Para cientista, cura do câncer pode estar na análise de milhões de dados
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Para cientista, cura do câncer pode estar na análise de dados — muitos dados

Camila Luz em 3 de novembro de 2016

Eric Schadt não é oncologista, geneticista, químico e nem mesmo médico. Mas quer encontrar a cura do câncer. O matemático é especialista em biologia molecular e computacional e acredita que a análise de dados genéticos é a melhor resposta para chegar perto de derrotar a doença.

células cancerígenas

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A primeira “paciente” de Schadt foi uma jovem viúva, mãe de duas filhas, que lutava contra um tipo agressivo de câncer de cólon já em estado de metástase. Na época, em 2011, o cientista havia acabado de fundar o Icahn Institute for Genomics and Multiscale Bilogy (Instituto Icahn para Genômica e Biologia Multiscala), no hospital Mount Sinai, em Nova York.

Schadt não conseguiu salvar a vida da paciente. Mas observá-la morrer lentamente diante de seus olhos, enquanto tentava encontrar a cura do câncer pela análise de dados, funcionou como um estalo. “Estamos nesta curva de crescimento exponencial, onde sua mente projeta naturalmente todo o caminho para o futuro, e você pensa: ‘Nós vamos descobrir’”, diz, ao site Wired.

“No final, vamos saber o que todas essas células estão fazendo, o que todas essas perturbações fazem. A parte humilhante é que, como estamos nesta curva de crescimento, nos deparamos o tempo todo com novas complexidades que são reveladas”, completa.

Muitos dados para a cura do câncer

O especialista percebeu que seria preciso reunir conjunto de dados muito maior do que pensava. O potencial do sequenciamento genético e da medicina personalizada, combinado com o poder do processamento de dados, levou a uma compreensão mais íntima do genoma humano. Por muitas vezes, na última década, cientistas acreditaram estar perto de um milagre.

Segundo a teoria, com dados suficientes, não há doença que não possa ser tratada. Mas para Schadt, isso não é suficiente para explorar as profundezas do DNA de um indivíduo. A busca exige a análise de um universo de dados chamados exabytes, unidade de medida de informação digital que equivale a um quinquilhão de bytes.

Analisando esse universo gigante, seria possível detectar padrões em uma população e aplicar o aprendizado da máquina para encontrar a rede de mutações responsáveis pelos tumores malignos. Este grande conjunto de dados seria o modelo mais preciso para buscar a cura do câncer.

Mas como conseguir tantos dados?

O modelo é promissor, mas há um problema: coletar todos esses exabytes de dados genéticos. Afinal, cientistas não podem simplesmente chegar para milhões de pessoas e dizer: “Seus dados, por favor”. Primeiro, é preciso convencer cada um de que as informações serão aproveitadas para o bem e que não irão cair em mãos erradas.

Depois, deve-se convencer centros médicos e empresas que coletam esses dados a compartilhá-los, e não a guardá-los para benefício próprio. Por enquanto, esse volume de informação simplesmente não está disponível. Mas segundo Schadt, startups de biomedicina querem resolver esse problema de escala. E o cientista irá abrir a sua própria.

Schadt toma as rédeas

Ainda com o Icahn Institute, em parceria com o laboratório Sage Bionetworks, o cientista conduziu o estudo com maior número de dados da história. Informações de seiscentas mil pessoas foram usadas para investigar curas para doenças infantis raras, como fibrose cística e anemia falciforme.

Seiscentos mil parece impressionante, mas Schadt e seus colegas perceberam que, para que a pesquisa mostrasse resultados concretos, seria preciso colher informações de mais de um milhão de pessoas. “Precisamos de 100 Mount Sinais para atingir a escala necessária para reconhecer os padrões de dados e orientar os pacientes para diagnósticos e tratamento”, explica.

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“Nos cinco anos que estive aqui, percebi que isso simplesmente não vai acontecer dentro dos centros médicos. Eles são muito isolados, muito competitivos e não estão entrelaçados em um quadro coerente que permita o tipo de avanço que estamos vendo em quase todas as outras indústrias”, completa.

Para Schadt, a disrupção irá acontecer fora dos centros médicos. Por isso, está criando sua própria empresa de dados genéticos, a Sema4. Com sede em Nova York, será focada na aquisição e expansão de companhias que se especializam em testes genéticos, para compartilhar milhões de dados individuais.

Na plataforma pesquisável da Sema4, médicos terão acesso instantâneo a um mundo de genomas para ajudar a diagnosticar seus pacientes. Empresas farmacêuticas vão pagar para usar o sistema e encontrar populações de pacientes para ensaios clínicos. E os cientistas, por fim, munidos de computadores cada vez mais poderosos, terão dados genéticos suficientes para abastecer suas ambiciosas pesquisas.

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