Por que consumir menos calorias pode ajudar a proteger o cérebro
Healthy Fruit Salad
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Por que consumir menos calorias ajuda a proteger o cérebro

Kaluan Bernardo em 9 de outubro de 2016

Quanto mais um animal come, menos ele vive. Isso é algo que pesquisadores observam desde 1930, quando perceberam que camundongos com dietas menos calóricas tinham menos doenças associas ao envelhecimento. Como Dráuzio Varella mostra em seu site, diversos estudos com camundongos haviam mostrado que a expectativa máxima de vida é inversamente proporcional ao número de calorias ingeridas diariamente.

Além disso, ao longo dos anos, cientistas perceberam também que, embora o exercício físico evitasse que os ratos morressem antes, ele não necessariamente fazia suas vidas durarem mais do que o limite esperado. Outros estudos, também com camundongos, revelaram que é a quantidade de calorias, não a quantidade de gordura ingerida, que ajuda a prolongar a vida.

Diante de tais conclusões, há anos, pesquisadores testam os efeitos em pessoas. Dráuzio Varella explica que a regra é comum em diversos seres e é muito provável que funcione de forma semelhante nos humanos.

Como controlar a dieta de uma pessoa e acompanhar todas as variáveis humanas é muito mais complexo, os pesquisadores ainda não chegaram a resultados tão avançados sobre os efeitos de dietas na longevidade humana. No entanto, em outubro de 2016, cientistas da USP deram um importante passo em entender como é o processo pelo qual a restrição de calorias influencia na longevidade.

Qual a relação entre redução de calorias e longevidade

Em um experimento conduzido com ratos, cientistas da USP descobriram que a restrição calórica combate um fenômeno chamado excitotoxicidade, que mata neurônios e causa doenças como Alzheimer e Parkinson.

A investigação foi conduzida pelo Centro de Pesquisa de Processos Redox em Biomedicina (Cepid Redoxoma), do Instituto de Química da USP. Os resultados foram publicados na revista Aging Cell. Foi fruto de um projeto de pós-doutorado de Ignacio Amigo, sob a supervisão da professora Alicia Kowaltowski, também da USP.

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No experimento com camundongos, os pesquisadores perceberam que, quando os animais comiam menos, sua atividade de cadeia mitocondrial, que transporta elétrons, aumentava as defesas antioxidantes e favoreciam a captação de cálcio — favorecendo o cérebro contra a excitotoxicidade.

Os camundongos foram separados em dois grupos. Um foi mantido com uma restrição de calorias de 40% durante 14 semanas, enquanto o outro foi alimentado sem limites. Os animais receberam injeções de ácido kaínico, que provoca convulsões, dano e morte das células neurais — o objetivo era testar a reação deles à excitotoxicidade. Os ratos que foram mantidos na dieta não tiveram convulsões.

Em mais uma série de testes, eles entenderam que a mitocôndria de um animal com restrição consegue captar mais cálcio e isso o protege da excitotoxicidade, evitando a morte neuronal. No artigo, eles explicam como a mitocôndria passa a captar mais cálcio.

Ainda há um longuíssimo caminho para testar os efeitos em humanos. Mas a descoberta dos pesquisadores ajuda a entender o mecanismo, fazendo com que possamos no futuro desenvolver medicamentos ou terapias para proteger o cérebro. No vídeo abaixo Ignacio Amigo e Alicia Kowaltowski explicam melhor a descoberta.

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