Estudo mostra os efeitos positivos e negativos da maconha
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Foto: Istock/Getty Images
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Estudo de 400 páginas mostra os efeitos positivos e negativos da maconha

Kaluan Bernardo em 24 de janeiro de 2017

Um dos maiores estudos já conduzidos sobre maconha e canabinóide foi publicado no dia 12 de janeiro pela National Academies of Sciences, Engineering, and Medicine, dos Estados Unidos. Com mais de 400 páginas, a publicação revisa mais de 10 mil pesquisas sobre o tema e resume mais de 100 conclusões, organizadas por dezenas de pesquisadores.

O estudo revela, antes de tudo, que as pesquisas atuais sobre maconha ainda são relativamente precárias. Parte disso se deve justamente às dificuldades de se fazer estudos com a droga, considerada ilegal em muitos estados e países. Por isso, os pesquisadores pedem por políticas que facilitem a pesquisa e, consequentemente, enriqueçam o debate sobre a legalização.

Entre os benefícios oferecidos pela maconha estão melhorias para dores crônicas, esclerose múltipla e no acompanhamento de quimioterapia. Entre os riscos, estão complicações em problemas respiratórios (no caso, apenas quando fumada), aumento de acidentes de carros (como no caso da ingestão de álcool), redução do peso de bebês (quando consumida por grávidas) e maiores chances de desenvolver esquizofrenia e outras psicoses.

Quais os principais benefícios da maconha

A publicação diz que é impossível validar todos os ditos benefícios medicinais da maconha porque muitas pesquisas sobre o assunto são falhas, baseadas em casos anedóticos e falta evidências científicas para afirmar. Mas ela consegue confirmar alguns benefícios.

Foto: Istock/Getty Images

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Um deles é que há “evidências conclusivas” de que a maconha traz alívio significativo no tratamento de dores crônicas. Por isso, remédios à base de cannabis podem ser úteis para substituir os mais perigosos, feitos a partir de derivados do ópio.

Há também muitos indícios de que a maconha pode ajudar no tratamento da quimioterapia, evitando náuseas e vômitos. Há ainda evidências concretas de que remédios orais feitos a partir da cannabis ajudam a conter os espasmos musculares de quem sofre com esclerose múltipla.

O estudo traz algumas outras conclusões com “evidências moderadas”, sugerindo que ainda é preciso fazer mais pesquisas para confirmar completamente tais benefícios. Um deles é que ela ajuda, no curto prazo, a melhorar o sono de quem sofre com distúrbios como apneia e fibromialgia.

E há pouca ou nenhuma evidência de que a maconha ajuda no combate contra a perda de apetite no caso de portadores de HIV positivo. Também não é possível confiar em dados sobre o alívio dos sintomas de ansiedade, depressão, sintomas de câncer, de estresse pós-traumático, Síndrome de Tourette, síndrome do intestino irritado, epilepsia, Parkinson e esquizofrenia .

Os riscos da maconha

Embora a maconha seja muitas vezes considerada segura em comparação ao álcool, tabaco, cocaína, heroína e outras drogas ilícitas, ela oferece uma série de riscos apontados pelo estudo.

A publicação considera, por exemplo, que há evidências suficientes sobre os problemas respiratórios causados pelo cigarro de maconha, que pode trazer doenças crônicas, como bronquite.

Para mulheres grávidas, há maiores riscos do bebê nascer abaixo do peso. No geral, também há evidências concretas de que a maconha aumenta as chances de desenvolver esquizofrenia e outras psicoses. E há também correlação direta entre o uso de cannabis e o aumento de acidentes de trânsito envolvendo pessoas sob o efeito da planta.

Há indícios de que ela pode dificultar o aprendizado, memória e atenção. Mas há pouca evidência de que ela pode afetar emprego, renda, educação e funcionamento social.

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Já nas evidências limitadas, que precisam de mais pesquisa mas não são completamente descartadas, há o aumentos no risco de desenvolver câncer de testículo, ataques cardíacos, doenças pulmonares e complicações na gravidez.

Não há muitos indícios quando se considera o risco da maconha levar para o abuso de álcool, tabaco ou outras drogas ilícitas. Também são consideradas moderadas as evidências de que a maconha pode piorar algumas doenças mentais, como depressão, pensamentos suicidas e ansiedade. Pessoas que já têm transtorno bipolar tendem a piorar com o uso da droga.

Existe pouca ou nenhuma evidência de que fumar maconha possa causar câncer de garganta ou no pescoço, comuns no uso de tabaco. Por fim, não há evidências concretas de que a maconha ajuda no desenvolvimento de diversos tipos de câncer, problemas cardíacos crônicos, asma, morte por overdose ou complicações com grávidas além do peso do bebê.

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