Estudo descobre que tecido do cérebro continua a crescer após a infância
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Estudo descobre que tecido cerebral continua crescendo após a infância

Pedro Katchborian em 16 de janeiro de 2017

Existia um conceito na neurociência: o de que o tecido cerebral parava de crescer com o tempo. No entanto, pela primeira vez, cientistas acharam um crescimento microscópico no cérebro em regiões que também indicam mudanças cognitivas. O grupo alcançou o feito olhando o cérebro de crianças.

Foto: Istock/Getty Images

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“Eu diria que somente nos últimos dez anos que cientistas começaram a olhar para o cérebro de crianças”, diz Kalanit Grill-Spector, uma professora de psicologia na Universidade de Stanford e uma das autoras da pesquisa. “A questão é que as crianças não são adultos em miniatura — e o cérebro delas prova isso”, completa.

As crianças foram escolhidas, segundo Kalanit, por que são pouco estudadas quando o assunto é cérebro e o seu desenvolvimento. Kalanit e sua equipe examinaram partes do cérebro que reconhecem faces e de outros objetos.

O artigo, publicado na revista Science, mostra um achado de estruturas microscópicas na região que mudam da infância para a fase adulta e em uma escala de tempo que é equivalente à melhora na habilidade de pessoas reconhecerem faces. “Nós vimos aquele tecido proliferando”, diz Jesse Gomez, estudante de Stanford e um dos líderes do estudo publicado na Science.

“Muitas pessoas tem uma versão pessimista do tecido cerebral: de que o tecido é perdido gradativamente enquanto você fica mais velho. Nós vimos o contrário — que o que ficou após o crescimento na infância pode crescer“, termina.

O grupo estudou regiões do cérebro que reconhecem faces e lugares, respectivamente, já que saber para quem você está olhando e onde você está é uma função essencial no dia a dia. Nos adultos, essas regiões estão próximas, mas com algumas diferenças estruturais visíveis.

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“Se você pudesse andar no cérebro de um adulto e você pudesse olhar para as células, seria como andar em bairros diferentes”, diz Gomez. “As células parecem diferentes, elas são organizadas de maneira diferente”, conclui.

“Existe um sonho no campo que é um dia poder medir a arquitetura de uma células em cérebros de humanos vivos e isso mostra que estamos fazendo progressos”, diz Kevin Weiner, um cientista de Stanford e co-autor do trabalho publicado na Science. O estudo da Universidade também consistiu em achar quais estruturas celulares não aparecem na ressonância magnética. Para isso, trabalharam em conjunto com o Instituto de Neurociência e Medicina, na Alemanha, que obteve tecido cerebral de mortos.

Cérebro: reconhecendo faces e lugares

As regiões que reconhecem faces e lugares são diferentes nos adultos. E nas crianças? Sabendo que as habilidades de reconhecimento facial melhoram na adolescência, Grill-Spector resolveu estudar os cérebros infantis. Foram 22 crianças (entre 5 e 12 anos) escaneadas e 25 adultos (de 22 a 28 anos), utilizando dois métodos de ressonância magnética diferente. Os cientistas descobriram que, além de ver uma diferença na atividade cerebral nessas duas regiões, o tecido cerebral cresce com o desenvolvimento da criança.

“Essas regiões do cérebro são dignas de mais atenção”, diz Grill-Spector. O motivo é por que é possível identificá-las em qualquer pessoa — até uma criança de 5 anos. Além de estudar o crescimento desses tecidos, com as pesquisas é possível compreender melhor um distúrbio em que pessoas não reconhecem muito bem as outras — condição que acomete cerca de 2% da população mundial adulta.

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