Como o faça você mesmo está chegando aos biohackers
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Foto: Istock/Getty Images
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Como o faça você mesmo está chegando aos biohackers

Kaluan Bernardo em 17 de junho de 2016

Se no passado o processo de editar o DNA exigia milhões de dólares, equipamentos de ponta e uma equipe de experts, hoje é possível fazer isso em laboratórios caseiros, sozinho e com conhecimentos básicos de biologia. Os biohackers não são mais tema de ficção científica, mas sim parte cada vez mais comum da nossa realidade.

Graças a tecnologias como o CRISPR-Cas9, biólogos amadores conseguem editar os genes de bactérias e até de células humanas. E gastando pouco. Nos EUA, há um biofísico que vende o pacote básico para edição de DNA, com recursos limitados, por apenas US$ 120.

O CRISPR-Cas9 é uma nova técnica de edição de genoma que permite cientistas modificarem códigos genéticos de forma simples, eficiente e barata. Utilizando um sistema de proteção das próprias bactérias, a técnica permite cortar pedaços do DNA e inserir novas informações de acordo com a programação.

O futuro dos biohackers com o faça você mesmo

A técnica de edição de DNA promete um futuro promissor: há mais de seis mil doenças causadas por mutações genéticas — sendo que, hoje, apenas 5% delas podem ser tratadas. Ao democratizar o acesso de cidadãos à genética, é possível que as soluções para tais problemas surjam mais rapidamente.

muitos tubos de ensaio e homem escrevendo em folha

Biólogos amadores conseguem editar os genes de bactérias até células humanas. Foto: Istock/Getty Images

O CRISPR, no entanto, é só a ponta de um iceberg no mundo dos biohackers. Diversas outras técnicas e experimentos estão se tornando mais fáceis e acessíveis para cientistas amadores. Em setembro de 2015, por exemplo, Feng Zhang, cientista do MIT, nos EUA, publicou um estudo falando sobre o uso da enzima Cpf1 para a edição de DNA. A novidade promete ser mais simples e efetiva que a Cas9, usada com o CRISPR.

Se continuarmos evoluindo rapidamente, um dia provavelmente poderemos ir além da edição de DNA e começar a sintetizar, do zero, um genoma. Será uma nova era, com muito poder em mãos humanas. Se a tendência de democratizar o acesso a tais tecnologias continuar, esse poder estará na mão de biohackers amadores, e não só de governos e das grandes corporações.

As controvérsias do movimento faça você mesmo entre os biohackers

Hackear uma célula viva é bem diferente de hackear um sistema de computador. As consequências também podem ser um tanto variadas. Em 2015, utilizando a técnica CRISPR-Cas9, cientistas chineses fizeram alterações genéticas em embriões humanos. Antes, a tecnologia também foi usada para evitar a infecção do HIV em células humanas e para criar macacos com mutações programadas.

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Nesse caso, as alterações foram feitas por cientistas profissionais. Mas levantou o alerta da comunidade científica. A revista Nature rapidamente alertou sobre os riscos de editar o DNA de embriões. Segundo a publicação, a alteração de uma parte do código genético pode danificar, permanentemente, muitos outros trechos do gene daquele embrião. Outras consequências poderiam se manifestar apenas em futuras gerações — criando um novo problema genético transmitido hereditariamente.

Em artigo à Singularity Hub, o pesquisador indiano Vivek Wadhwa fala sobre outros pontos sensíveis na edição amadora de DNA. Um potencial risco é alguém desenvolver uma “cura”, distribuir a milhares de pessoas e, depois, descobrir que há efeitos colaterais no gene.

Ainda estamos falando de biohackers bem intencionados. Se considerarmos que a tecnologia pode cair na mão de qualquer pessoa com más intenções, as consequências podem ser ainda mais desastrosas. Alguém poderá alterar o genoma da gripe, por exemplo, para tentar deixá-la mais poderosa.

No entanto, esse ainda não parece ser um assunto tão próximo. Apesar de técnicas de edição de DNA e biohackers amadores evoluírem rapidamente, a tecnologia ainda é um tanto limitada. O CRISPR, por enquanto, permite que cientistas amadores façam apenas pequenas alterações.

Todd Kuiken, que estuda políticas da ciência em Washington, disse à revista Nature que, por enquanto, só é possível utilizar a tecnologia para coisas simples. Segundo ele, as pessoas tendem a superestimar o que um biohacker pode fazer.

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