Técnica de edição de genes para tratar câncer é testada em humanos
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Técnica de edição de genes para tratar câncer é testada em humanos

Camila Luz em 17 de novembro de 2016

Pesquisadores chineses são os primeiros a injetar genes editados em um ser humano. O grupo, liderado pelo oncologista Lu You, da SiChuan University, usou a técnica CRISPR/Cas9 em um paciente com câncer de pulmão agressivo.

As células modificadas foram aplicadas no paciente em 28 de outubro, como parte de um teste clínico realizado no West China Hospital, na cidade de Chengdu. O estudo promete ter sucesso, já que ensaios clínicos recentes usando edição de genes com essa nova técnica mostraram resultados eficientes.

A CRISPR é mais simples e eficiente do que outras técnicas. Segundo o cientista Carl June, especialista em imunoterapia na University of Pennsylvania (EUA), a inovação irá promover uma corrida no campo da edição de genes. “Acho que isso vai desencadear o ‘Sputnik 2.0’, um duelo biomédico sobre o progresso entre China e Estados Unidos, o que é importante, uma vez que a concorrência geralmente melhora o produto final”, argumentou, em entrevista ao site Scientific American.

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June é o conselheiro científico de outro teste que irá usar a técnica de edição de genes, com o objetivo de tratar vários tipos de câncer. Ele espera que seu estudo comece em 2017. No mesmo ano, outro grupo da Peking University (China) dará início a sua própria rodada de testes para tratar tumores na bexiga, próstata e células renais.

A pesquisa chinesa liderada por Lu You recebeu aprovação do comitê de ética do hospital em julho deste ano. Os testes deveriam ter começado em agosto, mas a data foi adiada para outubro porque cultivar e amplificar as células levou mais tempo do que o esperado.

Como funciona a técnica de edição de genes

Os pesquisadores removeram as células imunológicas do sangue do paciente receptor e, em seguida, desativaram um gene usando a CRISPR-Casp9, que combina uma enzima de corte de DNA com um guia molecular. Esse guia pode ser programado para dizer à enzima exatamente onde cortar.

O gene desativado codifica a proteína PD-1, que normalmente freia a resposta imune de uma célula. Os cânceres se aproveitam dessa função para se proliferarem.

Depois, a equipe de Lu cultivou as células editadas para que aumentassem de número e as injetou novamente no paciente, que tem câncer de pulmão já em estado de metástase. A esperança é que, sem a PD-1, as células editadas irão atacar e derrotar o câncer.

Segurança em primeiro lugar

Segundo Lu, a primeira injeção do tratamento correu bem e o paciente ainda receberá nova dose. A equipe planeja tratar dez pessoas e cada uma delas receberá duas, três ou quatro injeções. Os participantes serão monitorados por seis meses para verificar se as injeções estão causando efeitos colaterais. A equipe de Lu também irá observá-las por período de tempo sobressalente para assegurar a eficiência do tratamento.

Oncologistas estão entusiasmados com a entrada da CRISPR na cena de tratamento de câncer. Para Naiyer Rizvi, do Columbia University Medical Center (EUA), o desenvolvimento dessa tecnologia é “incrível”. Para Antonio Russo, da University of Palermo (Itália), é uma “estratégia excitante” e de “lógica forte”, já que os anticorpos que neutralizam a PD-1 conseguem controlar o câncer de pulmão.

No entanto, Rizvi alerta para a complexidade do processo, que é “trabalhoso e não muito escalável”. “A menos que demonstre um grande ganho em eficácia, será difícil justificar o avanço”, disse, à Scientific American.

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