ser submetido à fase clínica de testes, com ensaios em seres humanos. Agora as universidades buscam farmacêuticas interessadas em financiar os testes e a produção do colírio.

Além da diabetes:  a tecnologia contra a perda de visão

Enquanto a medicina tradicional evoluí cada vez mais na busca de combater a perda de visão, a tecnologia tenta acompanhar essa evolução e contribuir para o problema.

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O avanço tecnológico tem permitido pesquisas que tem objetivos ambiciosos. Um projeto chamado End Blindness 20/20 oferece US$ 3 milhões em ouro para quem conseguir arranjar uma cura para a maioria dos tipos de cegueira. Técnicas com edição de genes ou células-tronco têm se mostrado promissoras para cumprir esse objetivo em um futuro próximo.

Outros pesquisadores querem envolver mais a tecnologia para acabar com a perda de visão. Pesquisadores estão trabalhando nas chamadas retinas biônicas, que são micro-chips que substituem as células defeituosas nas retinas.

O leque de opções é amplo. A inteligência artificial também pode ter um papel importante na luta contra a cegueira. A DeepMind, inteligência artificial da Google, está trabalhando com o Moorfields Eye Hospital, em Londres, para tentar encontrar sinais precoces de doenças oculares.

O hospital está aplicando os algoritmos da inteligência artificial em um milhão de exames de tomografia de coerência óptica (OCT na sigla inglês). O objetivo é determinar se tal algoritmo consegue identificar sinais de doenças que podem causar perda de visão quando não diagnosticadas de maneira precoce: a degeneração macular e a retinopatia diabética.

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