Cientistas podem ter curado o HIV pela primeira vez
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Cientistas podem ter curado o HIV pela primeira vez

Kaluan Bernardo em 3 de outubro de 2016

Cientistas britânicos podem ter chegado mais perto da cura da Aids. Após fazerem uma série de testes em um paciente soropositivo, eles não encontraram mais sinais do vírus HIV em seu sangue. O paciente, de 44 anos, foi o primeiro de um grupo de 50 a passar pelo tratamento. Ainda há a possibilidade de o vírus aparecer em novos testes daqui a alguns meses.

A pesquisa é conduzida por cinco das principais universidades do Reino Unido (Oxford, Cambridge, Imperial College London, University College London e King’s College London), com apoio do Instituto Nacional de Saúde britânico. O tratamento mistura drogas antirretrovirais, vacinas e remédios para reativar os vírus dormentes.

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Os remédios antirretrovirais, que formam os coquetéis receitados a soropositivos, são eficientes em evitar que o vírus continue a se reproduzir. Mas até hoje nenhum tratamento havia conseguido eliminar o HIV completamente do corpo.

Por que o estudo pode ser um grande passo no combate ao HIV

Não é a primeira vez que tratamentos antirretrovirais “curam” a Aids e, tempos depois, a doença ressurge. Mas, segundo os pesquisadores, dessa vez há motivos para otimismo.

“Essa é uma das primeiras tentativas sérias para uma cura completa do HIV. Estamos explorando a possibilidade real de curar o HIV. Esse é um desafio enorme e ainda está nos dias iniciais, mas o progresso tem sido memorável”, comentou Mark Samuels, diretor do Escritório de Infraestrutura para Pesquisas Clínicas do Instituto Nacional da Saúde, ao jornal britânico The Sunday Times.

O HIV é capaz de se esconder do sistema imunológico em células dormentes, nas quais nem mesmo os testes modernos conseguem identificar — deixando assim o vírus resistente à terapia.

cientistas em laboratório

Foto: Istock/Getty Images

O tratamento desenvolvido pelos cientistas, no entanto, utiliza uma estratégia conhecida como “chutar e matar”.

Basicamente, a vacina impulsiona a habilidade de o sistema imune encontrar as células infectadas. Na sequência, um remédio ativa os glóbulos brancos dormentes. As células infectadas passam a produzir proteínas virais, que acabam funcionando como bandeiras para o sistema imunológico identifica-las e então ataca-las.

Se a terapia realmente se provar funcional, poderá mudar a vida das mais de 37 milhões de pessoas que sofrem com a doença no mundo.

Além de promover melhores condições de vida para os pacientes, o tratamento poderá fazer com que, em algum momento, eles não precisem mais depender de remédios.

O Instituto Nacional de Saúde do Reino Unido prevê que desenvolver a cura completa para a doença poderá trazer economias para o país, uma vez que os gastos públicos da organização para o tratamento chegam a £ 380 mil (aproximadamente R$ 1,5 milhão) por paciente.

Até hoje, a única pessoa que conseguiu ser curada do HIV foi Timothy Ray Brown, um estadunidense tratado na Alemanha, em 1995. Ele precisou de um transplante de medula óssea para substituir suas próprias células cancerígenas por células-tronco que refariam seu sistema imunológico. O médico conseguiu encontrar um doador que era naturalmente resistente à infecção do HIV devido a uma mutação genética. Assim, ele também conseguiu deixar o paciente imune e curá-lo. Mas, até então, era apenas uma exceção.

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