Droga que poderá combater Alzheimer entra em fase final de testes
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Foto: Istock/Getty Images
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Droga que poderá combater Alzheimer entra em fase final de testes

Camila Luz em 4 de novembro de 2016

Pesquisadores estadunidenses podem estar mais perto de combater o Alzheimer. Nova droga poderá impedir a formação da proteína beta-amiloide no cérebro, considerada uma das principais causas da doença. O medicamento entrou em fase final de testes clínicos e traz consigo a esperança de funcionar como o primeiro tratamento eficaz contra a doença.

Os resultados positivos dos primeiros testes foram publicados na revista Science Translational Medicine em novembro deste ano. A equipe, formada por pesquisadores do Mark Research Laboratories (EUA), afirma ter testado a droga verubecestat em humanos e animais. O medicamento teria o efeito de um “inibidor potente” na produção de placas amilóide — emaranhados da proteína causadora do Alzheimer.

Segundo o estudo, a  droga também parece causar efeitos secundários “relativamente benignos”. Para comprovar a eficácia, efetividade e segurança do método, os pesquisadores irão testar várias doses do remédio em cerca de 1.500 pacientes durante a fase final. Todos eles apresentam transtorno cognitivo leve causado pelo Alzheimer.

A provável causa do Alzheimer

Os principais sintomas do alzheimer são perda de memória, confusão, ansiedade, agitação, desconfiança, alteração da personalidade e dificuldade em reconhecer pessoas próximas.

Em casos mais avançados, a doença causa alucinações, dificuldades de comunicação e incapacidade de realizar tarefas básicas, como tomar banho ou se alimentar.

Para os cientistas, os efeitos no cérebro são causados pelo formação das placas amilóide. Em certas condições, elas são tóxicas aos neurônios e causam uma mortandade em massa.

Pessoas que desenvolvem a doença têm produção exagerada da molécula que funciona como matéria-prima da beta-amilóide, a APP. Em alguns casos, há ainda a  falta de degradação da molécula, ou seja, o organismo não faz a “reciclagem natural”, causando acúmulo da proteína.

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O verubecestat tem a capacidade de interferir no processo feito pela APP para produzir a beta-amilóide. Seu efeito seria gerar a proteína em menor quantidade. A droga poderia ser administrada aos pacientes por via oral uma vez ao dia e reduziria a formação das placas no cérebro.

De acordo com o estudo, o medicamento seria mais efetivo em pacientes que estão em estágios iniciais da doença. A concentração de amilóide no cérebro começa muitos anos antes do Alzheimer ser diagnosticado. Portanto, quanto mais tarde for feito o diagnóstico, menores serão as chances de retardar seu desenvolvimento.

Controvérsias e esperanças

Se o medicamento funcionar, cientistas serão capazes não só de tratar o Alzheimer, mas também de provar que as placas amilóide são a verdadeira causa da doença.

Em outro estudo publicado pela revista Nature em agosto deste ano, pesquisadores afirmaram ter criado uma droga capaz de eliminar as placas amilóide do cérebro. Mas o professor Gordon Wilcock, da Universidade de Oxford (Inglaterra), alertou para uma controvérsia: outras drogas com o mesmo efeito já foram testadas e falharam na fase final, segundo o site Independent.

Foto: Istock/Getty Images

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No entanto, os cientistas por trás do verubecestat estão confiantes e mostram resultados animadores. Eles reportaram que o remédio alcançou mais de 90% de redução das placas amilóide em ratos e macacos. Esse efeito foi similar em humanos.

Em entrevista ao Independent, Clare Walton, gerente de pesquisas da Alzheimer Society (Reino Unido), defendeu o estudo divulgado em novembro. “Placas amilóide são marca chave do Alzheimer. Os esforços mais recentes para encontrar novos tratamentos para a doença são focados em reduzir a produção de amilóide ou limpar as placas que já existem no cérebro”, disse.

“Este estudo descreve nova droga que reduz a produção de amilóide em pessoas com demência e, o mais importante, parece ser mais segura do que outros medicamentos similares já testados”, completa. Segundo Walton, os achados da pesquisa abriram caminho para testes clínicos muito maiores do que os que estão em andamento. “Nós estamos muito ansiosos com os próximos resultados”, concluiu.

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