Como a edição de genes poderá salvar muitas vidas em breve
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Como a edição de genes poderá salvar vidas em breve

Pedro Katchborian em 9 de agosto de 2016

Genes, clones e organizações secretas: quem assiste a popular série “Orphan Black” acaba entrando no mundo da biotecnologia sem querer. Por mais ficção científica que pareça, o programa tem muita ciência considerada correta em sua trama e até a edição de genes, um dos mais ousados tópicos, tem sua dose de verdade. Inclusive, o tema tem sido muito debatido recentemente por causa da Editas, empresa especializada em edição de genes.

Utilizando uma tecnologia chamada CRISPR/CAS9, método que possibilita a edição do DNA de forma precisa e mais fácil do que de outras maneiras, a Editas ficou popular nos últimos anos e arrecadou milhões em investimento. Agora, finalmente é hora de utilizar a tecnologia para combater doenças: como relata o MIT Technology Review, as pesquisas da Editas tem como alvo combater doenças oculares, câncer, anemia e outros problemas de saúde.

máquina com agulha colocando substancia dentro de tubos de ensaio

Foto: Istock/Getty Images

A técnica CRISPR/CAS9 permite que cientistas façam microcirurgias em genes, modificando uma sequência de DNA em locais exatos de um cromossomo. Essa terapia pode tornar o tratamento de problemas genéticos mais abrangente, factível e viável.

A maioria dos tratamentos com edição de gene consiste em colocar material genético em um lugar aleatório da célula. Em contraste, a tecnologia da Editas permite editar e deletar partes de DNA. Os testes em humanos devem acontecer até 2017, mas pesquisas iniciais mostraram sucesso preliminar em casos de fibrose cística e HIV. A ideia dos testes preliminares é editar os genes de pessoas sofrendo de uma rara doença degenerativa que causa cegueira.

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Esse tipo de inovação surgiu em 2012 e, desde então, a Editas tem animado investidores, que depositam sua fé — e seu dinheiro — na empresa. Segundo o Technology Review, a companhia tem US$ 200 milhões em caixa, que são suficientes para durar dois anos. Para Jim Flynn, diretor da Deerfield Management, empresa que investiu na Editas, o tratamento tem sido discutido da seguinte maneira:

“Há pessoas que acreditam que no futuro olharemos 10 anos para trás e veremos um marco: antes da edição de genes e depois”.

Além da Editas, outras empresas também começam a investir no mercado da tecnologia CRISPR como a Intellia Therapeutics e a CRISPR Therapeutics.

As questões éticas na edição de genes

Assim como a polêmica de “Orphan Black”, a edição de genes também pode causar problemas éticos na vida real. Uma preocupação dos cientistas é que a tecnologia CRISPR possa ser utilizada para modificar embriões humanos. Apesar da Editas não estar trabalhando nisso, discussões sobre o assunto tem sido recorrentes entre os pesquisadores.

Os estudiosos mostraram que a edição de genes pode reescrever sequências de DNA em embriões de ratos e camundongos. Além disso, pesquisadores chineses já relataram que criaram macacos geneticamente modificados utilizando o CRISPR. Isso significa que o genoma de uma pessoa poderia ser editado antes do nascimento, ou até antes da concepção, caso as mudanças sejam feitas nos ovários ou nas células que produzem esperma.

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