Conheça 4 dos grandes dilemas de ética da ciência
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Conheça 4 grandes dilemas de ética da ciência

Kaluan Bernardo em 24 de julho de 2016

Vale correr o risco de criar um novo vírus com o objetivo de curar doenças? Deveremos desenvolver interfaces de comunicação cérebro a cérebro pelo bem da ciência? E, nesse caso, quem garante que ninguém poderá hackear sua cabeça?

Essas e outras perguntas estão no fronte de novos dilemas éticos e morais com os quais a ciência deve lidar. A evolução tecnológica faz com que tais questões sejam cada vez mais atuais e possam ter um peso imensurável no nosso futuro. Para te ajudar a refletir sobre algumas delas, separamos algumas das questões que estão em discussão na ciência:

Dilemas de ética da ciência

1) Edição genética

Pesquisadores do Reino Unido estão autorizados a fazer alterações genéticas em embriões saudáveis com o objetivo de saber mais sobre as causas do aborto espontâneo e infertilidade em determinadas mulheres. Essa foi a primeira vez que um órgão governamental apoiou pesquisas com alterações genéticas e, é claro, a medida causou polêmica.

A técnica usada, conhecida como Crispr-Cas9, é uma das mais precisas e simples disponíveis hoje. Ela está democratizando o acesso ao biohacking e permitindo que cada vez mais pessoas possam editar o código genético.

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No entanto, a técnica ainda é nova e pouco sabemos sobre as consequências que poderá haver se ela for usada em humanos. Na revista Nature, pesquisadores argumentam que a alteração de partes do código genético podem também alterar o resto do gene e promover doenças e complicações. Muitas vezes, esses danos só poderão ser percebidos anos mais tarde, ou em gerações posteriores. Por outro lado, a edição genética, caso bem sucedida, pode ajudar a combatermos doenças como HIV e mutações danosas ao código genético.

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2) Colonização de Marte

A Nasa pretende começar a enviar humanos a Marte ainda em 2030. Até lá, tanto ela quanto empresas como a SpaceX farão várias viagens com astronautas que arriscarão suas vidas em nome desse sonho. Além disso, as missões são arriscadas: deixar um cosmonauta muito tempo no espaço pode implicar em sérios problemas de saúde.

No entanto, será que é válido, em nome de colonizar Marte, arriscar a vida desses pilotos? E ao chegarmos lá diversas novas questões irão surgir: é ético permitir as pessoas terem um filho em outro planeta? Se sim, quem se responsabilizará pelos riscos que aquela vida irá correr por ter nascido fora daqui? E se não for considerado ético, pessoas enviadas a Marte deverão ser esterilizadas?

ilustração de capsula red dragon em marte

Red Dragon, Space X. Foto: Divulgação

3) Comunicação cérebro a cérebro

Cientistas tentam também criar interfaces cérebro a cérebro — uma espécie de telepatia intermediada por tecnologia instalada diretamente na cabeça das pessoas. Há também a interface cérebro à máquina, que tem como um dos maiores expoentes o brasileiro Miguel Nicolelis. Além de nos permitir controlar máquinas com a mente, ela também pode ser útil para ajudar, por exemplo, paraplégicos a andarem com pernas biônicas

Apesar de, do ponto de vista comunicacional, a possibilidade soar um tanto interessante, a discussão também envolve muitas dúvidas. Como evitar que alguém possa hackear seu cérebro e ter acesso às suas memórias? Se duas pessoas tiverem uma ideia compartilhada, a quem ela pertence? Quem é responsável pelas ações tomadas em um corpo que estava recebendo sugestões de outro cérebro? Como garantir que uma pessoa não tome posse da mente de outra?

4) Vida sintética

Em 2010 cientistas conseguiram, pela primeira vez, criar vida artificial. A equipe norte-americana, liderada pelo cientista Craig Venter, gastou mais de US$ 40 milhões e dez anos de pesquisa para gerar um simples DNA artificial. Tais feitos podem ajudar pesquisadores a entenderem a origem da vida, mas também confunde as fronteiras entre natureza e criação humana. Além da questão de os cientistas “brincarem de Deus”, apontada por grupos religiosos, os genes artificiais também podem ser usados para curar o câncer ou criar vírus e armas biológicas.

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