Cientistas descobrem relação entre genética e depressão
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Cientistas descobrem relação entre genética e depressão

Kaluan Bernardo em 5 de agosto de 2016

Cientistas descobriram evidências de que a depressão tem relação genética. O estudo, publicado na revista Nature Genetics, revelou 17 variações do gene encontradas em 15 partes do DNA e que se conectam ao transtorno depressivo maior (MDD).

O estudo analisou os dados de mais de 300 mil pessoas (sendo que aproximadamente 75 mil eram diagnosticadas com depressão) e de descendência europeia. É o primeiro estudo a relacionar a doença à hereditariedade em pessoas europeias. Antes, apenas uma pesquisa realizada com chineses levou a tais conclusões.

homem em túnel com grafites na parede

Genética é um dos fatores por trás da depressão. Foto: Istock/Getty Images

Os pesquisadores acreditam que o estudo contribua para entendermos melhor a doença e que, eventualmente, possa levar a novos tratamentos. Eles também esperam reduzir o estigma que acompanha a condição.

“Esperamos que esses resultados ajudem as pessoas a compreender que a depressão é uma doença do cérebro com sua própria biologia”, declarou o coautor do estudo Roy Perlis, do Hospital Geral de Massachusetts. “Agora vem o trabalho duro de usar esses novos entendimentos para tentar desenvolver melhores tratamentos”, afirmou em comunicado. Ele conta que tentava encontrar as correlações há décadas.

No entanto, a genética não é o único fator por trás da depressão. Os cientistas ressaltaram que questões sociais e ambientais também são importantes e se relacionam diretamente com a hereditariedade.

“Só com esse artigo não podemos explicar muito sobre a depressão, mas são as primeiras dicas realmente válidas e substanciais indícios [sobre a relação entre a condição e a genética]. E agora podemos ir e procurar pelas conexões e entender a doença”, disse Elisabeth Binder, do Instituto de Psiquiatria Max Planck, na Alemanha, ao jornal The Guardian.

Conexões de genética e depressão tiveram ajuda de empresa de biologia e dados

Os dados foram oferecidos por pacientes que aceitaram participar do estudo e eram atendidos pela 23andMe — uma startup de genômica pessoal e biotecnologia que fornece testes genéticos com rapidez e por preços menores do que em grandes laboratórios (cobram US$ 200 pelo exame).

É uma empresa polêmica que recentemente teve atritos com a Federal Drug Administration (órgão responsável pelo controle de alimentos e medicamentos nos Estados Unidos), que a acusou de estar dando conselhos médicos não autorizados. Em uma entrevista recente no StarTalk, um programa de rádio, Anne Wojicicki, CEO da empresa, defendeu-se:

“Estamos falando de indivíduos acessando, entendendo e se beneficiando do genoma humano. O genoma tem um grande potencial de transformar a saúde. E nós temos milhões de pessoas sendo genotipadas, então temos milhões de pessoas indo a seus médicos para poder falar de sua genética e isso tem potencial de ser disruptivo”.

O estudo da depressão é um exemplo do potencial disruptivo ao qual Anne se referia. Transtornos psicológicos são difíceis de se estudar por que envolvem uma quantidade muito grande e variáveis genéticas, sociais e ambientais. Para analisá-los com rigor, é preciso do dados de muitas pessoas — o que é trabalhoso e caro. No entanto, quando você tem uma empresa popularizando a análise genética, os dados ficam muito mais acessíveis e as pesquisas podem avançar.

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Os dados para esse estudo, no entanto, têm seus limites. Um deles é que foram os pacientes que declararam ter depressão. Muitas pessoas que também sofrem com a doença, mas nunca foram diagnosticadas, podem ter sido excluídas. Além disso, pode ter incluído alguns que se auto-diagnosticaram incorretamente.

O ponto central, no entanto, foi legitimado: a depressão tem caráter biológico, e Perlis explica:

Agora podemos mostrar que a depressão é uma doença cerebral e que há tanta biologia associada a ela. Eu acredito que é muito importante as pessoas entenderem que existem doenças cerebrais. Não é culpa de alguém. Elas são doenças, como qualquer outra.

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