Australianos criam droga que imita benefícios da atividade física no corpo
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Foto: Istock/Getty Images
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Australianos criam droga que imita benefícios da atividade física no corpo

Camila Luz em 25 de outubro de 2016

Cientistas australianos fizeram uma descoberta que poderá ajudar pessoas que têm sobrepeso e não praticam exercício. Eles criaram uma droga que replica um dos principais benefícios da atividade física no organismo: a redução dos problemas cardiovasculares.

O achado foi publicado este ano por pesquisadores da Universidade Deakin, de Melbourne. Pesquisas feitas em ratos obesos mostraram que após receberem a droga, os animais deixaram de mostrar sinais de problemas cardiovasculares. Os biólogos iniciaram o estudo há mais de uma década com o objetivo específico de replicar os benefícios da atividade física.

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Eles analisaram a resposta molecular do exercício no músculo. Os genes que controlam o metabolismo lipídico são ativados durante o exercício, fazendo o corpo queimar a gordura que contribui com os distúrbios do coração. A equipe descobriu qual é a proteína que mantém esse genes inativos na maior parte do tempo e foi capaz de manipulá-la geneticamente, para ativar os genes de queima de gordura.

Os testes em ratos mostraram que, por queimar gordura, a droga é eficaz em prevenir doenças cardíacas em ratos obesos. Agora, os biólogos estão remodelando a estrutura da droga para torná-la mais potente, específica e eficaz para o ser humano. Embora o teste tenha sido em animais, eles esperam que a droga esteja disponível para uso em humano em um período de cinco a dez anos.

A droga não deverá ser substituta da atividade física

A droga pode melhorar a saúde de pessoas obesas ou que sofrem de diabetes tipo 2, doença geralmente associada ao sedentarismo, sobrepeso e falta de hábitos saudáveis. No entanto, ela não substituiu todos os benefícios da atividade física. Não provoca o aumento da endorfina, por exemplo, conhecida por ser o “hormônio do bem estar”.

Além disso, os ratos que participaram do estudo não perderam peso. “Embora a droga aumente o gasto de energia e a queima de gordura, os ratos tratados comeram um pouco mais, o que significa que o peso deles permaneceu estável”, disse Sean McGee, um dos responsáveis pela pesquisa, ao site Quartz.

No entanto, ela poderá beneficiar grupos de pessoas que devem se exercitar, mas não podem por fatores como idade ou algum tipo de distúrbio. “Pode ser usada como substituto do exercício em idosos, ou como motivação para colocar pessoas em um programa de exercícios”, disse McGee ao site australiano News, que reúne notícias de diferentes portais do país.

Só o que os pesquisadores não querem é que a droga seja usada como alternativa por pessoas que simplesmente não se incomodam em praticar exercícios.

Imitar outros benefícios da atividade física no futuro

Em outro estudo publicado também este ano, pesquisadores da Universidade de Sidney (Austrália) compartilharam detalhes do que eles descreveram como um “avanço” em desconstruir o que acontece dentro do corpo humano durante o exercício.

Foto: Istock/Getty Images

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Os cientistas pediram a quatro homens sedentários, porém saudáveis, que se envolvessem em exercícios de alta intensidade por 10 minutos. Eles foram submetidos a uma técnica conhecida como “espectrometria de massa”, que analisa como a atividade física afeta a atividade proteica no corpo todo.

Os pesquisadores descobriram que a atividade física intensa de curta duração desencadeia mais de 1.000 mudanças no corpo. A maioria das descobertas feitas ainda não haviam sido associados ao exercício.

“O exercício produz um conjunto extremamente complexo de respostas dentro do músculo humano”, disse o Dr. Norlan Hoffman, em artigo divulgado pela própria Universidade de Sidney. “Ele desempenha um papel essencial no controle do metabolismo energético e na sensibilidade à insulina”.

Cientistas já previam que o exercício pudesse causar tantas alterações no organismo, mas essa foi a primeira vez que conseguiram mapear exatamente o que acontece. A descoberta poderá abrir caminho para criar novas drogas que imitem os diversos benefícios da atividade física no corpo humano.

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