Brasileiros querem fazer remédio com maconha medicinal
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Entourage quer ser a primeira no Brasil a produzir remédio com maconha

Diana Assennato em 12 de julho de 2016

Milhares de pacientes já tratam doenças crônicas com remédios a base de maconha medicinal no Brasil. Extratos da planta já podem ser usados legalmente em medicamentos manipulados para aliviar sintomas de condições como epilepsia, esclerose múltipla, dores crônicas e depressão. No entanto, até agora, tais remédios não podiam ser produzidos ou vendidos no Brasil.

Hoje, quem usa a droga medicinal no país depende de um processo de importação e autorização burocrático e caro. O tratamento fica restrito a poucos.

A Entourage Phytolab, startup do ramo farmacêutico, anunciou recentemente que será a responsável por produzir o que pode vir a ser o primeiro remédio brasileiro feito com maconha. O objetivo do medicamento será tratar epilepsia infantil, e a previsão é que a droga seja lançada até 2018.

Maconha medicinal

Analgésico, anti-inflamatório, antiespasmódico, regulador do apetite e redutor de enjôo são alguns dos usos que a medicina encontrou para a maconha medicinal. Além disso, ela é uma grande aliada de pacientes em quimio ou radioterapia para lidar com náuseas e vômitos.

Os fitocanabinoides, como são chamados, são as substâncias que associamos a essas propriedades medicinais da maconha. Os principais componentes do extrato da planta são o tetra-hidrocanabinol (THC) e canabidiol (CBD). Tanto o THC quanto o CBD já demonstraram suas competências farmacológicas e são de interesse medicinal, mas existe um receio na medicina que THC seja uma substância com potencial de abuso e propriedades psicotrópicas, características difíceis de se associar a uma medicação.

plantação de maconha

Foto: iStock

A grande sacada da Entourage Phytolab é comercializar medicamentos de uma Cannabis mais “comportada”:  rica em CDB com pouco THC, através de flores fornecidas pela Bedrocan, multinacional exportadora de maconha medicinal no mundo.

O tratamento

Em seu site, a empresa explica o “efeito entourage”: a ação de várias moléculas estimuladas ajudando na ação de uma outra, como alternativa de tratamento, ao invés de uma só substância trabalhando isoladamente como os remédios tradicionais.

A teoria está conectada com o nosso sistema endocanabinoide, um sistema de comunicação complexo entre neurônios presente em todo o nosso corpo. Ele nos ajuda a superar situações adversas no organismo e manter o equilíbrio de vários processos fisiológicos.


O próximo passo é padronizar a extração do possível medicamento, testá-lo em ratos e submeter o remédio à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para chancelar todas as etapas de testes humanos.

Medicina alternativa

Apesar de registros apontarem mais de 2 mil anos de uso medicinal da planta, foi só no século 20 que os canabinoides foram identificados com esse potencial terapêutico.

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Hoje já são 80 os tipos de maconha conhecidos e investigados pela ciência. Cada um com características e “personalidades” diferentes, de acordo com as proporções de canabinoides em suas flores.

Talvez por isso tenha sido tão difícil praticar medicina sem um sistema de dosagem exata no séculos 19, quando a erva de tornou popular no ocidente. A variabilidade simplesmente impossibilitava os tratamentos.

Hoje, a bioengenharia já permite controle genético sobre as plantas, o que padroniza a proporção de canabinoides e permite o desenvolvimento do potencial terapêutico da planta.

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