Como aplicativos querem revolucionar o sistema médico
female hand holding a white phone with health card
Foto: iStock/GettyImages
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Babylon Health: como aplicativos querem revolucionar o sistema médico

Kaluan Bernardo em 13 de outubro de 2016

Em vários países é complicado conseguir uma consulta médica – seja pelo sistema privado ou pelo público. Muitas vezes elas demoram e nem sempre o médico está em um bom dia para atender os pacientes.

Isso acontece no Brasil, mas também acontece em outros países, como no Reino Unido, tal como mostra reportagem do jornal The Guardian. E é por isso que startups estão trabalhando para tentar democratizar o acesso aos médicos.

Um dos maiores exemplos é a Babylon Health, uma startup britânica, avaliada em £ 77 milhões (aproximadamente R$ 300 milhões). A proposta da empresa é permitir que com um aplicativo em seu smartphone você faça uma consulta médica com um clínico geral.

Para usar o aplicativo, basta criar uma conta e dizer, em linhas gerais, quais são os seus sintomas, e esperar por um médico. Por vídeo, ele te ajudará no diagnóstico e dirá se você precisa de um especialista ou se pode tomar determinado remédio. A receita é enviada a você pela internet. O app cobra uma mensalidade de £ 5 (aproximadamente R$ 20) ou £ 25 (quase R$ 100) por uma única consulta.

Aplicativos de saúde podem apostar ainda mais em inteligência artificial

Serviços como a Babylon hoje apostam em médicos, mas cada vez mais devem se calcar em tecnologias como a inteligência artificial. Não é por acaso que, no início do ano, a startup levantou £ 19 milhões (aproximadamente R$ 74 milhões) para desenvolver inteligência artificial. Entre os investidores estavam nomes como Demis Hassabis e Mustafa, cofundadores da DeepMind, empresa de inteligência artificial comprada pelo Google por US$ 500 milhões (próximo a R$ 1,6 bilhão).

Ali Parsa, o fundador da Babylon, acredita que conseguirá oferecer consultas 100% automatizadas até o próximo ano. “Eu confiaria mais em uma máquina do que em um humano em qualquer dia da semana – na verdade eu já faço isso”, diz ao Guardian. E mais:

As máquinas não ficam cansadas, não ficam nervosas, não são pressionadas porque há 20 pessoas na fila.

“Uma máquina aprende cada vez que um diagnóstico é feito. Um médico pode fazer 7 mil consultas. Uma máquina fará milhares de vezes mais. E à medida que aprender, tudo evoluirá. Então eu acredito que faremos algo mais preciso do que um humano”, diz.

Em um desafio proposto pela própria startup, um algoritmo, uma enfermeira experiente e um médico recém-formado tiveram que diagnosticar pacientes. O Guardian diz que o aplicativo acertou 92% dos casos, enquanto médico 82% e a enfermeira 77%.

Ele cita ainda, como exemplo, o fato de, em 2015, terem sido publicados 11 mil estudos sobre dermatologia. “Quantos dermatologistas leram isso?”, questiona, dizendo que os robôs podem se atualizar com mais facilidade que os médicos humanos.

É claro que tais tipos de serviços também causam polêmicas. Detratores dizem que eles podem “roubar” médicos dos hospitais e oferecer um serviço de má qualidade

“Clínicos gerais trabalhando nessas empresas provavelmente farão mais dinheiro e terão uma carreira menos estressante. No entanto, os pacientes não irão se beneficiar”, diz Maragret McCartney, clínica geral na Inglaterra e autora de livros sobre medicina.  Ao Guardian, ela defende que pessoas com problemas mais complexos de saúde ou necessidade de tratamento contínuo, esses aplicativos não darão conta. E aí haverá menos médicos nos hospitais.

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